Baile do Carmo: patrimônio da humanidade

O Baile do Carmo, um dos paradigmas da organização social do movimento negro em Araraquara, poderá ser registrado pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial da humanidade. De acordo com o assessor da Aepir (Assessoria Especial de Promoção da Igualdade Racial), Washington Lúcio Andrade, neste sábado (15), nas festividades oficial da 119ª edição do Baile do Carmo, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, e um representante do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), devem assinar documento para início do processo de levantamento de informações sobre a historia do negro em Araraquara a fim de buscar o tombamento do evento.

O Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, lançado em 2004 pelo Ministério da Cultura e pelo Iphan, estabelece um conjunto de diretrizes que norteiam as ações de identificação, reconhecimento, salvaguarda e promoção dos bens culturais de natureza imaterial.

Na opinião da ministra Matilde Ribeiro “o incentivo às manifestações culturais do povo negro é uma forma de resgatar a nossa história e cultura tão negligenciada durante a existência deste nosso Brasil”.

Patrimônio Imaterial

A Convenção Internacional para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial foi adotada na Conferência Geral da Unesco, em outubro de 2003 e entrou em vigor depois de ser ratificada por 30 países (entre eles o Brasil).

A Convenção completa o padrão dos instrumentos determinados pela Unesco para a preservação do patrimônio cultural e tem como objetivo salvaguardar as tradições orais e expressões (incluindo língua como um veículo de patrimônio imaterial cultural); artes performáticas; práticas sociais, rituais e eventos festivos; conhecimentos e práticas referentes à natureza e ao universo; e o artesanato tradicional. Em todas as partes do mundo o patrimônio cultural imaterial está ameaçado de deterioração e, em muitos casos, de extinção.

Tradição

De acordo com pesquisas efetuadas pela Valquíria Pereira Tenório, Mestranda em Sociologia (UNESP/FCLAr) e pesquisadora (NUPE Araraquara/SP e UNIUBE Uberaba/MG), o Baile do Carmo tem sido trabalhado como uma forma encontrada pela comunidade de afrodescendentes para se reunir desde os inícios do século XX, já que havia a discriminação que impedia implícita ou explicitamente, a participação nos baile dos brancos e na vida social da cidade.

O Baile do Carmo, hoje, continua sendo um local (espaço) para manutenção dos laços de sociabilidade entre os participantes. A história oral é um dos fortes símbolos da tradição dessa comunidade, já que o evento traz o peso de uma tradição e promove a reunião de negros com a finalidade não apenas de dançar, mas fundamentalmente de encontrar e reencontrar os amigos, os parentes, os conhecidos. Assim, o Baile do Carmo é entendido como um espaço/tempo de afirmação e de identidade dos negros dessa comunidade.

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