Eles entram no meu Filme!

O homenageado desta edição do Jornal de Araraquara é o Dr. Flávio Nunes da Silva. Um Promotor amado pela lealdade e saber jurídico; admirado pelo espírito fraternal, coração extremamente generoso. Um pilar do Ministério Público que fixa os pés no mesmo chão dos demais brasileiros, pouco importando a posição social ou saldo bancário do interlocutor. Nunca desqualificou ninguém ao defender a sua tese em nome da sociedade. Antes, é sua praxe elevar a auto-estima até de eventuais oponentes no contexto de sua função profissional. Flávio Nunes da Silva, uma legenda. Um notável membro da honrada Comarca de Araraquara, uma autoridade diferenciada e respeitada pelas inúmeras folhas de serviço qualificado.

Hoje, vamos conhecê-lo desde a infância. Um espaço aberto com inquestionável justiça.

“Eu me sinto bem, mas, atribuo essa energia gostosa de Araraquara aos amigos de muitos anos. Sempre procurei me pautar fazendo justiça: 27 anos no Júri, centenas de pedidos de absolvição em plenário, 19 anos lecionando na Faculdade de Direito eu nunca prejudiquei um aluno. Com isso foi aumentando o carinho entre o promotor-professor e a cidade de Araraquara.

Se eu acredito em vidas passadas? Esse é um tema que me deixa confuso. As vezes acredito as vezes não, mesmo na vida futura. Como seria depois? É complicado, não tenho uma opinião formada. Sou religioso mas é difícil responder.

Sobre minha vida… bem, nasci em Taquaritinga, onde me criei e casei. Fiz o grupo escolar no "Domingos da Silva" que é o nome do fundador da cidade. O ginasial e colegial no 9 de Julho (antigamente era Instituto de Educação 9 de Julho). Depois fui estudar Direito na Faculdade de Bauru. Ao terminar fiz dois anos de pós-graduação na renomada São Francisco (área Penal). Após, fui para o Rio de Janeiro onde, durante quatro anos, tentei a Diplomacia e fui reprovado no último estágio, exame de Inglês.

Como Promotor de Justiça passei por catorze cidades, a mais importante (nem tenho receio de que outras Comarcas leiam), é realmente Araraquara. Mesmo porque fiquei mais tempo, estreei como substituto em 1971. Passei por Bariri, Itápolis (permaneci 9 anos em Itápolis onde fui agraciado com o título de Cidadão Itapolitano), vim para Araraquara em 1981 e estou na Morada do Sol até hoje. Devo afirmar que me senti feliz ao receber o diploma de Cidadão Araraquarense, na presidência legislativa de Flávio Ferraz de Carvalho.

Na minha carreira fui passando… convocado, trabalhei no Tribunal do Júri em São Paulo, na Febem da capital e prestei serviço também em São José do Rio Preto, Monte Aprazível, General Salgado, Palmeira do Oeste, Santa Fé do Sul, enfim, catorze Comarcas inesquecíveis. Mas, efetivamente a mais importante é Araraquara seguida bem de pertinho por Itápolis. Dessa cidade devo lembrar Osvaldo Duarte que chegou a ser vereador também de Araraquara. Ele foi muito amigo, me orientou porque naquele tempo o Promotor tinha influência em ação de acidente de trabalho. O Duarte era muito culto nessa área, me auxiliou demais no INSS sobre acidente de trabalho, grande profissional.

Adail Nunes da Silva,

pai-prefeito perfeito

Meu pai era advogado, naquele tempo não tinha reeleição para prefeito. Ele ficava quatro anos na prefeitura e quatro anos na advocacia. Com grande apoio popular foi prefeito de Taquaritinga por quatro vezes. Meu pai era imbatível nas urnas. Ele advogava para a classe pobre, não cobrava e, dessa forma, sobrava para minha mãe sustentar a casa com salário de professora. Meu pai, quando terminava a causa e a pessoa ia acertar os honorários, dizia: "você não deve nada, apenas vote em mim na próxima eleição". E recebia uma votação excelente.

Fui criado em Taquaritinga, casei com moça de Taquaritinga que conheci no ginásio. Namoramos desde os 15 anos e estamos juntos até hoje. Depois que casamos fomos para São Paulo a fim de estudar. Logo voltamos para Taquaritinga onde estamos até hoje.

Neste meu percurso por todas as Comarcas nunca deixei de residir em Taquaritinga. Cheguei a ir para General Salgado às 6 horas da manhã, chegava lá às 10 para fazer uma audiência. Morei alguns anos em Araraquara (Jardim Martinez). Eu tinha dois domicílios: aqui e em Taquaritinga.

Os filhos também crescem

Os filhos cresceram, saíram de casa e eu resolvi ficar por lá porque a minha mulher tinha os pais doentes e não podia me acompanhar. Acabei ficando em Taquaritinga, viajo todos os dias.

A veia política do meu pai não me atingiu, minha mãe tirou esse vírus de mim porque sofreu muito com a política. Infelizmente existe muita ingratidão, muito desaforo, muita injustiça…

Mas felizmente ou infelizmente o Tato ficou com esse vírus. O meu segundo irmão, Antonio Carlos Nunes da Silva, que é empresário, já foi prefeito de Taquaritinga duas vezes. Ele puxou o meu pai: o mesmo estilo, o mesmo jeito de servir o povo. O meu filho mais velho, o Alexandre, está no segundo mandato de vereador, e tem sonhos mais altos com muito idealismo.

Somos em cinco irmãos: eu sou o primeiro, depois o Tato, terceiro é o Augusto que é jornalista, após a Patrícia que é Psiquiatra em Rio Preto e a última, uma temporona, a Marília que mora em Santos e trabalha no Fórum de São Vicente.

Saudade da Professorinha

Minha mãe era professora do primeiro grau, foi minha mestra no terceiro ano. Filha de austríacos, tinha um temperamento diferente de meu pai. Era quieta e séria, também por isso o casamento deu certo. Meu pai era extrovertido, sorridente, brincalhão fora e dentro de casa. A união perfeita não era para mostrar aos eleitores, não!

Existiram dificuldades

Sim, tive uma vida muito difícil. Meu pai dificilmente ficava com o salário da prefeitura porque durante o mês o pessoal ia pedindo ajuda para comprar remédio, comida e ele ia dando… chegava o fim do mês e ele estava zerado. Minha mãe naquela época sustentava a casa, o salário era melhor que o de hoje. Mas para eu estudar, o Tato para dar continuidade aos estudos nós tivemos que trabalhar. Quando completei 18 anos fui aprovado em concurso do Banco do Brasil. O Banco pagava muito bem, eu era solteiro e pude bancar meus estudos, as viagens para Bauru, a minha estada lá… paguei tudo do meu bolso.

O Tato trabalhava em escritório de Curitiba, aonde ele fazia

Faculdade Federal de Engenharia. Trabalhou desde aos 18 anos. Quando o Augusto fez 18 anos eu o levei para o Rio de Janeiro e apoiava seus estudos na Faculdade Nacional de Direito garantindo-lhe o bem-estar. Isso decorre do espírito familiar, a semente lançada por nossos pais.

Um por todos…

A nossa família tem uma união incrível, quando um precisa do outro, Nossa Senhora, somos siameses, todos nos unimos somando esforços para buscar a solução desejada.

Eu tive um fato ruim na vida, era bem adulto, bem vivido… foi a morte do meu pai. A família enfrentou a morte repentina, ele comemorou a vitória do Quércia na rua. O resultado das urnas saiu no dia 17 de novembro de 1986. Ele dançou o carnaval na rua, no asfalto com mais de mil pessoas, até meia noite. Ele se recolheu em casa, eu estava junto com ele. Me despedi rindo, contando piada. Às 4 da madrugada minha mãe me ligou: "teu pai não está bem, ele está imóvel na cama". Foi uma trombose cerebral, morreu dormindo…

Foi um abalo enorme para nós, ele estava na prefeitura, no auge político, no máximo de sua missão democrática. Fisicamente bastante forte, nunca tinha tomado uma novalgina. Uma saúde de ferro… foi uma surpresa. Esse, o primeiro abalo que a família sentiu. Como a orfandade não tem idade, nós cinco e minha mãe sofremos muito. Sorte que já estávamos todos bem definidos na vida.

Ah! Os netinhos…

O meu neto Samuel é matogrosense, filho do Alexandre. Com 5 anos ele veio para nossa casa em Taquaritinga. Ele é a nossa alegria juntamente com a Nina Rosa, filha da Lívia. É uma casa cheia de alegria, não tenha dúvida disso. É uma delícia aquela bagunça… A gente quase não dorme à noite, a molecada pulando, criança chorando, mas, é um cansaço que no dia seguinte não influi porque é tudo muito gostoso.

O que esperar da vida?

Eu já estou vendo a luz no fim do túnel, tenho 34 anos de carreira no Ministério Público. Sinto que as leis brasileiras são muito fracas e o Congresso não nos dá normas favoráveis para terminar, exterminar a bandidagem. Fora o bandido normal, aquele que contraria o Código Penal, existem os bandidos do Congresso de Brasília… eles me atormentam porque é muito difícil prendê-los e o rombo deles é maior que o produzido por quem furta um carro, uma bicicleta. Então, estou um pouco desanimado de ver o abrandamento no Código Penal. Não se consegue pegar alguém do chamado "colarinho branco". É dificílimo, tanto que ao se pegar um a imprensa fala durante um ano. Pega um Lalau, um juiz, um deputado e o jornal comenta o ano inteiro. Isso porque é raro… deveria ser muito comum. Mas, enfim, cuido do hoje e o amanhã … só Deus sabe". (Da editoria social)

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