Descaso com Cemitério São Bento

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Luigi Polezze

O cemitério São Bento, datado de meados de 1830, é onde os entes queridos de várias famílias repousam. Há, também, sepulturas que são verdadeiras obras de arte, bem como uma capela central. Infelizmente, esse local vem sendo alvo de assaltantes que depredam os túmulos em busca de qualquer metal ou ornamento que possa ser revendido. E não é de agora.

Isso tem gerado indignação e revolta. A reportagem do JA visitou o cemitério e entrevistou alguns trabalhadores que são contratados pelas famílias dos falecidos para cuidar de alguns túmulos. Eles contaram como o problema já se tornou uma ocorrência diária, com moradores de rua invadindo o cemitério para roubar qualquer pedaço de metal e ornamento que encontram nas sepulturas (incluindo estátuas inteiras). Recentemente, os invasores têm aberto os túmulos, desrespeitando os mortos, para conseguirem desparafusar os ornamentos presos à pedra. Em vários túmulos, é possível ver areia jogada no chão de vasos que foram levados.

Durante a noite, por conta dos muros baixos, moradores de rua pulam para o cemitério para usarem drogas e depredarem túmulos. Embora denúncias tenham sido feitas, nenhuma medida efetiva foi implementada pelas autoridades. A polícia militar explicou que não pode realizar guarda no interior do cemitério por se tratar de um espaço administrado pela Prefeitura Municipal, enquanto a prefeitura não implementa nenhuma contramedida para o problema que está presente desde a pandemia, em meados de 2021.
Essa prática se tornou tão habitual que até mesmo as famílias, responsáveis pelas sepulturas, desistiram de ir atrás das autoridades competentes. Vencidos pelo cansaço, literalmente.

Uma das entrevistadas, Maria do Carmo, descreveu como é a rotina de crime e desrespeito do São Bento: “Eles estão pegando os manuscritos, entendeu? Eles levam tudo o que podem, ali na beira da rua, eles enxergam como os túmulos estão mais abandonados e levam mais coisas ainda. Na pandemia, levaram mais de 150 imagens de Nossa Senhora da Aparecida. Agora, está acontecendo todo dia, só pode ser com um caminhão ou carro encostado, porque é muita coisa que estão levando e ninguém faz nada. Eles vão roubando os túmulos em uma sequência, começam pela lateral mais à esquerda e vão descendo pegando tudo o que podem. É uma tristeza.”

O Cemitério São Bento é uma parte importante da história de Araraquara, e a situação atual é uma afronta aos familiares dos falecidos e à própria cidade. Lamentável e difícil entender o descaso da prefeitura de Araraquara, que, afinal, poderia ter solucionado o problema há tempos por meio de rondas intensas (ou, até mesmo, estabelecimento de base fixa) da guarda municipal de Araraquara.

A reportagem do JA encaminhou pergunta para a Polícia Civil e Prefeitura, no entanto somente a Prefeitura responde.

Segue a nota da prefeitura sobre o cemitério São Bento:

De acordo com a Secretaria Municipal de Cooperação dos Assuntos de Segurança Pública, a Guarda Civil Municipal (GCM), realiza rondas no cemitério diariamente, intensificando no período noturno. O setor da administração do São Bento, que sofria com invasões, passou a ser monitorada através de câmeras. E também está em processo a implantação de câmeras de vídeo monitoramento nas proximidades do cemitério, para inibir ação de criminosos e possibilitar a detecção e a identificação de invasores.

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