Cooperativa Sol Nascente faz a diferença na ressocialização de egressos do sistema prisional

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Programa “Canal Direto com a Prefeitura” abordou a importância do cooperativismo na geração de trabalho e renda para pessoas que buscam se reinserir na sociedade

 

A edição desta quarta-feira (19) do “Canal Direto com a Prefeitura”, programa produzido pela Secretaria Municipal de Comunicação, contou com a participação de Edgar Gomes Martins, presidente da Cooperativa Social de Trabalho em Recuperação de Materiais dos Egressos Prisionais de Araraquara Sol Nascente, que falou sobre a importância do empreendimento que integra a Incubadora Pública de Economia Criativa e Solidária (IPECS), vinculada à Coordenadoria Executiva do Trabalho e de Economia Criativa e Solidária, da Secretaria Municipal do Trabalho e do Desenvolvimento Econômico.

O objetivo da Sol Nascente, fundada e formalizada no ano de 2020, é inserir egressos e egressas prisionais do Estado de São Paulo no mercado econômico, por meio do trabalho fundamentado no interesse geral da sociedade, oportunidade que muitas vezes é negada a essas pessoas, vítimas da discriminação e do preconceito. “Eu costumo falar que a Cooperativa Sol Nascente é uma resposta de Deus para as orações de todas as mães e de todos os parentes das pessoas que estão atrás daquele muro, porque já sabem do preconceito e dificuldades que elas vão sofrer aqui fora. Por isso foi formada essa cooperativa, para empregar todas essas pessoas que estão saindo, que não têm destino, que não sabem para onde vão e muitas não têm nem família mais. Muitos não têm nenhum tipo de estudo, nenhuma qualificação técnica, nenhum curso, e a cooperativa está ali para isso, para dar assistência para essas pessoas e para que elas sejam encaminhadas quando saírem de lá”, enalteceu Edgar.

O presidente da Sol Nascente relata como surgiu a ideia de fundar a cooperativa. “A ideia inicial foi do prefeito Edinho, que se mostrou muito corajoso. Não foi uma ideia fácil de se implantar porque tem muito preconceito, muita discriminação, e se essa ideia desse errado, viriam muitas críticas. Eu acredito que, pela demanda de pessoas que saíam do presídio e iam até a Prefeitura pedir ajuda, pedir emprego, o Edinho teve essa ideia de formar a cooperativa. Foi feita uma reunião no Cear, onde aproximadamente 400 pessoas participaram. Fundamos a cooperativa no dia 19 de maio de 2020 em umas 40 pessoas, mas logo em seguida a pandemia parou tudo. O mundo inteiro estava na luta e nós resistimos, com muita força de vontade, e conseguimos chegar até o ponto em que estamos hoje, com a cooperativa gerando trabalho e renda para todos os 40 cooperados”, acrescentou.

Edgar conta que hoje a cooperativa presta serviço para a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. “Limpamos as áreas verdes, áreas reflorestadas, beiras de córregos, tiramos entulho e recicláveis. É um trabalho de melhoria do meio ambiente e prevenção de incêndio, porque tiramos todos os galhos secos que colaboram para expandir as queimadas. Existe também o combate à dengue na cidade, que vai em casas e terrenos, mas nós fazemos isso na mata, onde tem muito foco, com muitas vasilhas e recipientes com potencial de gerar mais focos de dengue na cidade”, pontuou.

Nova sede

No último sábado (15), com a presença do prefeito Edinho, foi inaugurada a nova sede da Sol Nascente, que fica na Avenida Nossa Senhora Aparecida, 133, no Jardim Pinheiros. O espaço foi criado na gestão municipal anterior como área de convivência utilizada pelos familiares em visita aos reeducandos da Penitenciária, mas estava desativado. A área pertence à Prefeitura que, por meio da IPECS, concedeu permissão de uso à cooperativa para que o grupo construísse a sede própria para realizar suas atividades, incluindo formação, manutenção de horta orgânica, compostagem e guarda de equipamentos, além de receber novos egressos advindos da unidade penitenciária, orientando-os após o cumprimento da pena.

Edgar se mostra satisfeito com o resultado final da obra. “Quando pegamos aquele espaço, ele estava totalmente destruído, sem nenhuma infraestrutura, não tinha mais fiação, sem encanamento, tudo foi roubado e as pessoas entravam para usar drogas, ou seja, já não era mais um espaço de acolhimento que conseguia dar suporte aos familiares. Entramos ali há um ano, fazendo um pouco por mês porque a obra é cara. As pessoas podem achar que foi a Prefeitura que fez a reforma, mas não foi. Digo isso porque muitas pessoas olharam a live ou a matéria e cobraram a Prefeitura para arrumar suas ruas, entre outras coisas, dizendo que foi gasto dinheiro ali. Mas essa obra foi fruto do nosso trabalho, pouco a pouco, durante 12 meses, e conseguimos deixar daquele jeito. Hoje as visitas podem esquentar marmita, têm um banheiro limpo, então é muito gratificante ver o trabalho dar certo e ser valorizado. É um sonho que se torna realidade”, salienta.

Ele contou também que o local ganhou uma horta que vem levando alimento para a mesa de muitas pessoas. “Fizemos uma estufa de 30 metros com a intenção de produzir a verdura da saladinha dos nossos cooperados, para levarem para casa e salvar a semana. Mas a vizinhança ao redor começou a perguntar se vendíamos, e não podemos negar. Está sobrando e tem para vender, para comportar tanto os cooperados quanto a vizinhança. Vendo essa demanda, estamos pensando agora em fazer outra estufa maior para dar conta de todo mundo. E é um produto orgânico, sem agrotóxico, sem veneno, colhido na hora, não tem nada igual. E além de tudo isso, também gera mais trabalho e renda”, completa Edgar.

Uma nova chance

Edgar salientou que a ressocialização deveria ser um assunto mais aprofundado e valorizado nos debates que envolvem o sistema prisional. “Hoje em dia, as pessoas têm a mente mais aberta, mas o coração duro. Sempre se falou em cadeia, em prisão, em pena, mas eu nunca ouvi falar de ressocialização. Esse é um tema que pouco se fala, mas é muito importante porque devemos questionar o que a pessoa vai fazer depois de sair da prisão. É um tema que tem que ser mais falado, mais debatido, porque a pessoa pagou o que deve para a justiça, é uma pessoa livre, merece uma segunda chance, mas ainda existe muito preconceito e dificuldade, principalmente para arrumar emprego”, analisou.

Segundo ele, um projeto como esse impacta não só a economia, como a segurança. “Se tem 50 pessoas cooperadas, são 50 pessoas que deixam de voltar para o crime. Além disso, é um impacto na economia, pois é um dinheiro que será gasto na cidade. E imagine quanto o governo gastaria com a manutenção dessas pessoas se elas voltassem para o cárcere, ou seja, é um dinheiro que deixa de ser gasto pelo governo. Sem contar na educação das nossas crianças, que teriam como espelho um pai traficante, assaltante, e agora não, elas têm um pai trabalhador. Isso é algo maravilhoso”, apontou Edgar, que também agradeceu a parceria da Prefeitura, do vereador Paulo Landim (PT) e da deputada estadual Thainara Faria (PT).

Ao vivo

O “Canal Direto com a Prefeitura” vai ao ar de segunda a quinta-feira, às 12h30, na página da Prefeitura no Facebook. A íntegra dos programas continua disponível para visualização no próprio Facebook e em outras plataformas digitais, incluindo o formato de podcasts.

SECRETARIA MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO
PREFEITURA DE ARARAQUARA

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