(Editorial) Corrupção Eleitoral

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De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral(TRE), o crime de corrupção eleitoral caracteriza-se como “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”. Tanto a compra quanto a venda de votos são consideradas crimes eleitorais, puníveis com prisão por até 4 anos e pagamento de multa. O candidato, além da multa, pode ter o registro ou o diploma cassado.

A questão não é de hoje, estando incrustada na nossa sociedade. O JA chama atenção ao problema, pois recebeu alguns telefonemas de eleitores, perguntando se algum candidato estaria disposto a comprar itens domésticos, em troca de votos da família. Sim, é isso mesmo: a corrupção é nossa vizinha.

É o “jeitinho brasileiro” mostrando uma faceta além da esperteza tropical: chegando à corrupção mesmo. Alguns poderão dizer que essa conduta é compreensível, afinal, somos uma sociedade desigual, estando tantas pessoas com dificuldades econômicas. Verdade. Mas não seria o mesmo raciocínio daquele corrupto que desvia recursos de saúde e educação, por exemplo? Ele, espertamente, sempre terá uma desculpa para si mesmo.

Por mais que saibamos bem das dificuldades reais da população, salvo um caso extremo de fome, não soa justificável uma conduta voltada à corrupção, por menor que seja. No final, estar-se-ia promovendo o mesmo mal que varre nossa autoestima como cidadão; seria, então, um estímulo ao mau político.

O tema reverbera com força neste ano, o que não é novidade. E apenas demonstra como precisamos melhorar enquanto sociedade. Lembramos o óbvio: nossos políticos são representantes de nossa sociedade, a mesma sociedade que aceita pequenas malversações. Mas que não deveria ser tão complacente. Também, não deveria existir a figura do “bandido de estimação”: aceita-se determinada conduta, porque vem do mesmo grupo de afinidade política ou moral. Mas isso serve a qual finalidade? Respondemos: apenas a de perpetuar a corrupção que há tanto fragiliza nossa sociedade.

Esperamos que se dê a conscientização do povo, fazendo com que essa prática desapareça nos anos que estão por vir. Ainda que se leve um bom tempo, além de algumas gerações, pouco importa se irá demorar, mas que mudemos de verdade.

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