Os últimos episódios – só os recentes, a fim de não usar todas as páginas do JA para estampar as mancadas de políticos que, como trombadinhas do processo democrático, não souberam honrar a votação do povo, jogam na latrina o mandato outorgado com a esperança de dias melhores – mostram uma crise de valores morais que intranquiliza agentes políticos sérios e dá náusea em eleitores ainda crentes.
A sociedade da região de Araraquara, como uma fotografia do indesmentível mostruário nacional, não aceita o papel covarde, destrutivo e desagregador de certos politiqueiros. Verdadeiros coveiros da fé popular que se locupletam ao batalhar por suas aspirações podres e criminosas.
A corrupção flagrada nos Correios, a desfaçatez de alguns deputados de Rondônia ao vender apoio ao govenador, prefeitos de Alagoas que fraudaram licitações de merenda escolar e outros que a imprensa investigativa traz a cada dia, no bom uso da santa liberdade, são lastro de uma crise que solapa, como cupim no cerne de uma lasca de pinho, a política representativa. A amoralidade de alguns políticos salpica de excremento o caminho que deveria estar calçado pelo paralelepípedo da moral e cercado de honradez, a areia de ungidos do povo. Esse caminho exala odor fétido e repulsivo que marketing nenhum seria capaz de transformar.
O meio político pode e deve ser transformado por atitudes positivas, com a intenção de levedar essa massa. Só para pontuar, a presença do prefeito Edinho Silva nesta semana ao visitar alunos do Caic fincado no Jardim Roberto Selmi-Dei. Como parte do programa “Prefeitura nos Bairros” – que leva benefícios e dá voz aos constribuintes que enfrentam problemas perturbadores à cidadania inteira e ereta – o chefe do Executivo como um professor que prepara a aula, motiva a classe e com saber e magnetismo apresenta o tema central para uma tempestade de idéias e fechamento conclusivo objetivando amparar a pesquisa, abriu o microfone às crianças para perguntas de gente grande, gente que conhece seu espaço no contexto social na busca por melhor qualidade de vida.
Emocionam e mais que isso, tais estímulos deixam marcas fortes nesses seres em formação. Os escolares, respeitados e navegadores do manancial público que agrega valores, deixam de ser fruto de um meio carente e de eventual revolta para construir uma cidadania, sem adjetivos.
Isso posto, como enfrentamento de uma crise de representatividade política de estágio tão assustador, visando revertê-la para voltar a ser uma ferramenta eficaz do povo, não se pode deixar de receitar (pequenos) atos embutidos de amor e prazer para atrair os bem-intencionados que, somados, farão com que a honestidade volte a ser obrigação, regra do contrato social.
Pequenas ações dos “benditos de meu pai” na construção de um mundo participativo e justo, é a maneira de exterminar os trombadinhas da política e, como reflexo, de outros segmentos.
Aquela deputada, exuberante ao microfone e tão sem-vergonha ao justificar propina de 50 mil para os coveiros da fé brasileira “porque não dá para reformar o mundo”, não pode estar com a razão.