Alguns poucos telefonemas à redação do J.A. dando conta de que Marcelo Barbieri passou pelo teste do monopólio. Na primeira entrevista formal ao noticiário do único grupo de radiodifusão, essencialmente de Araraquara, o prefeito eleito afirmou que atenderia o público, às sextas-feiras, a fim de conhecer os problemas dos contribuintes que tentaram os canais administrativos mas encontraram dificuldades. Foi o que bastou para o jornalista, acostumado a mandar nos políticos, a dizer que não aceitava essa iniciativa, tendo espelhado o seu intempestivo descontentamento. Teria dito que não pode concordar com esse tipo de atendimento ao público, em tempo de Internet, a qual favorece o ingresso do contribuinte a qualquer setor da municipalidade. Marcelo, mesmo assim, disse que manterá abertas as portas de seu gabinete, pois, "nada de compara ao contato pessoal".
Agindo dessa maneira, Marcelo demonstra personalidade e que certamente (detentor de uma expressiva votação e cristalina procuração para o exercício do poder) não se subordinará a nenhum jornalista, por mais importante que se ache no contexto da comunicação eletrônica. Essa, aliás, passa a ser binária, na hora do almoço, quando a outra emissora, do mesmo e competente grupo, abre microfones para o jornalismo. Sem concorrência e na maioria das vezes trabalhando em conjunto para cobrir eventos mais importantes. Como a apuração das eleições.
Cabe ao agente político manter canais abertos para falar com seu público e respeitar a conseqüente caixinha de ressonância para reclamações e reivindicações. Isso é democrático e inteligente, mas, obedecer cegamente ao profissional do microfone é conferir-lhe um poder inexistente no contexto geral. Embora em Araraquara permaneça uma situação peculiar quanto às concessões federais de rádio e televisão. Um fato que a história soberana e implacavelmente vai abrir espaço para comentar os desatinos e compadrio de uma sociedade incapaz de construir um antídoto para a anomalia da comunicação que, por mais brilhante que seja, exerce uma influência monocultural em seu universo de ouvintes, num inconteste prejuízo à pluralidade de idéias e conceitos.
Marcelo passou, com notória sabedoria, pelo teste de força do radialista que confunde competências. Fruto de um monopólio, sempre execrável porque é pernicioso à formação da comunidade. O novo prefeito começa bem na proposta de honrar o mandato outorgado por tempo determinado.