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(Editorial) Justiça para todos

A isonomia está expressa na Constituição Federal, a carta cidadã de 1.988 festivamente sancionada pelo então Ulysses Guimarães; por ela todos somos iguais. Mas, quem tem algumas feridas pelo corpo sabe que não é bem assim. Verdadeiramente uns são mais iguais do que outros. Ainda recentemente, um senhor branco, rico e portanto influente, no prazo de poucas horas foi tirado das grades por duas vezes, numa decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal. Sabemos que a decisão do STF não admite discussão, no estado democrático do direito simplesmente tem que ser acatada.

Isso posto, como brasileiro que acredita na Carta Magna, a Lei Maior, dói como se um punhal fosse cravado no peito a informação de que quase 10 mil presos já cumpriram a pena e continuam em presídios insalubres porque não houve um advogado para declarar que a sua pena foi cumprida.

Parece brincadeira, que sistema prisional está em vigor em nosso país? O indivíduo pratica um delito, é condenado, paga a pena e ainda continua preso porque o sistema precisa ser acionado por um advogado? Com todo o respeito, s.m.j., essa exigência é o atestado de uma eventual incompetência, de suposta falta de respeito ao semelhante e o Estado certamente deverá ressarci-lo pelo tempo que teve a sua liberdade cerceada. E esse cara sabe quanto vale respirar livremente, sem amarras…

Por isso, também, tem razão um comentarista da Rádio CBN que, nesta semana, focando essa situação, afiançou que existem duas justiças: uma para o branco e outra para o preto.

O editor do J.A. se confessa envergonhado e questiona: onde estão os deputados federais e senadores, os membros de nosso Congresso Nacional que deveriam tomar uma providência imediata?

Indicar que estão pensando nas eleições de 2010, na sucessão do presidente Lula, não vale. Chore conosco quem tiver sensibilidade e tente mudar o que puder. A começar pelas eleições municipais: vamos escolher vereadores independentes que não vivam beijando a espora do prefeito e cumpram com o dever de fiscalizar o Executivo. Seria um bom começo.

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