(Editorial) Nuvens chamuscadas

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No final de agosto, vimos uma camada de fuligem no horizonte, qualidade do ar despencando, sujeira por toda a parte. E o motivo de tudo isso é de conhecimento comum dos moradores da cidade: trata-se do evento anual ou época de queimadas.
A maciça maioria dos incêndios resulta da ação humana. Com a baixa umidade do ar, os incêndios surgem facilmente, seja por acidente ou proposital. A realidade é que o céu fica repleto de fuligem, até mesmo a Lua ganha tom avermelhado ao anoitecer. Nossas casas são cobertas por uma notável camada de sujeira. O que se dirá dos nossos pulmões?
O Pinheirinho entrou em combustão domingo passado (dia 22). E a destruição e morte de animais da semana são somadas a outros casos, também, tristes. Áreas da Chácara Flora e Selmi Dei em outros momentos. Em todos os exemplos, há algo em comum: foram causados por ação humana.
Sendo assim, o que podemos fazer a respeito? De fato, é impossível a Prefeitura instituir guardas a cada esquina para fiscalizar toda área da cidade. No entanto, um movimento simples que poderia ser implementado é uma campanha de conscientização em período exatamente anterior às queimadas.
A defesa do meio ambiente exige participação de todos, é verdade. Em nível político, União, Estados e Municípios. Mas, na prática, haverá uma verdadeira mudança, se houver mobilização efetiva da sociedade.
A crise climática já chegou. É presente. E deve agravar-se em ritmo acelerado nos próximos anos. Devemos enfrentar essa realidade assustadora com consciência e responsabilidade, mas agora. Não dá mais para deixar que gerações futuras resolvam esse problema.
Vamos repetir: a crise climática já está entre nós
Conscientização. De todos. Governantes e governados. Com mudança de busca de ganho fácil às custas de destruição e sujeira. A seca do Pantanal e a transformação da floresta amazônica em savana são exemplos gritantes de busca de lucro imediato, sem responsabilidade com manutenção da vida.
Mas, certamente, em nível local, os incêndios que estão virando rotina exigem nosso grito e ação. Precisamos de órgãos de fiscalização fortes e, ao mesmo tempo, necessitamos de junção de esforços de todos para mudar a rota de destruição da vida na Terra. Cobremos, portanto, da Prefeitura (Estado e União, também), mas cobremos de nós mesmos a mudança de postura.
Fica a sugestão de ampliar, com foco forte antes do período anual de queimadas, campanhas de conscientização. Pode ser pouco. Mas talvez seja o que nos reste no momento presente de urgência climática.

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