Eles entram no meu filme

Angelo Lorenzetti tem luz, é o cara. Um jovem de Ribeirão Bonito que buscou os horizontes de Araraquara para vencer. Na música, na marcenaria, na empresa, mas, precisamente no coração de nossa gente. Em termos pessoais, nem tudo foi colorido. Depois da subida, inexoravelmente aportou a dona descida e, com ela, a comprovação de que alguns conseguem ver, sentir e agir só pelo saldo médio bancário, a posição social.

No São José, na Loja da Fábrica, muitos foram bem recebidos pelo nosso homenageado; na loja do centro, o apoio do Jorginho ou Zé Angelo, as idéias sobre marketing do Jairo, o incentivo da Jane e a retaguarda altaneira, forte e amorosa da Dona Arytusa. Uma doce fortaleza que soube, na ausência do pai empenhado na luta árdua do dia a dia para crescer e dar meios aos filhos (ah, eles precisam receber o que não tive para que possam vencer com maior facilidade nesta vida muito competitiva…).

Angelo Lorenzetti quando recebia algum vendedor e não podia comprar ficava chateado. O seu coração falava mais alto, era preciso dar a mão ao companheiro de caminhada. Espírito fraternal, galgou degraus ao sentir na pele que o seu “Bom Dia” muitas vezes era respondido com rapidez e sem olhar nos olhos, com receio de que se pedisse algum emprestado. Coitados, nunca vão conseguir entender que essa queda física, empresarial e mensurada por alguma convenção social, foi apenas e tão somente uma grande derrota do dinheiro, banhado por contingências econômicas, um mercado implacável que, de outro lado, permitiu o aprimoramento, a lapidação de um ser que continua espargindo amor, no olhar sincero de ver Jesus no corpo e na mente de centenas de irmãos carentes. Sem hipocrisia, sem falsos valores, só amor.

A todos fica a certeza de um coração sempre jovem em busca de uma família amplificada, aquela que marcha em busca da Verdade e da Vida sabendo que o Mestre vai aferir a multiplicação dos “talentos” e dará a cada um o prêmio cobiçado, na medida do que foram e não pelo que tiveram. Por isso, Angelo Lorenzetti permanece tranqüilo e emana sentimentos positivos. Vale, vale muito conhecer a sua vida. Tem significado, ainda mais quando corremos atrás da definição desse significado.

“Sou de Ribeirão Bonito, pais italianos que vieram para o Brasil a fim de ganhar dinheiro e retornar à bela Itália. Houve uma série de contratempos e isso nunca ocorreu. Meu pai era lavrador, lutou intensamente para cuidar dos 4 filhos: Mário, Hugo, eu e o Valentim. Meu pai foi exemplo de católico, seguia o Evangelho e sua vontade era encaminhar os filhos, com uma profissão. O primeiro foi ferroviário, o segundo foi para Força e Luz, eu fui colocado desde criança para aprender o ofício de marceneiro, o Valentim foi o caçula que teve a oportunidade de estudar e se formou em jornalismo. Então, a profissão era o objetivo.

Com meu patrão aprendi também música e surgiu a vontade de buscar uma cidade grande. Isso foi ganhando corpo, a idéia de fazer um trabalho maior. Um dia, vim tocar no carnaval da Morada do Sol e conheci algumas pessoas. Por que você não vem pra Araraquara? Você toca, tem sua profissão… essa idéia progrediu. Com os meus 21 anos cheguei e consegui o primeiro emprego, em Móveis Biondi. Isso em 1954, trabalhava de marceneiro e logo fui convidado para tocar na Orquestra Marabá. Vale dizer, praticamente me conheci como gente aqui em Araraquara. Ampliando o círculo de amizade. É a parte mais importante da vida, os amigos.

Tocava à noite e trabalhava durante o dia… visando proclamar minha independência abri uma pequena marcenaria, com ajuda do meu irmão Hugo que me arrumou dinheiro emprestado e mais um tio que sempre me ajudou. Tive muita ajuda de parentes, amigos, irmãos e fui desenvolvendo um trabalho bom de marcenaria, até montar uma loja. Graças a Deus fui muito bem-sucedido, nunca tive a ambição de ser rico. Gostava de crescer para proporcionar trabalho, enfim, abrir campo de ação para a comunidade.

O tempo foi passando… tinha 32 anos, ocorreram contratempos motivados por pessoas maldosas. Até a minha fé foi colocada em xeque. Na injustiça veio o lenitivo, a explicação espiritual. Aceitei o convite de um irmão para seguir a Doutrina. A Sociedade Obreiros do Bem estava começando um curso e conheci o espiritismo que me deu o significado da vida, dos contratempos, das lutas e das dificuldades. Realmente reconheci que precisava fazer alguma coisa.

Assim, com um grupo de amigos fundamos o Centro Espírita Redenção com o ideal de levar a mensagem do Evangelho de Jesus à luz da doutrina espírita. Fomos multiplicando as casas, seis foram fundadas em benefício principalmente dos pequenos.

Na pele, a

experiência

Como filho de humilde trabalhador, a gente sentia na pele. A sociedade marginaliza, faz certos comentários que doem… pensei: se um dia tiver condições eu vou fundar uma casa para promover menores. Foi assim que surgiu a idéia. Nós fazemos visita na periferia da cidade para atender famílias necessitadas, de baixa-renda. A creche atendia até aos 7 anos e depois as crianças ficavam pelas ruas. As mães precisavam trabalhar fora para ajudar em casa e dessa situação surgiu o Lar Escola Redenção para atender crianças acima de 7 anos. Um grupo maravilhoso se uniu para colocar em prática esse sonho, essa aspiração.

Foi no campo social que me encontrei, sinto-me realizado por essa oportunidade de atender os menores. Em abril faz 29 anos de muito trabalho, com a ajuda de muita gente. É salutar, faz bem receber jovens que passaram por aqui. Contam histórias gratificantes.

Casei, é claro

Voltando à minha vida em Araraquara, conheci uma moça que era de Rio Preto. A Arytusa que é minha esposa. Tivemos quatro filhos: Jorge, José Ângelo, a Jane e o Jairo. São criaturas ótimas que têm apoiado nosso movimento, se identificam também no campo do social, no campo da caridade, no campo do trabalho sem supervalorizar as conquistas materiais. Meus filhos também não têm a idéia de ficar ricos… agradeço a Deus pela vida, pela benção, pelo companheirismo de meus filhos, de amigos que participam desse ideal de servir. Obrigado meu Deus.

Cidade

ótima

Araraquara para mim foi uma cidade excelente, uma cidade ótima, aonde me conheci como gente. Nas metas sociais, posso conviver com verdadeiros amigos que se realizam batalhando pelo semelhante.

Tarefas

De minha família, outro fato interessante. Tinha 10 anos e ajudava meu pai no carregamento de lenha. Nós tínhamos uma horta, cuidada pela mãe e pela manhã, antes de ir para a escola, íamos vender verdura e nada de retornar com o produto. Tinha que vendê-lo mesmo e prestar conta direitinho. Agradeço porque me ensinaram o trabalho. Com 73 anos, tenho a mesma disposição, a alegria de labutar.

Não via

os filhos

A minha esposa enfrentou grandes dificuldades. A gente, na luta para conseguir alguma coisa, deixava uma lacuna. Ela então tinha que resolver problemas domésticos, educar… hoje, reconheço que não vi meus filhos crescerem, ficaram um pouco esquecidos. A gente trabalhava em benefício deles, para dar mais conforto, mas, a realidade deveria ter sido outra. Trabalhei até 15 horas dia: tocava, trabalhava na profissão, depois o comércio, uma luta intensa e o tempo era pequeno na casa junto com a família. Arytusa teve que se multiplicar, foi uma parceira de nosso trabalho”.

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