Ciência em segundo plano?

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Da Redação/Opinião

As máscaras estão liberadas pelo Estado de São Paulo. Ontem, a Prefeitura de Araraquara seguiu o mesmo caminho: dispensando o uso de máscara até mesmo em lugares fechados (exceção fica com transporte e hospitais/locais de saúde). Podemos comemorar ou ficar apreensivos?

Pois é. A pandemia, desde o início, tem sido usada politicamente. Isso não é novidade. Seja pelo Presidente, que quis se colocar contra máscara/vacinas; seja pelo Governador de São Paulo, que quis se colocar em lado oposto, como o representante da vacina no país.

E o que vimos nessa semana? Vídeos e mais fotos do governo de São Paulo, parabenizando a população pela conquista de liberação de uso de máscaras, que isso seria fruto do alto grau de vacinação alcançado no Estado. Pode ser. Mas chama atenção o momento escolhido: final de março.

Por que chama atenção? Porque o prazo para desincompatibilização, para poder candidatar-se a outro cargo, por exemplo, para presidente, está chegando: são seis meses antes das eleições. Então, considerando primeiro turno das eleições em 2 de outubro próximo, o prazo para “sair” do governo será agora, dia 2 de abril. Bem perto, não?

Talvez, comprovamos, mais uma vez, o uso político da pandemia? Difícil dizer, mas fica o registro.

Vale, igualmente, outro registro: o de lamentar posição submissa da Prefeitura de Araraquara. Por que seguir a liberação de uso de máscaras? Afinal, quando foi para impor regras mais restritivas com evidente prejuízo econômico a todos, a Prefeitura não perdeu tempo. E, assinala-se, foi elogiada pelos cientistas e operadores de saúde como exemplo de “lockdown” a ser promovido. Então, por que soltar as amarras neste momento?

Não, não queremos ser pessimistas. Não é isso. Mas acreditamos que devemos ser cuidadosos, cautelosos mesmo. Estamos tratando, afinal, da saúde de todos, da vida de cada um. Ao contrário do que gostaríamos (e muitos querem fazer via “canetada”), a pandemia não acaba num passe de mágica. É uma pena, mas é real. Trabalhemos com a realidade, portanto.

E a realidade impõe-se. Vamos “pescar” algumas notícias recentes que exemplificam como não estamos seguros ainda. Notícia de hoje informa que China registra primeiras mortes de covid-19 após um ano (sem mortes). Hong Kong enfrenta situação caótica, com necrotérios lotados (sim, situação atual, não é de meses atrás). Após a liberação de uso de máscaras, os países europeus estão experimentando aumento de casos; aumentaram, também, os números de óbitos, em relação a duas semanas anteriores, com 23% a mais na Alemanha, 38% a mais na Suíça, 20% na Holanda (dados trazidos pela FOLHA de ontem).

Querem mais elementos? A Fundação Oswaldo Cruz, em seu boletim de 11 de março passado, classifica o relaxamento de uso de máscaras como prematuro. E aponta as razões para sua afirmação: incerteza sobre a caminho do vírus nas próximas semanas; necessidade de proteger os idosos (inclusive, com aplicação de quarta dose ao grupo) e jovens (ainda não completamente vacinados); a melhora recente dos números não reflete o carnaval nem os casos de liberação de máscaras em algumas cidades. Ou seja, não é hora de apressar-se.

O fato é, se, até o momento, Araraquara era tida como exemplo de cuidado/cautela no trato da saúde, por que a pressa e embarcar no “liberou geral”? Alguém saberia dizer?

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