Em estudo, aluna da Uniara analisa a percepção materna sobre falas sociais após perda gestacional ou neonatal

0
72

TCC de Yara Teixeira Pereira Lourenço foi orientado pela professora Daniela Cristina Mucinhato Ambrósio

A estudante da graduação de Psicologia da Universidade de Araraquara – Uniara, Yara Teixeira Pereira Lourenço, apresentou o estudo “Percepção materna sobre falas sociais após perda gestacional ou neonatal: impactos da comunicação no luto” como Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, orientado pela professora Daniela Cristina Mucinhato Ambrósio.
“O trabalho focou em uma questão muito significativa, que é a dificuldade da nossa sociedade em lidar com pessoas que estão passando por luto. O enfoque é o luto gestacional e neonatal, dificilmente reconhecido e validado pela nossa sociedade, mas as conclusões vão além dessas mães, pois foi possível identificar a grande dificuldade das pessoas em abordarem um enlutado sem falarem coisas que aumentem seu sofrimento. As mães do meu estudo infelizmente ouviram falas lamentáveis, inclusive muitas delas vindas de profissionais de saúde, e precisamos parar e refletir sobre isso, com a intenção de aprendermos e mudarmos a forma de tratarmos quem está passando por esse sofrimento”, aponta Yara.
Ela conta que a intenção do estudo foi “colocar o peso da ciência a favor dessas mães, dando-lhes espaço para o reconhecimento de sua dor, de sua maternidade e de seus filhos”. “Além disso, trazer visibilidade para a atuação do grupo de apoio em perdas gestacionais e neonatais Transformação, que faz um belíssimo trabalho, que começou em Araraquara, mas hoje já tem relevância nacional no acolhimento de mães e pais que passaram por perdas gestacionais e/ou neonatais”, completa.
O dado mais significativo da pesquisa, de acordo com Yara, foi que, das dez mães entrevistadas, seis desenvolveram adoecimento mental após a perda de seu(s) bebê(s), e dessas, três afirmam que as falas ouvidas ao longo do seu luto contribuíram para o desenvolvimento de seu transtorno mental. “Isso demonstra que não basta a pessoa querer falar algo para aquela mulher: é preciso saber o quê e como falar. Além disso, as pessoas não precisam ficar justificando a perda dessa mãe, atribuindo à vontade de Deus ou a qualquer outro motivo, pois não há nada que justifique o fato de essas mulheres terem perdido seus filhos”, explica.
A graduanda esclarece que, se há uma vontade de ajudar ou consolar, “um abraço sincero ou um gesto de apoio são muito mais efetivos do que palavras, pois palavras sem compaixão e mal colocadas só fazem piorar a dor, e não amenizá-la”. “Uma frase que coloquei na conclusão e que acho que resume bem o trabalho: ‘É imprescindível aprendermos, enquanto sociedade, a compreender o momento de vida dessas pessoas, desenvolvendo uma cultura de acolhimento e trazendo a morte novamente para o espaço público, não como algo indesejado, mas sim como uma possibilidade diante das infinitas possibilidades da vida desde sua concepção’”, menciona Yara.
Daniela comenta que o trabalho desenvolvido por sua orientanda “tem relação direta com o compromisso da psicologia de responder às demandas da sociedade, de forma científica”. “Somos uma sociedade que tem enorme dificuldade de lidar com a morte. Quando estamos diante de uma pessoa enlutada, nós – familiares, amigos/colegas e muitas vezes, profissionais da saúde – não sabemos como nos comportarmos. Falamos coisas descabidas, ignoramos o que aconteceu, fugimos do assunto etc. O trabalho explicita que quando se trata de mães que perderam seus filhos na gestação ou no nascimento, falas como ‘logo você terá outro, é nova’ ou o silêncio ignorando a perda, ou mentiras contadas sobre o bebê e a morte, não reconhecem a dor dessas mães, e podem contribuir para o aumento do sofrimento, além de favorecer prejuízos à saúde mental e o desenvolvimento futuro de transtornos mentais”, alerta a docente.
O estudo de Yara, segundo Daniela, reforça a necessidade de “educarmos a sociedade para lidar com a morte”. “Devemos ter uma atitude de cuidado e empatia com as pessoas enlutadas: oferecer escuta, deixar que manifestem seus sentimentos, que falem, que chorem. Reconhecer e validar o sofrimento, sem julgar. Dor e sofrimento não se ignora, não se julga, se acolhe”, finaliza a orientadora.
Informações sobre o curso de Psicologia da Uniara podem ser obtidas no endereço www.uniara.com.br ou pelo telefone 0800 55 65 88. (Assessoria de Imprensa – [email protected])

 

Deixe uma resposta