da Folha Online
Cientistas dinamarqueses estão submetendo microorganismos terrestres a condições simuladas de Marte para tentar descobrir se o planeta vermelho pode ter vida abaixo de sua superfície.
Para a pesquisa, as comunidades de bactérias estão sendo colocadas em uma câmara que simula temperatura, radiação e ambiente químico de Marte a diferentes profundidades de solo.
“[Com esta pesquisa] podemos ter uma idéia se há organismos que, de alguma maneira, podem sobreviver a estas condições”, disse Kai Finster, pesquisador da Universidade de Aarhus ao site da “BBC” (news.bbc.co.uk).
De acordo com Finster –que apresentará seus resultados preliminares durante a conferência Bioastronomia 2004: Mundos Habitáveis, que começa amanhã, na Islândia– o objetivo é saber quais tipos de microorganismos seriam capaz de sobreviver às condições do planeta.
Além disso, já que não há indícios de que exista vida na superfície, os cientistas querem saber a profundidade com que os astronautas de futuras missões a Marte teriam que cavar um buraco para encontrar bactérias.
Simulação
A câmara de 40 cm de altura projetada pela equipe de Finster permite controlar a pressão, a temperatura, a composição gasosa e a radiação em seu interior.
As bactérias utilizadas foram extraídas de amostras de solo florestal e de camadas de terra congeladas trazidas na Noruega.
Separados em tubos de vidro, estes microorganismos podem ser submetidos a temperaturas, por exemplo, de 60ºC negativos e receber radiação ultravioleta.
“Os níveis de radiação ultravioleta em Marte produzem gases muito reativos que podem se espalhar em terrenos áridos”, explicou Finster. “Embora a radiação esteja ativa apenas na superfície, seus produtos podem descer para o solo e afetar comunidades microbianas”, acrescentou.