Eles entram no meu filme!

A homenageada é Dona Diva, mulher-guerreira que literalmente botou a mão na massa e, com muita aptidão e amor à culinária fez milhares de bolos e quitutes de dar água na boca. Isso tudo agregado ao papel de dona de casa, mãe e esposa do Carlos. Ele, como mecânico de qualidade da saudosa EFA, participou dos melhores momentos das oficinas de Araraquara (montagem de locomotivas a diesel que chegavam ao Porto de Santos e construção da primeira composição refrigerada, com barras de gelo da Cociza). Ainda arrumava tempo para trabalhar em outra empresa particular (Satélite).

Como se vê, um casal de lutas, muitas lutas e para quê? Dar aos filhos tudo de bom, ensinando-os a pescar com honra e dignidade. A própria Diva (que ainda produz verdadeiras delícias dos deuses), conta sobre sua vida vitoriosa onde pontifica a formação científica dos seus filhos. Sem falar do carinho maximizado para distribuir aos seus netinhos encantadores.

“Minha vida dá um livro, vim de Igaçaba onde fiz o curso básico. Na cidade, com 12 anos, comecei a trabalhar. Desde pequena gostava de doce, confeitaria, essas coisas… comecei a fazer bolo e não parei mais. Aliás, não pretendo parar porque faço com amor. Ajudei a formar três dentistas, uma bióloga e um engenheiro eletrônico. Foi a riqueza que pude dar-lhes. Ensinei-os a pescar, hoje todos excelentes profissionais e com a generosidade indispensável para uma vida útil, produtiva e respeitada. Foi a herança estruturada com atos de amor e que ninguém pode roubar. Uma ferramenta para enfrentar os desafios cada vez maiores neste mundo de desafios. Só para reafirmar o carinho à produção de bolos e doces, até hoje trabalho a noite inteira se for preciso. Quanto mais eu faço mais me dá vontade de criar delícias que dão prazer. Trabalho com alegria, tanto que todos em casa sabem que o primeiro pedaço do bolo é cortado por mim e experimentá-lo é o máximo.

Meu marido era ferroviário e tive cinco filhos… não foi brincadeira cuidar de todos eles e ainda reunir energia para fazer doces. Ah, fiz muitos cursos de culinária, por exemplo no Sesi e Senac. Se fosse pegar os diplomas formaria uma pilha. O primeiro, no Sesi da Rua 5 (onde funcionou a Delegacia de Ensino e hoje parte da Uniara), tinha 12 para 13 anos. A verdade é que vim para este mundo com esse dom culinário, motivo de muito orgulho. Tudo que eu faço tem que ser perfeito. Não consigo confiar em assistentes. Só sei que estamos aí na luta diária e com o dever cumprido: todos os filhos formados.

Como disse, nasci em Igaçaba (perto de Pedregulho), cidade do pai do ex-governador Quércia que foi chefe de Estação. Ela ainda existe, perto de Rifaina. Um lugar muito bonito, meu pai tinha uma fazenda e por isso todos levantávamos muito cedinho, por volta das 6 horas. Andava uma hora e meia para chegar à escola onde tirei o diploma. A gente deixava a escola ao meio dia e chegava por volta das três horas da tarde, mas, tinha que ir para a roça ajudar o pai a capinar, arrancar mato e de vez em quando ainda levava umas palmadas porque criança sempre apronta. Ao arrancar mato acabava arrancando arroz. Foi uma infância muito sofrida. Compensada pelo convívio com meus pais e irmãos. Sou a mais nova das meninas, minha mãe teve quatro meninas e um menino. Eu cheguei a trabalhar até durante a noite em Araraquara. Nunca deixei de trabalhar. Não tenho preguiça, hoje estou olhando meu netinho que está doente e à noite vou fazer algumas receitas encomendadas por clientes de Rio Preto. Eu criei meus cinco filhos, com ajuda de Deus. E fazendo bolos e doces, com receitas que adoro. Sinto-me orgulhosa pelas metas conseguidas. Quando morrer, acho que vou fazer muitas gostosuras lá no céu.

Meu marido

Eu o conheci quando viemos de Igaçaba, tinha doze para treze anos. Ele passava em frente de minha casa com destino às Oficinas da EFA. Ele passava e eu ficava no portão olhando… até ele virar a esquina.

Minha mãe teve uma loja e fomos morar na Barão do Rio Branco, na antiga Vila Popular. Tinha uns 14 anos quando começamos a namorar. Depois de três anos nos casamos, tinha 17 anos. Amo a minha gente e estou sempre disponível. Se precisar, todos sabem: é só chamar.

Eu fiz o meu papel de mãe, fui vencedora. Fui mesmo, mas, acho que ainda falta alguma coisa para realizar. Não sei bem o quê”, diz a homenageada do Jornal de Araraquara. (Editoria Social)

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