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Crescimento e uma crise

Antonio Delfim Netto (*)

Os números revelados pelo IBGE na última semana sobre a atividade econômica trouxeram uma boa surpresa quanto ao crescimento do PIB, superior ao que a maioria das pessoas esperava para 2005. Nós imaginávamos um número entre 3.5% e 3.7% e talvez tenhamos que corrigir essa previsão para algo mais próximo de 4% até o final do ano, com base no aumento dos investimentos da indústria nos últimos doze meses até junho último (8.6%, o dobro do crescimento do PIB no período). Os dados mostram não apenas a continuidade da expansão, mas uma certa aceleração no ritmo da produção industrial. Esse entusiasmo aparentemente não está sofrendo nenhum abalo mais forte diante da formidável crise política que atravessamos. O que se diz a respeito da “blindagem” da economia nada mais é do que a crença que o presidente Lula não vai mudar a política e que continuará a dar sustentação à austeridade fiscal e ao processo de redução do constrangimento externo comandados pelo ministro Palocci. É fundamental constatar que as instituições estão dando conta do recado. E não se pode negar que a melhora no ritmo do crescimento ajuda a manter a economia protegida dos piores efeitos da crise .

O próprio governo que andava murcho mostra um pouco mais de animação, chamando a atenção para o fato que a economia está crescendo há dez trimestres seguidos, o que talvez caracteriza um novo ciclo de desenvolvimento. É verdade que é um crescimento medíocre para os padrões brasileiros, muito aquém do que nós precisamos, mas sempre é melhor do que nenhum crescimento. Apesar de algum exagero nas atuais comemorações, não é fora de propósito a aposta do presidente do BNDES, Guido Mantega de uma expansão de 5% do PIB em 2006. Desde que se mantenha a dura política fiscal e se façam já os devidos ajustes na política monetária para pôr ordem no câmbio, é um objetivo perfeitamente atingível.

O câmbio é realmente capaz de derrubar o atual entusiasmo e frustrar o objetivo do crescimento mais uma vez. A sobrevalorização do Real é fatal para as exportações. A mais recente sondagem empresarial da FGV revela que pela primeira vez em 14 trimestres o humor dos grandes exportadores mudou: a maioria antevê a piora na situação e portanto vai reduzir o ritmo das operações e adiar investimentos. Há tempos que ninguém ignora que o câmbio no Brasil deveria se valorizar como se valorizaram todas as taxas de câmbio do mundo em relação ao dólar. O que não existe é justificativa para a valorização do Real em 22% enquanto a média de valorização dos demais emergentes ficou entre 5% e 7%. A diferença se explica, na verdade, pelo erro da política monetária que sustenta as altas taxas de juro. Ela tem que ser corrigida, pois é dela que depende o câmbio que vai sustentar as exportações e o crescimento .

(*) E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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