Como a pandemia da Covid-19 afetou os adolescentes

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Incerteza. Solidão. Pesar. Nesses últimos tempos, esses poderosos sentimentos envolveram a vida de milhões de adolescentes e famílias e o impacto da pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 ainda poderá se refletir na saúde mental e bem-estar desses indivíduos por muitos anos. Com a aproximação do terceiro ano da pandemia, a interrupção das rotinas, educação, lazer, além da preocupação com a renda familiar e com a saúde, estão deixando muitos jovens com medo, raiva e preocupação com o futuro.

“Com as restrições de movimento, afastamentos sociais e toda forma de barreiras impostas, esses garotos e garotas passaram anos indeléveis de sua vida longe da família, de amigos, das salas de aula, das brincadeiras e encontros afetivos – elementos-chave desse período fundamental para o desenvolvimento humano”, ressalta o hebiatra Benito Lourenço, presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Ele diz que neste momento, ainda há uma relativa escassez de dados nacionais sobre a repercussão da pandemia em relação a aspectos particulares da vida dos adolescentes, mas que não existe dúvida da necessidade de conhecer o que ocorreu e entender esses efeitos para se pensar em soluções.

Dados impactantes

A pesquisa intitulada “Juventudes e a pandemia do coronavírus”, uma iniciativa do Conselho Nacional da Juventude com vários correalizadores, é o resultado da análise de um questionário online respondido por 68.114 jovens de todos os estados do país no primeiro semestre de 2021.1 Nesse estudo, a qualidade do sono foi relatada como regular, ruim ou péssima por 62% dos respondentes; o condicionamento físico foi relatado como regular, ruim ou péssimo por 66% dos participantes; e o estado emocional foi referido como regular, ruim ou péssimo por 72%.

Outra pesquisa internacional recente com adolescentes em 21 países, incluindo o Brasil, e conduzida pelo UNICEF e o Gallup – The Changing Childhood Project, nos mostra que, em média, um em cada cinco adolescentes e jovens de 15 a 24 anos entrevistados (19%) disse que, muitas vezes, se sente deprimido ou tem pouco interesse em fazer coisas. Em média, 36% dos jovens de 15 a 24 anos relatam que se sentem frequentemente preocupados, nervosos ou ansiosos.

“Se a pandemia nos ensinou alguma coisa, é que a saúde mental dos indivíduos é profundamente afetada pelas circunstâncias de suas vidas. Para os adolescentes, suas experiências com seus pais, as conexões que eles formam com amigos e suas chances de jogar, aprender, interagir e crescer”, avalia Lourenço. Na opinião do médico, a saúde mental também é um reflexo das formas como suas vidas são influenciadas pela pobreza, pelo conflito, doença e acesso a oportunidades que existem em seus mundos. “Não podemos mais ignorar as questões de saúde mental dos jovens em nossas sociedades; manter esse tema escondido reforça o estigma e impede adolescentes e cuidadores de procurarem a ajuda de que precisam”, conclui. (Flávia Lo Bello – e-mail: contato@veritecomunicacao.com.br)

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