Atos de violência em escolas e o cuidado com a saúde mental dos adolescentes

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Foto: Freepik

Nos deparamos com mais um caso de violência extrema envolvendo um adolescente, que esfaqueou professoras (matando uma delas) e alunos em uma escola em São Paulo. Essas notícias nos deixam chocados e indignados. Como um lugar que deveria proteger nossas crianças e adolescentes é invadido, tornando os próprios colegas e professores alvos de violência?

“Segundo Ross Greene, psicólogo americano e autor dos livros ‘As crianças explosivas’ e ‘Lost at school’, é a falta de importantes habilidades mentais que fazem com que as crianças e adolescentes reajam com comportamentos desafiadores”, diz a pediatra especializada em adolescentes, Lília D’Souza-Li, membro do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). De acordo com a médica, o comportamento desafiador aparece quando as exigências do ambiente excedem a sua capacidade de responder de forma adaptativa – acabam por reagir com uma intensidade e frequência muito acima do que seria esperado.

“Quando as exigências excedem sua capacidade adaptativa, entram em um espectro de comportamento, podendo, no espectro mais leve, chorar, fazer birra, ficar emburrados ou quietos; numa intensidade maior, gritar, chutar, destruir, mentir ou fugir; e no quadro mais intenso surgem as autoagressões não suicidas (vomitar, se cortar, usar substâncias psicoativas), até chegar às heteroagressões (bater, apunhalar ou atirar).

Para ela, a falta de habilidade não é uma desculpa e sim uma explicação para o comportamento. Entender por que do comportamento desafiador é a parte mais importante para conseguir ajudá-los. “Experiências adversas na infância e adolescência, como sofrer violência, problemas domésticos, presenciar violência contra a mãe, separação dos pais, geram estresse tóxico e pós-traumático”, completa.

E quão frequentes são essas experiências adversas na infância? Dados do Center for Disease Control (CDC) – https://www.cdc.gov/violenceprevention/aces – estimam que 61% da população norte-americana apresenta pelo menos uma experiência adversa na infância e 12% apresenta 4 ou mais experiências. “Estas experiências adversas ocorrem em todas as classes sociais, mas são agravadas em situações de vulnerabilidade social. E o mecanismo pelo qual influenciam a saúde está associado a fatores estruturais incorporados por gerações, como traumas históricos que afetam as condições sociais e o contexto local familiar.”

“Precisamos de políticas públicas que abordem os graves problemas estruturais, como desigualdade social e pobreza, que geram a violência que atinge a população jovem – a maior vítima de homicídio no Brasil”, alerta a especialista, concluindo que enquanto não houver um programa para os cuidados de saúde dos adolescentes, não conseguiremos protegê-los e gerações de jovens continuarão sendo perdidas. (Vérité Comunicação – Assessoria de Imprensa SPSP – e-mail: contato@veritecomunicacao.com.br)

 

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