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	<title>Cotidiano Archives - Jornal de Araraquara</title>
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	<title>Cotidiano Archives - Jornal de Araraquara</title>
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		<title>Mais do que uma companhia: por que as amizades são fundamentais para a nossa saúde mental?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 18:05:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No Dia Nacional da Amizade (20/07), especialista destaca como cultivar vínculos genuínos fortalece a saúde mental e o sentimento de pertencimento. Um estudo da AARP Research, realizado recentemente com quase 1.500 adultos, reforça o papel das amizades na qualidade de vida. Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados consideram os amigos essenciais para uma vida feliz [&#8230;]</p>
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<p><em>No Dia Nacional da Amizade (20/07), especialista destaca como cultivar vínculos genuínos fortalece a saúde mental e o sentimento de pertencimento.</em></p>



<p>Um estudo da AARP Research, realizado recentemente com quase 1.500 adultos, reforça o papel das amizades na qualidade de vida. Segundo a pesquisa, 95% dos entrevistados consideram os amigos essenciais para uma vida feliz e saudável. O levantamento também mostra que, embora a maioria das pessoas continue aberta a conhecer novos amigos, criar esses laços tende a se tornar mais desafiador com o passar dos anos.</p>



<p>Para a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário de Itaperuna,&nbsp; a amizade atende a uma das necessidades humanas mais fundamentais que é se sentir-se parte de um grupo. Segundo a especialista, as pessoas são, por natureza, seres relacionais e dependem do contato com o outro desde o nascimento não apenas para sobreviver fisicamente, mas também para desenvolver a identidade, aprender a regular as emoções e construir a autoestima.&nbsp;</p>



<p>As primeiras relações, especialmente com os cuidadores, funcionam como um espelho e influenciam a forma como cada indivíduo passa a enxergar a si mesmo e ao mundo. &#8220;É por meio dessas experiências que começamos a responder perguntas que nos acompanham por toda a vida, como: &#8216;Sou importante?&#8217;, &#8216;Sou digno de amor?&#8217; e &#8216;Posso confiar nas pessoas?&#8217;. Quando essas necessidades emocionais são atendidas de forma consistente, desenvolvemos mais segurança para estabelecer conexões saudáveis ao longo da vida. Quando isso não acontece, podem surgir crenças que dificultam nossos relacionamentos&#8221;, explica.</p>



<p>A docente ressalta que a amizade vai muito além da companhia para sair, viajar ou conversar ocasionalmente. &#8220;As amizades verdadeiras são espaços de segurança emocional. São relações em que podemos celebrar conquistas sem receio de despertar inveja, dividir dificuldades sem medo de julgamentos e demonstrar fragilidade sem sentir vergonha. Um bom amigo não elimina nossos problemas, mas torna o peso deles mais suportável.&#8221;</p>



<p>Dra. Mariana destaca ainda que estar sem amigos não significa, necessariamente, estar sozinho. Muitas pessoas convivem diariamente com colegas de trabalho, familiares ou centenas de contatos nas redes sociais e, mesmo assim, experimentam uma profunda sensação de vazio. &#8220;Uma das maiores ilusões da vida moderna é acreditar que quantidade representa qualidade. É possível estar cercado de pessoas e, ainda assim, sentir-se profundamente sozinho quando faltam relações construídas com confiança, respeito e reciprocidade. A sensação de fazer parte nasce da qualidade dessas conexões. Pertencemos aos lugares e às pessoas onde somos aceitos, respeitados e acolhidos exatamente como somos.&#8221;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Solidão x solitude</strong></h2>



<p>Embora os termos sejam frequentemente confundidos, existe uma diferença importante entre estar sozinho e sentir-se sozinho. Enquanto a solidão costuma estar associada ao sofrimento provocado pela ausência de conexões afetivas significativas e pela sensação de isolamento, a solitude representa a capacidade de aproveitar a própria companhia de forma saudável e voluntária.</p>



<p>&#8220;Estar sozinho por escolha pode ser extremamente positivo para o autoconhecimento e o equilíbrio emocional. A solitude é um momento de encontro consigo mesmo, que favorece a criatividade, a autorreflexão e a regulação das emoções. Já a solidão surge quando existe o desejo de se conectar, mas a pessoa sente que não consegue estabelecer relações que ofereçam apoio, compreensão e segurança emocional. Quem aprende a conviver bem consigo tende a desenvolver relacionamentos mais saudáveis, pois deixa de atribuir ao outro a responsabilidade exclusiva por preencher seus vazios emocionais&#8221;, explica a psicóloga.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Amizades virtuais na era da hiperconectividade</strong></h2>



<p>Embora a tecnologia facilite encontros e amplie as possibilidades de interação, ela também evidencia que o número de contatos não é sinônimo de relações significativas. Dados do Digital Wellness Lab, do Boston Children&#8217;s Hospital, divulgados no relatório <em>Pulse Survey: Belonging</em> (2025), mostram que 50% dos adolescentes afirmam ter amigos próximos que conheceram exclusivamente pela internet e nunca encontraram pessoalmente. Além disso, 71% dizem ter desenvolvido amizades significativas em ambientes virtuais, enquanto 67% consideram esses amigos tão importantes quanto os presenciais.</p>



<p>Segundo a especialista, as amizades iniciadas no ambiente digital podem ser tão relevantes quanto as presenciais quando são construídas com confiança, respeito, apoio mútuo e disponibilidade emocional. Para ela, a internet ampliou as possibilidades de encontro e aproxima pessoas com interesses em comum, especialmente aquelas que enfrentam dificuldades para socializar presencialmente. &#8220;As redes sociais podem, sim, favorecer a construção de amizades genuínas. Muitas pessoas encontram apoio, identificação e até relacionamentos importantes por meio da internet. No entanto, a tecnologia, por si só, não substitui elementos essenciais de um vínculo saudável, como presença, reciprocidade, confiança e disponibilidade emocional. Mais importante do que o lugar onde uma amizade começa é a qualidade da conexão construída. Nenhum algoritmo é capaz de substituir o conforto de alguém que verdadeiramente nos escuta &#8220;, enfatiza.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Por que algumas pessoas têm dificuldade para fazer amigos?</strong></h2>



<p>Diversos fatores emocionais e psicológicos podem dificultar a construção de amizades, como baixa autoestima, medo da rejeição, ansiedade social, traumas, experiências de abandono, excesso de autocrítica e dificuldade para confiar nas pessoas. Mudanças na rotina, como trabalho remoto, jornadas extensas, mudança de cidade, maternidade, envelhecimento e o uso excessivo das redes sociais, também reduzem as oportunidades de convivência e de criação de novos laços.</p>



<p>Segundo Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário de Itaperuna, muitas pessoas acreditam que simplesmente não nasceram para fazer amigos, quando, na realidade, carregam experiências que afetam a forma como se relacionam. &#8220;Essa é uma frase que escuto com frequência no consultório: &#8216;Eu simplesmente não nasci para fazer amigos&#8217;. Na maioria das vezes, porém, ela não descreve uma realidade. Ela revela uma história marcada por rejeições, críticas, bullying ou relações que ensinaram a pessoa a acreditar que não era suficientemente boa. Quando essas barreiras emocionais são compreendidas e trabalhadas, muitos pacientes descobrem que nunca lhes faltou capacidade para construir amizades. O que lhes faltava era segurança para acreditar que eram dignos de serem aceitos&#8221;, comenta.</p>



<p>A psicóloga destaca que essas dificuldades costumam alimentar um ciclo de isolamento. &#8220;Quanto mais alguém evita interações por medo da rejeição ou por acreditar que não corresponderá às expectativas dos outros, menores se tornam as oportunidades de criar novas amizades. Com o tempo, esse isolamento reforça sentimentos de inadequação e intensifica o sofrimento emocional.&#8221;</p>



<p>A falta de uma rede de apoio também pode tornar os desafios cotidianos mais difíceis. Segundo a especialista, relações interpessoais saudáveis ajudam a reduzir os impactos do estresse, fortalecem a resiliência e protegem a saúde mental. &#8220;Os amigos funcionam como uma rede de suporte emocional. Eles não resolvem os nossos problemas, mas ajudam a diminuir o peso que eles exercem sobre quem atravessa uma situação difícil. Sentir-se ouvido, compreendido e acolhido transforma a maneira como enfrentamos as adversidades&#8221;, afirma.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A terapia pode ajudar?</strong></h2>



<p>Para quem encontra dificuldades para criar ou manter amizades, a psicoterapia pode ser uma importante aliada. O processo terapêutico oferece um espaço seguro para compreender a origem dos medos, identificar crenças que interferem na forma de se relacionar e desenvolver maneiras mais saudáveis de interpretar as relações. Além disso, contribui para fortalecer habilidades sociais, ampliar a consciência emocional e aumentar a segurança na construção de novos vínculos.</p>



<p>&#8220;Na Terapia Cognitivo-Comportamental, por exemplo, identificamos pensamentos automáticos que alimentam sentimentos de rejeição, inadequação e insegurança. A partir desse trabalho, a pessoa aprende a interpretar as relações de maneira mais saudável e desenvolve recursos para lidar com o medo da rejeição. Muitas vezes, ela acredita que simplesmente &#8216;não nasceu&#8217; para fazer amigos, quando, na verdade, enfrenta barreiras emocionais que podem ser compreendidas e superadas. O objetivo da terapia não é transformar alguém em uma pessoa extremamente sociável, mas ajudá-la a construir vínculos verdadeiros, respeitando sua personalidade, seu ritmo e seus limites&#8221;, explica Dra. Mariana.</p>



<p>A especialista ressalta que desenvolver boas amizades também exige disponibilidade e investimento contínuo. &#8220;Assim como qualquer relacionamento importante, a amizade precisa de cuidado, presença e reciprocidade. Pequenos gestos, conversas sinceras e demonstrações genuínas de interesse fortalecem a confiança e contribuem para uma vida emocional mais saudável&#8221;, conclui.</p>



<p><strong>Sobre a Afya&nbsp;</strong></p>



<p>A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e 3.643 vagas de Medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal <em>Valor Econômico</em>, incluindo &#8220;Valor Inovação&#8221; (2023) como a mais inovadora do Brasil e &#8220;Valor 1000&#8221; (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio &#8220;Executivo de Valor&#8221; (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa &#8220;Liderança com ImPacto&#8221;, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 &#8211; Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: <a href="https://click.knewin360.com/Click/click/eyJhbGciOiJIUzI1NiIsInR5cCI6IkpXVCJ9.eyJjYW1wYWlnbklkIjoiMjdlYWU1Y2MtNjI4Yi00M2MyLWI2MzItMDhkZWUzMjI3NzM5IiwicGVyc29uSWQiOiI3ZDk1N2Q2ZS00YWY1LTQ1MDctOGQ3Ni03ZGMyOGRhZmZjNjMiLCJlbWFpbCI6InJlZGFjYW9Aam9ybmFsZGVhcmFyYXF1YXJhLmNvbS5iciIsInVybCI6Imh0dHA6Ly93d3cuYWZ5YS5jb20uYnIvIiwiaXNTZWdtZW50YXRpb24iOiJUcnVlIiwibmJmIjoxNzg0NTQyMTMzLCJleHAiOjE3ODcxMzQxMzMsImlhdCI6MTc4NDU0MjEzM30.MRn3D7I5eifIa-3F46NaxqWjE3JAGnzhNfMjaCA07mE" rel="noreferrer noopener" target="_blank">www.afya.com.br</a> e <a href="https://click.knewin360.com/Click/click/eyJhbGciOiJIUzI1NiIsInR5cCI6IkpXVCJ9.eyJjYW1wYWlnbklkIjoiMjdlYWU1Y2MtNjI4Yi00M2MyLWI2MzItMDhkZWUzMjI3NzM5IiwicGVyc29uSWQiOiI3ZDk1N2Q2ZS00YWY1LTQ1MDctOGQ3Ni03ZGMyOGRhZmZjNjMiLCJlbWFpbCI6InJlZGFjYW9Aam9ybmFsZGVhcmFyYXF1YXJhLmNvbS5iciIsInVybCI6Imh0dHA6Ly9pci5hZnlhLmNvbS5ici8iLCJpc1NlZ21lbnRhdGlvbiI6IlRydWUiLCJuYmYiOjE3ODQ1NDIxMzMsImV4cCI6MTc4NzEzNDEzMywiaWF0IjoxNzg0NTQyMTMzfQ.z30Yzquf4d1xEt2CLqSfPzEeRwg3Q5Huvt9Pvh58zLw" rel="noreferrer noopener" target="_blank">ir.afya.com.br</a>.<strong>&nbsp;</strong></p>
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		<item>
		<title>(EDITORIAL) Um caso que chocou o país</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/editorial-um-caso-que-chocou-o-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 18:40:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A morte da bebê Helena, de apenas 10 meses, em Fortaleza, provocou indignação e comoção em todo o Brasil. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a criança apresentava sinais de violência sexual, e o caso passou a ser investigado como estupro seguido de morte. Os suspeitos, entre eles o companheiro da mãe e um primo do [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A morte da bebê Helena, de apenas 10 meses, em Fortaleza, provocou indignação e comoção em todo o Brasil. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a criança apresentava sinais de violência sexual, e o caso passou a ser investigado como estupro seguido de morte. Os suspeitos, entre eles o companheiro da mãe e um primo do mesmo, foram identificados no curso das investigações, cabendo ao Poder Judiciário apurar as responsabilidades individuais conforme o devido processo legal.</p>



<p>Independentemente do resultado do processo, a gravidade do caso suscita uma profunda reflexão sobre a proteção da infância e sobre a capacidade do Estado e da sociedade de prevenir, investigar e punir crimes dessa natureza.</p>



<p>É necessário discutir se a legislação brasileira oferece mecanismos suficientemente rigorosos para enfrentar crimes sexuais cometidos contra crianças, especialmente contra vítimas em condição de absoluta vulnerabilidade. A sociedade espera que as investigações sejam conduzidas com eficiência, que os responsáveis sejam submetidos a julgamentos justos e que, em caso de condenação, sejam aplicadas sanções compatíveis com a gravidade dos delitos praticados.</p>



<p>O episódio também reforça a importância da vigilância permanente por parte de pais, responsáveis e familiares. A proteção das crianças deve ser compreendida como uma responsabilidade conjunta entre a família, a comunidade e o poder público. A atenção aos sinais de vulnerabilidade e a adoção de medidas preventivas são fundamentais para reduzir riscos e combater situações de violência.</p>



<p>Outro ponto relevante é o debate sobre eventuais alterações na legislação penal. Há propostas em discussão no Congresso Nacional que tratam do aumento de penas para determinados crimes contra crianças. Como ocorre em qualquer processo legislativo, cabe aos parlamentares analisar as medidas propostas, apresentar seus argumentos e tomar decisões fundamentadas, enquanto a sociedade deve acompanhar e participar do debate público.</p>



<p>Em um ano eleitoral, esse acompanhamento torna-se ainda mais relevante. O exercício consciente do voto exige conhecimento sobre as propostas, o histórico e as posições dos candidatos em relação a temas que afetam diretamente a segurança, a proteção da infância e a garantia dos direitos fundamentais.</p>



<p>A tragédia envolvendo Helena não pode se limitar a uma comoção momentânea. O caso deve servir como um alerta para que famílias, autoridades e toda a sociedade renovem o compromisso com a proteção das crianças e com o enfrentamento rigoroso da violência sexual infantil.</p>



<p>Nenhuma criança deveria ter sua vida interrompida de maneira tão cruel. Que a indignação coletiva seja convertida em responsabilidade, prevenção e ações efetivas para evitar que crimes dessa natureza voltem a ocorrer.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="720" height="851" src="https://jornaldeararaquara.com.br/wp-content/uploads/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-16-at-15.52.13.jpeg" alt="" class="wp-image-107229"/></figure>
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		<item>
		<title>Conheça seus Direitos &#8211; O que é uma Ação Judicial de Cobrança</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/conheca-seus-direitos-o-que-e-uma-acao-judicial-de-cobranca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 17:36:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luigi Conceição Volpatti Polezze &#8211; Advogado &#8211; OAB nº 516.592 Dando continuidade ao texto de semana passada, uma ação judicial de cobrança surge quando um devedor não cumpre com suas obrigações financeiras, como o pagamento de empréstimos, contratos ou acordos comerciais.Importante destacar como está ação, apesar de sua utilidade, é a menos favorável quando comparada [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Luigi Conceição Volpatti Polezze &#8211; Advogado &#8211; OAB nº 516.592</em></p>



<p>Dando continuidade ao texto de semana passada, uma ação judicial de cobrança surge quando um devedor não cumpre com suas obrigações financeiras, como o pagamento de empréstimos, contratos ou acordos comerciais.<br>Importante destacar como está ação, apesar de sua utilidade, é a menos favorável quando comparada a ação de execução e ação monitória, uma vez que elas dependem de título executivo e de prova da dívida (título executivo sem eficácia), respectivamente. Essas duas ações são mais céleres e simples do que a de cobrança.</p>



<p>Quando falamos no processo para ação de cobrança, ele começa geralmente com uma notificação ao devedor, alertando-o sobre a inadimplência e dando-lhe a chance de regularizar a situação antes que medidas judiciais sejam tomadas. Caso o pagamento não seja realizado, o credor pode ingressar com uma ação de cobrança, na qual busca reaver o valor, incluindo o principal, juros e eventuais custos legais.</p>



<p>O devedor, ao ser notificado da ação, tem o direito de se defender, e o processo segue até que se obtenha uma decisão judicial que pode determinar a obrigação do devedor de quitar a dívida. Se o devedor não cumprir a decisão, o credor pode solicitar medidas adicionais, como penhoras de bens ou bloqueio de contas bancárias, assim como nas demais ações que buscam quitar uma dívida.</p>



<p>Em resumo, a ação judicial de cobrança é um recurso importante, mas devido à sua natureza mais longa e complexa, geralmente é usada quando outras alternativas não são possíveis ou eficazes.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="229" height="300" src="https://jornaldeararaquara.com.br/wp-content/uploads/2026/07/luigif1-1.jpg" alt="" class="wp-image-107176"/></figure>
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			</item>
		<item>
		<title>Maioridade penal: uma solução aguardada há três décadas</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/maioridade-penal-uma-solucao-aguardada-ha-tres-decadas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 13:48:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*) Uma das mais antigas e controversas pautas do Congresso Nacional pode finalmente avançar. A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos — tema que já motivou mais de 40 propostas de emenda à Constituição ao longo dos últimos 30 anos — voltou ao centro do debate após a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)</em></p>



<p>Uma das mais antigas e controversas pautas do Congresso Nacional pode finalmente avançar. A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos — tema que já motivou mais de 40 propostas de emenda à Constituição ao longo dos últimos 30 anos — voltou ao centro do debate após a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados admitir a tramitação de uma nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição).</p>



<p>O próximo passo será a instalação de uma comissão especial encarregada de analisar o mérito da proposta e elaborar parecer para votação. A expectativa é de que, após o recesso parlamentar, durante o mês de agosto, a matéria avance nas etapas legislativas e, caso obtenha aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, seja promulgada e passe a produzir efeitos.</p>



<p>O tema é amplamente conhecido pelos parlamentares e pela sociedade brasileira, especialmente diante dos delitos praticados por adolescentes de 16 e 17 anos. Entretanto, ao longo de três décadas, não foi possível alcançar consenso político. Enquanto setores mais conservadores defendem a redução da idade para responsabilização penal, partidos de esquerda e o governo federal têm manifestado posição contrária, sustentando que adolescentes em conflito com a lei devem ser tratados prioritariamente sob a ótica da proteção social e da ressocialização.</p>



<p>Enquanto o Congresso permanece sem uma definição, a sociedade acompanha o crescente aliciamento de adolescentes por organizações criminosas, que se aproveitam do tratamento jurídico diferenciado previsto na legislação brasileira. Atualmente, um jovem menor de 18 anos, ainda que pratique ato equivalente a um crime cuja pena para um adulto possa alcançar 20 ou 30 anos de reclusão, está sujeito, em regra, às medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, cuja internação possui prazo máximo de três anos. Essa diferença, segundo os defensores da mudança, acaba sendo explorada por facções criminosas para recrutar menores de idade.</p>



<p>Também há quem sustente que alguns adolescentes acabam praticando delitos conscientes da limitação das consequências previstas pelo atual sistema socioeducativo.</p>



<p>O fato de o tema permanecer em discussão há mais de três décadas demonstra a dificuldade do Parlamento em concluir uma matéria de enorme relevância social. Independentemente da posição favorável ou contrária à redução da maioridade penal, espera-se que o Congresso delibere definitivamente sobre a questão, evitando que sucessivas propostas permaneçam indefinidamente sem conclusão.</p>



<p>Diante da gravidade do problema e do crescimento da participação de adolescentes na criminalidade, cabe às autoridades competentes analisar a proposta com responsabilidade, equilíbrio e compromisso com o interesse público. Mais do que uma decisão política, trata-se de definir um modelo de responsabilização que contribua efetivamente para a redução da violência. Os defensores da mudança entendem que a possibilidade de aplicação de penas mais severas poderá exercer efeito inibidor sobre jovens que hoje ingressam na criminalidade, especialmente aqueles recrutados por organizações criminosas.</p>



<p>A nova tentativa de alteração constitucional surge em um contexto distinto daquele observado em anos anteriores. Entre os fatores que impulsionam novamente o debate está o fortalecimento do combate ao crime organizado e as recentes declarações do governo dos Estados Unidos sobre organizações criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), classificadas pelo presidente Donald Trump como organizações terroristas.</p>



<p>É consenso que o crime organizado expandiu significativamente sua atuação nas últimas décadas. Entre os desafios enfrentados pelo poder público está justamente o recrutamento de adolescentes por facções criminosas, tema que figura entre os principais argumentos utilizados pelos defensores da alteração da Constituição.</p>



<p>A definição da idade para responsabilização penal, entretanto, varia consideravelmente ao redor do mundo. Embora os 18 anos sejam o parâmetro mais adotado internacionalmente e estejam alinhados às recomendações do Comitê dos Direitos da Criança da ONU, diversos países estabelecem critérios distintos, com idades que variam entre 10 e 21 anos.</p>



<p>Na América Latina, por exemplo, a Argentina estabelece a responsabilidade penal a partir dos 16 anos para o regime geral, enquanto outros países adotam modelos diferenciados para adolescentes. Na Europa, muitos sistemas permitem algum grau de responsabilização criminal entre 12 e 16 anos, variando conforme a gravidade da infração e a legislação de cada país. Na Ásia, também há grande diversidade: a China admite responsabilização em determinadas hipóteses a partir dos 12 anos, enquanto o Japão mantém regras específicas para adolescentes e jovens adultos.</p>



<p>A discussão sobre a maioridade penal envolve aspectos jurídicos, sociais, criminais e políticos, razão pela qual permanece entre os temas mais sensíveis do debate nacional. Depois de três décadas de tramitação e sucessivas propostas, a expectativa é que o Congresso Nacional finalmente ofereça uma resposta definitiva à sociedade, seja para aprovar a redução da idade penal, seja para manter o modelo atualmente previsto na Constituição.</p>



<p><em>(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)</em></p>
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		<title>Um veneno chamado plástico</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/um-veneno-chamado-plastico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 13:45:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>José Renato Nalini (*) O Brasil despeja 1,3 milhões de toneladas de resíduos plásticos nos mares, todos os anos. Conforme diz João Lara Mesquita, o idealista autor do “Mar Sem Fim”, o litoral tupiniquim parece um favelão. Todas as restingas e mangues destruídas pela especulação imobiliária. O Brasil é o oitavo poluidor de plásticos do [&#8230;]</p>
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<p><em>José Renato Nalini (*)</em></p>



<p>O Brasil despeja 1,3 milhões de toneladas de resíduos plásticos nos mares, todos os anos. Conforme diz João Lara Mesquita, o idealista autor do “Mar Sem Fim”, o litoral tupiniquim parece um favelão. Todas as restingas e mangues destruídas pela especulação imobiliária.</p>



<p>O Brasil é o oitavo poluidor de plásticos do mundo e o primeiro da América Latina. 8% de todo o plástico que chega aos oceanos têm origem no Brasil. 85% dos animais marinhos que ingeriram plástico estão ameaçados de extinção.</p>



<p>Os dados são fornecidos pela organização Oceana, exclusivamente dedicada à conservação dos mares. Tem lutado para a adoção e cumprimento de políticas públicas que impeçam a sobrepesca, a destruição de habitats, a poluição por petróleo e plástico, a perda de espécies ameaçadas, como tartarugas, baleias e tubarões.</p>



<p>Se o oceano se mantiver saudável, ele pode fornecer refeição nutritiva de pescados a um bilhão de pessoas, todos os dias e para sempre. A Oceana publicou “Fragmentos da Destruição”, os impactos do plástico na biodiversidade marinha brasileira. Por essa edição fica-se sabendo que 200 espécies marinhas já foram registradas com ingestão de plástico no Brasil. 9 das 10 espécies de peixes comerciais mais capturadas para consumo humano já ingeriram plástico. Fragmentos de sacolas e embalagens flexíveis são os itens mais ingeridos por tartarugas. 77% dos estômagos analisados, de aves, tartarugas e mamíferos tinham plástico.</p>



<p>Todos somos responsáveis. Pense nisso quando escolher o plástico em lugar da sacola de papel ou aquela de lona, que se tinha em casa antigamente. E seja consciente ao não jogar plástico na praia, mas também na rua, pois ele chega aos bueiros, que vão para os córregos, rios e atingem os mares. A questão do plástico é o segundo problema em ordem de gravidade que a humanidade enfrenta. O primeiro é o próprio aquecimento global, gerado pela excessiva emissão dos gases causadores do efeito-estufa. Ou seja: nós, sempre nós e só nós é que podemos salvar a Terra ou acabar com ela.</p>



<p><em>(*) É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.</em></p>
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		<title>A eliminação do Brasil na Copa e o aprendizado para o Enem</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/a-eliminacao-do-brasil-na-copa-e-o-aprendizado-para-o-enem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 19:10:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sérgio Gouveia (*) Se o resultado de um jogo de futebol fosse determinado por uma metodologia como a do Enem, o Brasil perderia para a Noruega por um placar ainda mais desagradável. Motivo? Incoerência. A TRI, metodologia adotada para contar pontos na prova, premia mais quem sabe o que está fazendo, quem domina o jogo [&#8230;]</p>
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<p><em>Sérgio Gouveia (*)</em></p>



<p>Se o resultado de um jogo de futebol fosse determinado por uma metodologia como a do Enem, o Brasil perderia para a Noruega por um placar ainda mais desagradável. Motivo? Incoerência. A TRI, metodologia adotada para contar pontos na prova, premia mais quem sabe o que está fazendo, quem domina o jogo porque treinou para ele. O futebol contemporâneo está assim também.</p>



<p>Um aluno que deseja uma vaga em uma universidade pelo Enem e estuda para verificar se um texto literário é &#8220;cultista&#8221; ou &#8220;conceptista&#8221; e para classificar um único verbo de uma frase como &#8220;Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal Reduzida de Infinitivo&#8221; está treinando errado. Pode até acertar questões que porventura cobrarem isso; mas esses conteúdos, se forem cobrados assim, farão parte de questões difíceis (bem difíceis) de duas habilidades: a 16 e a 18.</p>



<p>Mas é muito improvável que esses conteúdos caiam; mais provável é simplesmente reconhecer um jogo de palavras e notar o significado que a adição de um verbo traz para uma frase; coisas relativamente simples para quem está estudando certo. E tem mais: muitos que estão estudando para acertar qual variante do Barroco está em um texto e classificar uma oração com nome gigantesco não conseguem acertar o que de fato se pede no Enem. Se caírem essas quatro questões, as duas improváveis e difíceis junto com as duas fáceis, provavelmente aqueles que estão presos aos materiais tradicionais deixarão de acertar ao menos uma das fáceis e conseguirão gabaritar as improváveis. Resultado? Incoerência pedagógica. Nota baixa pela TRI. Perdem a partida.</p>



<p>Algo parecido aconteceu com a seleção brasileira: errou questões fáceis e acertou algumas difíceis. Errou um pênalti aos 13 minutos, perdeu um gol cara a cara com o goleiro norueguês, não trocou passes na sua intermediária. A Noruega acertou as fáceis (trocou bola muito bem), as medianas (soube marcar nossos jogadores) e as difíceis (conseguiu defender pênalti e outros chutes muito bem dados). Se o Brasil não errasse as fáceis, o resultado seria outro.</p>



<p>Agora, o que nos resta no futebol é torcer na próxima Copa. Já no Enem… temos tempo. É hora de estudar o que cai de verdade &#8211; as habilidades cobradas na prova, e não o conteúdo tradicional escolar, que não cai nesse exame desde sua criação. É hora, também, de usar a TRI em nosso favor. Ando afirmando: Enem é futebol de campo; vestibular tradicional, de salão. Não somos campeões no estádio, mas podemos ser na nossa vida estudantil. Bora treinar certo e, no final, comemorar o título: aprovado.</p>



<p><em>(*) É professor de Linguagens há mais de 20 anos; graduado na USP, mestre na Unesp e dedica-se ao ensino das competências e habilidades avaliadas pelo Enem tanto na prova de Redação quanto na de Linguagens</em></p>



<p></p>
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		<title>Um apelo ao STF</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/um-apelo-ao-stf/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 19:06:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ives Gandra da Silva Martins (*) Sou advogado há 68 anos e professor universitário há 62. Considerando tantas décadas de atuação, é evidente que convivi e convivo com ministros da Suprema Corte desde a minha primeira sustentação oral, em 1962, quando, inclusive, fui recebido na residência do então ministro Hahnemann Guimarães. De lá para cá, [&#8230;]</p>
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<p><em>Ives Gandra da Silva Martins (*)</em></p>



<p>Sou advogado há 68 anos e professor universitário há 62. Considerando tantas décadas de atuação, é evidente que convivi e convivo com ministros da Suprema Corte desde a minha primeira sustentação oral, em 1962, quando, inclusive, fui recebido na residência do então ministro Hahnemann Guimarães.</p>



<p>De lá para cá, sempre mantive contato com todos eles — uma proximidade prazerosa que não ocorre atualmente porque, infelizmente, já não consigo mais viajar. Escrevi obras em coautoria com vários ministros e partilho cadeiras em diversas academias literárias e jurídicas com vários deles. Somente com o ministro Moreira Alves, foram 32 livros que publicamos juntos.</p>



<p>Gostaria, entretanto, de tratar de algo que os recentes editoriais e matérias jornalísticas têm criticado duramente, ou seja, o debate público entre os ministros da Suprema Corte. Trata-se tanto de divergências sobre o Código de Ética, que uns Ministros querem e outros não, quanto de ataques públicos entre colegas, prática expressamente proibida pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).</p>



<p>No momento em que tais divergências são levadas a público, fica demonstrado que esses embates estão afetando a política, a estabilidade institucional e a segurança jurídica. Um exemplo disso é o que a mídia e os jornais comentaram sobre a recente entrevista do ministro Gilmar Mendes no programa Roda Viva da TV Cultura, que acabou gerando inúmeras especulações, a ponto de o povo brasileiro estar tomando partido nesta ou naquela linha de pensamento.</p>



<p>Sou inteiramente favorável que a Suprema Corte recupere o prestígio e a respeitabilidade que possuía no passado e, por isso, faço o apelo, como um velho advogado, para que os senhores ministros do STF voltem a ter uma conduta semelhante àquela que conferiu à Instituição a grande respeitabilidade que possuía. As divergências devem ser internas e não é adequado que sejam levadas a público.</p>



<p>Ora, cultura e valores todos os ministros têm. Posso divergir — e tenho divergido — de várias decisões, mas os debates que estão ocorrendo deveriam se restringir estritamente ao plano jurídico, para não serem explorados pelos jornais como se representassem posições políticas de A, B ou C.</p>



<p>A proposta do ministro Edson Fachin de que se institua um código de ética é, a meu ver, de grande utilidade para todos os integrantes da Suprema Corte. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia também defendem a necessidade dessa normatização. Creio que um código de ética seria de grande utilidade para todos os ministros, atuais e futuros, pois auxiliaria efetivamente os magistrados a se conduzirem perante a opinião pública.</p>



<p>Divergências conceituais e jurídicas devem continuar sendo apresentadas publicamente nas sessões de julgamento, mas os conflitos de comportamento e as discordâncias sobre a forma de agir deveriam, evidentemente, ser tratados de maneira reservada. Mesmo que haja críticas mútuas a fazer, que estas ocorram nas sessões internas e administrativas, permitindo que o perfil do Supremo Tribunal Federal volte a emergir como o da instituição que, no passado, era a mais respeitada do Brasil.</p>



<p>A democracia não existe em função de palavras. Dizer &#8220;eu sou democrático&#8221;, &#8220;eu defendo a democracia&#8221; ou &#8220;sou contra a crítica àqueles que não querem a democracia&#8221; resume-se apenas a palavras. A democracia faz-se com ações, com exemplos. Dizia São Josemaria Escrivá que &#8220;frei exemplo é o melhor pregador&#8221;.</p>



<p>A melhor defesa da democracia é a estabilidade das instituições e a respeitabilidade que elas possuem perante o povo.</p>



<p>Não estou, evidentemente, pretendendo dar conselhos ou dizer aos ministros o que fazer, mas peço que reflitam, para que o Supremo volte a ser o que era no passado. Afinal, hoje, o povo brasileiro em geral e toda a imprensa apresentam críticas e posições favoráveis ou contrárias, tratando o Supremo Tribunal Federal como se fosse um poder político, e não o guardião da Constituição Federal, que garante a segurança jurídica por ser um poder imparcial e acima de qualquer suspeita.</p>



<p>É exatamente por sempre ter defendido o Supremo Tribunal Federal, desde os meus bancos acadêmicos, que faço esse apelo. Os professores que tive e que pertenceram à Suprema Corte sempre me ensinaram a lutar por ela, pois a garantia dos direitos no país depende de seu tribunal máximo. Se a Suprema Corte perde a respeitabilidade perante o povo, automaticamente a democracia corre risco.</p>



<p>Evidentemente, respeito os meus amigos da Suprema Corte tanto que em meus artigos e nas redes sociais, nunca falo mal de nenhum dos ministros. Posso criticar suas posições, mas nunca critico as pessoas ou a cultura de cada um deles. A Excelsa Corte, contudo, precisa voltar a ser o que era no passado. Só assim teremos, realmente, a defesa do Estado Democrático de Direito e a salvaguarda da democracia.</p>



<p>É, pois, com esse propósito que venho, mais uma vez — respaldado pelos meus 91 anos de idade, 68 de advocacia e 62 de magistério universitário, com livros publicados em 21 países, além do privilégio de pertencer a 42 academias e somar 45 títulos acadêmicos —, demonstrar, sem nenhuma vaidade pessoal, que a minha vida sempre foi inteiramente dedicada ao Direito, razão pela qual dirijo este apelo ao STF em prol de um resgate institucional.</p>



<p>Esse resgate institucional, contudo, não depende de reformas estruturais ou de medidas judiciais complexas, mas sim de um esforço estritamente moral e de conduta. O apelo que aqui se faz é um pedido prático para que se iniciem os debates institucionais, inclusive com a urgente adoção de um código de ética — como bem sugerido pelo ministro Edson Fachin —, de modo que as naturais e salutares divergências jurídicas — bem como os eventuais conflitos pessoais — permaneçam restritas ao ambiente reservado das sessões internas, preservando a imagem da Corte perante a opinião pública.</p>



<p>Dirijo, portanto, este clamor àqueles que são os guardiões máximos da justiça no Brasil para que conduzam o Supremo Tribunal Federal, o Pretório Excelso do nosso País, de volta ao patamar de respeito e admiração que possuía na época do ministro Moreira Alves.</p>



<p><em>(*) É professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de São Paulo.</em></p>



<p>Foto: Andreia Tarelow</p>
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		<title>Igrejas e o privilégio tributário: a fé transformada em negócio</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/igrejas-e-o-privilegio-tributario-a-fe-transformada-em-negocio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 12:46:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Júlio César Cardoso (*) O Brasil vive uma contradição gritante: enquanto cidadãos comuns enfrentam uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, entidades religiosas seguem blindadas por privilégios constitucionais que as colocam em uma posição de &#8220;cidadãos de primeira classe&#8221;. O&#160;artigo 150, VI, b da Constituição Federal, que garante imunidade tributária a templos de qualquer [&#8230;]</p>
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<p><em>Júlio César Cardoso (*)</em></p>



<p>O Brasil vive uma contradição gritante: enquanto cidadãos comuns enfrentam uma das cargas tributárias mais pesadas do mundo, entidades religiosas seguem blindadas por privilégios constitucionais que as colocam em uma posição de &#8220;cidadãos de primeira classe&#8221;. O&nbsp;<strong>artigo 150, VI, b da Constituição Federal</strong>, que garante imunidade tributária a templos de qualquer culto, nasceu para proteger a liberdade religiosa. Mas, ao longo das décadas, transformou-se em escudo para corporações que acumulam patrimônio bilionário e operam como verdadeiros conglomerados empresariais.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>A Constituição e a Distorção</strong></h2>



<p>O princípio da igualdade tributária é um dos pilares da democracia. No entanto, a imunidade concedida às igrejas extrapola sua função original. Hoje, não se limita apenas ao espaço litúrgico, mas alcança&nbsp;<strong>patrimônio, renda e serviços</strong>, criando uma distorção que fere o Estado laico e a justiça fiscal. A recente&nbsp;<strong>PEC 5/2023</strong>, aprovada no Congresso, ampliou ainda mais esses benefícios, incluindo isenções sobre bens de consumo como materiais de construção e veículos.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Crescimento do Patrimônio Religioso</strong></h2>



<p>Não é segredo que grandes denominações religiosas no Brasil possuem&nbsp;<strong>patrimônios milionários</strong>, canais de TV, editoras, gravadoras e até partidos políticos. A fé, que deveria ser um espaço de espiritualidade e solidariedade, tornou-se um negócio altamente lucrativo. Enquanto isso, pequenos empreendedores e trabalhadores seguem pagando impostos pesados para sustentar o Estado.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O Papel da Bancada Religiosa</strong></h2>



<p>A chamada&nbsp;<strong>bancada evangélica</strong>&nbsp;no Congresso atua de forma corporativa, defendendo interesses específicos em detrimento do bem coletivo. Esse movimento fragiliza o Estado laico e reforça a ideia de que privilégios podem ser conquistados pela força política, não pelo mérito da igualdade constitucional.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Consequências da Imunidade</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Desigualdade tributária</strong>: cidadãos comuns arcam com impostos enquanto igrejas acumulam riqueza.</li>



<li><strong>Evasão fiscal</strong>: brechas legais permitem ocultação de patrimônio e comércio disfarçado de atividade religiosa.</li>



<li><strong>Fragilidade do Estado laico</strong>: a política tributária se torna refém da força da bancada religiosa.</li>



<li><strong>Impacto social</strong>: a população financia o Estado, enquanto corporações religiosas se beneficiam sem contribuir proporcionalmente.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>A imunidade tributária das igrejas, que nasceu como proteção à fé, hoje é um privilégio injustificável diante da realidade brasileira. Revogar ou limitar o&nbsp;<strong>art. 150, VI, b da CF</strong>&nbsp;é um passo necessário para restaurar a justiça fiscal e reafirmar que&nbsp;<strong>nenhum privilégio pode se sobrepor ao interesse coletivo</strong>. O Brasil precisa escolher entre manter um sistema que favorece corporações religiosas ou avançar rumo a uma democracia verdadeiramente igualitária.</p>



<p><em>(*) É Servidor federal aposentado</em><br></p>
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		<item>
		<title>IA e a vingança dos analógicos</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/ia-e-a-vinganca-dos-analogicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 12:41:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Roberto Corazza (*) Confesso: sempre me deu um misto de desconforto e orgulho perguntar algo de tecnologia para meus filhos, hoje com 20 anos. Orgulho de ver os dois transitarem com naturalidade entre aplicativos e novidades que eu levo semanas para entender. Desconforto por carregar décadas de experiência profissional e de vida e, mesmo assim, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Roberto Corazza (*)</em></p>



<p>Confesso: sempre me deu um misto de desconforto e orgulho perguntar algo de tecnologia para meus filhos, hoje com 20 anos. Orgulho de ver os dois transitarem com naturalidade entre aplicativos e novidades que eu levo semanas para entender. Desconforto por carregar décadas de experiência profissional e de vida e, mesmo assim, não ter a mesma destreza deles na hora de mexer numa tela.</p>



<p>De uns tempos para cá, com a inteligência artificial, sinto que o jogo virou. Não é sobre disputar com meus filhos quem entende mais de tecnologia, isso, admito, eles ainda ganham fácil. É sobre perceber que todo o repertório que acumulei em anos de estrada virou matéria-prima valiosa: para escrever um prompt que vai direto ao ponto, para questionar uma resposta da IA que soa bonita mas é rasa, para discutir com a máquina como quem discute com um colega experiente. Repertório que meus filhos, pela idade, ainda não tiveram tempo de construir e sem ele, as respostas que eles tiram da IA acabam ficando na superfície. O sentimento deve ser igualmente compartilhado por pessoas da mesma geração.</p>



<p>Durante quarenta anos a regra foi sempre a mesma: chegou tecnologia nova, quem manda são os jovens. Foi assim com o computador pessoal, com a internet discada, com o Orkut, com o smartphone, com o TikTok. Toda vez que uma novidade digital batia na porta, os mais velhos ficavam alguns passos atrás, pedindo ajuda para o filho ou o neto configurar o Wi-Fi. Em 2001, o educador americano Marc Prensky batizou esse fosso: de um lado, os &#8220;nativos digitais&#8221;, que já nasceram falando a língua dos bits; do outro, os &#8220;imigrantes digitais&#8221;, que aprenderam esse idioma na vida adulta e, por mais fluentes que ficassem, nunca perderiam o sotaque.</p>



<p>Essa história se repetiu tantas vezes que virou lei natural. Até a inteligência artificial chegar e quebrar o padrão. Um exemplo com o uso do mesmo aplicativo por pessoas de gerações diferentes é bem ilustrativo.</p>



<p>Pega o sobrinho de 19 anos e o tio de 55. Os dois abrem o ChatGPT no mesmo dia. O sobrinho pergunta &#8220;faz um texto sobre liderança&#8221; e recebe um conteúdo genérico, do tipo que qualquer pessoa no planeta receberia. O tio, que já liderou equipe, já apanhou de projeto que deu errado e já sabe exatamente o que quer dizer, escreve um comando de cinco linhas contando o contexto, o problema e o tom que precisa e recebe de volta algo que parece ter sido escrito por ele mesmo, só que melhor.</p>



<p>Mesma ferramenta. Resultado completamente diferente. E não é sorte.</p>



<p>Os números até confirmam o roteiro esperado: cerca de 76% da Geração Z já testou ferramentas como ChatGPT ou Claude, contra apenas 20% dos baby boomers. O jovem chega primeiro, sem dúvida. Só que abrir o aplicativo é a parte fácil e é justamente aí que a história muda de rumo.</p>



<p>Um estudo recente sobre colaboração entre humanos e IA testou os dois tipos de tarefa que existem no mundo real. Em tarefas simples, como escrever um e-mail ou resumir um texto, a IA nivela todo mundo: iniciante e especialista saem parecidos. Mas em tarefas que exigem julgamento, como a elaboração de uma estratégia ou a solução de um problema real, ou ainda a tomada de uma decisão difícil, acontece o oposto: quanto mais complexa a tarefa, maior a distância entre quem tem repertório e quem não tem. A mesma ferramenta que empata todo mundo no trivial escancara a diferença no que importa.</p>



<p>É a partir dessa constatação que temos que o verdadeiro talento não é &#8220;saber o prompt certo&#8221;. Existe um mito de que usar bem uma IA é decorar a senha mágica: a fórmula secreta de palavras que destrava a resposta perfeita. A Harvard Business Review já derrubou essa ideia. O pesquisador Oguz Acar mostra que quem realmente tira valor da IA não domina técnicas de prompt, mas domina o problema. Sabe exatamente o que precisa resolver antes de digitar a primeira palavra.</p>



<p>E isso não se aprende assistindo tutorial no YouTube. Vem de anos de reunião chata, projeto que não deu certo, cliente difícil, decisão tomada sem manual de instruções. É o tipo de conhecimento que não está no Google, mas na cabeça de quem já viu aquele filme antes. Por isso, um profissional de 50 anos, mesmo destreinado tecnicamente, costuma fazer perguntas muito melhores à IA do que um estagiário de 22: não porque sabe mais de tecnologia, mas porque compreende mais do assunto.</p>



<p>Mais do que tecnologia, esse tema também fala sobre inteligência. E não é a cognitiva. Howard Gardner, psicólogo de Harvard, mostrou décadas atrás que não existe uma inteligência só. Existem pelo menos oito: lógico-matemática, linguística, interpessoal, intrapessoal, espacial, e por aí vai. E, reparando bem, as inteligências que fazem alguém tirar mais profundidade de uma IA não são as técnicas. São essas.</p>



<p>A intrapessoal ajuda a saber exatamente o que você quer antes de digitar a primeira palavra e a entender o contexto humano por trás de cada pergunta. A linguística auxilia a escrever um prompt claro em vez de um amontoado de palavras soltas. A lógico-matemática, a quebrar um problema complicado em etapas que a IA consegue seguir direitinho. Nenhuma delas aparece em curso de &#8220;prompt engineering&#8221;, e olha que coincidência: são exatamente as habilidades que o Fórum Econômico Mundial aponta como as mais buscadas pelas empresas para os próximos anos, à frente até de boa parte das habilidades técnicas. Softskill, não techskill.</p>



<p>Existe uma única ferramenta no mundo capaz de medir, com rigor científico, as múltiplas inteligências e ela carrega o reconhecimento e a revisão do próprio Howard Gardner, o criador da teoria, lá de Harvard. Foi isso que me fez trazê-la para o Brasil e adaptá-la ao português. Batizamos de AMI: Avaliação das Múltiplas Inteligências.</p>



<p>A ideia sempre foi simples: mapear, ainda na infância, onde cada criança já é forte e onde é necessário investir. Só que hoje esse mapeamento ganhou um motivo a mais para existir.</p>



<p>O repertório que uma criança constrói através das oito inteligências não cabe em boletim escolar, é amplo demais, inclusivo demais. É a mesma bagagem que, lá na frente, vai separar quem sabe conversar de verdade com uma IA de quem só copia e cola resposta rasa.</p>



<p>Nesse contexto, entra o risco que ninguém está contando para os jovens: usar IA com fluência não é o mesmo que usar IA com critério. Uma pesquisa da Microsoft com a Carnegie Mellon ouviu centenas de profissionais e identificou que quanto mais a pessoa confia cegamente na IA, menos ela questiona a resposta. Em vez de pensar no problema, o cérebro passa a só checar se a máquina acertou. E checar bem exige exatamente a bagagem que só a vida ensina.</p>



<p>Quem cresceu perguntando tudo ao Google, e hoje pergunta tudo à IA, corre o risco de nunca ter treinado o músculo de desconfiar de uma resposta bonita e errada. Já quem passou décadas resolvendo problema sem atalho carrega um detector de furada embutido, que nenhum algoritmo ainda copiou. O espaço, assim, deixou de ser sobre idade e passou a ser sobre repertório e repertório, goste-se ou não, é privilégio de quem já viveu mais.<br>O jogo ficou mais justo, não mais fechado. Isso não tira os jovens da jogada. Eles adotam mais rápido, testam sem medo, erram na frente da máquina sem se importar e isso também vale ouro. A adoção de IA nas empresas saltou de 55% para 72% em só um ano, um salto que só acontece quando todas as gerações empurram junto.</p>



<p>O que mudou foi o critério de quem ganha. Não é mais sobre quem chega primeiro no aplicativo. É sobre quem sabe o que perguntar, quem reconhece uma resposta rasa de longe, quem consegue transformar uma ferramenta genérica em solução para um problema real e específico.<br>Pela primeira vez em quarenta anos de revolução tecnológica, a régua não está automaticamente a favor de quem nasceu depois. E isso é uma ótima notícia para quem passou a vida ouvindo que tinha &#8220;sotaque digital&#8221;.</p>



<p>A era analógica, aquela que ensinou a pensar antes de agir, virou vantagem competitiva.</p>



<p><em>(*) É engenheiro, professor e especialista em Múltiplas Inteligências e idealizador do projeto AMI — Avaliação das Múltiplas Inteligências &#8211; no Brasil.</em></p>
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		<title>Terra farta, povo carente: O contraste de um país</title>
		<link>https://jornaldeararaquara.com.br/terra-farta-povo-carente-o-contraste-de-um-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redacao Jornal Araraquara]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 12:18:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cotidiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Samuel Hanan (*) O Brasil não sofre por falta de dinheiro, de talentos ou de recursos naturais. O verdadeiro paradoxo nacional é ter um Estado cada vez mais rico e um povo cada vez mais empobrecido. Essa contradição não é um acidente de percurso; é um projeto de poder. Afinal, para governos que dependem do [&#8230;]</p>
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<p><em>Samuel Hanan (*)</em></p>



<p>O Brasil não sofre por falta de dinheiro, de talentos ou de recursos naturais. O verdadeiro paradoxo nacional é ter um Estado cada vez mais rico e um povo cada vez mais empobrecido. Essa contradição não é um acidente de percurso; é um projeto de poder. Afinal, para governos que dependem do voto de quem tem fome para se perpetuarem, erradicar a pobreza significaria fechar a própria fábrica de votos.</p>



<p>A maior prova disso está no bolso dos mais vulneráveis. Enquanto o discurso oficial prega a justiça social, na prática, a renda do trabalhador é corroída. Medidas como a mudança no cálculo do salário-mínimo e o congelamento do Bolsa Família retiram bilhões de circulação de quem mais precisa. Para piorar, a iminente fixação de uma das maiores alíquotas de IVA do mundo sobre o consumo vai massacrar quem vive na base da pirâmide. Como alertava John Kenneth Galbraith, nada limita mais a liberdade do que a total falta de dinheiro.</p>



<p>O mesmo estrangulamento ocorre na educação. Ocupamos as piores posições nos rankings globais de leitura e matemática, e quase um terço da nossa população adulta sofre com o analfabetismo funcional. Manter o cidadão ignorante é estratégico: afinal, como dizia o abolicionista Frederick Douglass, &#8220;o conhecimento torna o homem inadequado para a escravidão&#8221;.</p>



<p>Podemos considerar que essa tragédia brasileira se consolida em três atos que, juntos, jogam no lixo mais de R$ 1,5 trilhão por ano (cerca de 12% do PIB):</p>



<p>1º ato: o gigantismo do Estado (R$ 567 bilhões/ano): nossa máquina pública custa 13,5% do PIB, superando de longe a média dos países da OCDE. Um excesso que serve apenas para sustentar os privilégios dos &#8220;donos do poder&#8221; e cooptar aliados.<br>2º ato: a corrupção (R$ 540 bilhões/ano): um mal crônico que nos empurrou para a vergonhosa 108ª posição no ranking de percepção da corrupção da Transparência Internacional.<br>3º ato: as renúncias fiscais ilegítimas (R$ 500 bilhões/ano): isenções tributárias federais que estouram absurdamente o teto constitucional de 2% do PIB, alcançando 5,7%.<br>Considero oportuno afirmar que com menos da metade desse R$ 1,5 trilhão desperdiçado, o país poderia dobrar os investimentos no SUS, garantir ensino integral para toda a rede pública, valorizar professores, blindar nossas fronteiras e construir 250 mil moradias populares por ano.</p>



<p>Dinheiro existe; falta gestão, honestidade e um plano real de metas. O Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas sobrevivendo com apenas um salário-mínimo, uma realidade alimentada por políticas dolosas e agravada pelo instituto da reeleição no Executivo, que eterniza esse ciclo de dependência e deveria ser abolido.</p>



<p>Mudar de rumo não é utopia. Mas o primeiro passo para essa transformação é cortar privilégios, combater a impunidade e entender, de uma vez por todas, que nação rica é aquela em que o povo &#8211; e não o governo &#8211; vive com dignidade.</p>



<p><em>(*) É engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). <a href="https://samuelhanan.com.br">https://samuelhanan.com.br</a></em></p>



<p><em>(Luiz Antonio &#8211; Vervi Assessoria)</em></p>
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