As primeiras famílias

“Até meados do Século XX, a história de Américo confundia-se com a de Araraquara. Em 1790 chega a região Pedro José Neto, vindo da Freguesia de Piedade da Borda de Campo, atual Barbacena (Minas Gerais), onde se casou e morou por vários anos. Pedro muda-se para a Vila de Itu em 1780, tornando-se capitão-mor da Vila. Adquiriu diversos inimigos pelo seu jeito de governar. Em 1790, acabou agredindo um de seus adversários, durante uma discussão. Foi processado e condenado conseguindo fugir para os sertões de Araraquara.

O primeiro homem a chegar na região, foi dono das Sesmarias que originaram o povoado de Américo Brasiliense, Rancho Queimado e Cruzes e também das sesmarias do Ouro, lajeado, Cambuhi, Monte Alegre e Bonfim.

Primeiras famílias

Com a criação da Freguesia de São Bento de Araraquara, em 1817, houve a expansão do pastoreio em direção aos rios Grande e Mogi-Guaçu. Daí iniciou-se a lavoura de cana, com muitos imigrantes que originaram vários conflitos pela posse da terra. Os foragidos e aventureiros que aqui chegaram, com a ausência de leis, aumentaram a tensão e levaram muitos sesmeiros a fazer sua própria justiça. Por outro lado era necessário evitar a saída da mão-de-obra valorizada pela alta da cana, para que não houvesse prejuízo nem atraso no desenvolvimento agrícola.

Foi nesta euforia que, em 1854, chegaram as primeiras famílias no povoado. A família de Germano Xavier de Mendonça, seguida pela família de Martimiano de Oliveira estabeleceram-se nas Sesmarias de Rancho Queimado e das Cruzes, respectivamente. Mais tarde, as famílias de Manoel Antonio Borba e do Coronel Américo de Toledo Piza. O nome ao povoado de Américo Brasiliense foi dado por Manoel Antonio Borba homenageando seu amigo republicano Américo Brasiliense de Almeida e Mello.

O patrono

Nascido em Sorocaba-SP, aos 8 de Agosto de 1833 e falecido no Rio de janeiro a 25 de Março de 1896. Formou-se em direito pela faculdade de Direito de São Paulo, em 1855. Defendeu tese de doutorado em 1860, seguiu para Sorocaba onde exerceu a advocacia e iniciou a carreira política. Foi vereador por São Paulo, deputado provincial e geral, presidente da Paraíba (1866), do Rio de Janeiro em 1868 e de são Paulo em 1891, já no regime republicano. Foi ministro do Supremo Tribunal Federal, recusou o Ministério da Fazenda e exerceu pleno poder em Lisboa. Ajudou a elaborar a primeira Constituição Brasileira, em 1891. Dr. Américo Brasiliense de Almeida e Mello renunciou à presidência do Estado de São Paulo, deixando um oficio ao major Castello Branco afirmando que entregava-lhe o governo por ser ele o Inspetor Geral de Corpos da Policia do Estado.

Progresso e

miséria do

povoado

Após 40 anos da chegada das primeiras famílias ao povoado de Américo, chegou a ferrovia. Em 1892 foi um grande marco para a economia local. O principal meio de transporte, construído em sua grande parte pelos Barões do Café, interliga a economia do povoado com as demais do Estado.

A fazenda Etruria em Américo Brasiliense, de propriedade de Vicente Puchanti, produzia frutas para exportação. Ao lado do café, os hortifrutigranjeiros eram produzidos como uma atividade principal e a ferrovia destinava um vagão especial para o seu transporte.

Embora existisse o problema do saneamento básico, o povoado caminhava para a “Bela Época”.

Em 1895, com a noticia de que a epidemia de febre amarela havia atingido Araraquara, estabeleceu-se um pânico generalizado e a população vizinha começou a se refugiar nas fazendas e povoados próximos.

Nesse período, parte considerável da população deslocou-se para Américo, inclusive os órgãos administrativos e a Câmara. Foram então construídos casas, bancos, cartórios, escritórios de advocacia, empresas telefônicas e casas comerciais.

A transferência da Comarca foi homologada em 7 de Novembro de 1895 pelo Governador do Estado, Bernardino de Campos. Somente em julho do ano seguinte a Comarca retornaria para Araraquara. Apesar de toda essa euforia, a situação sanitária do povoado era caótica.

Bela Época

Em 1914, designado como Distrito Policial, Américo Brasiliense tinha 90 casas, duas escolas, ruas alinhadas e arborizadas, luz elétrica e água encanada. Havia também farmácia, relojoaria, hotéis e restaurantes, padaria, cervejaria, barbearia, alfaiataria, armeiro, sapataria, celaria, ferraria, açougues, fabrica de cadeiras, de sanfona, casa lotérica, casa de maquinas de moer café e arroz, vários armazéns de Secos & Molhados, casa de louças e tecidos, médicos e dentistas.

As três primeiras vias do distrito: Avenida da Saudade (hoje Tereza Marsilli); Rua Manoel Borba e Rua Botafogo (hoje Nove de Julho). A Rua Botafogo era o lugar onde os trabalhadores se encontravam no final de tarde para o tradicional bate-papo acompanhado de bebidas alcoólicas que, em algumas vezes, levaram ao desentendimento. Moradores também apelidaram a rua de Pito Aceso, pois, seus moradores costumavam sentar-se na frente de suas casas acendendo seus cachimbos.

Luiz Dosualdo, recém chegado ao povoado, construiu na rua Nove de Julho um moinho de fubá e uma casa de consertos de armas de fogo. Não demorou muito e o moinho se transformou numa das maiores fábricas da região, empregando mais de 80 pessoas. Ainda nessa época a grande maioria dos habitantes do povoado, residia nas fazendas e sítios das proximidades. Impulsionados pela cafeicultura e a expansão do transporte ferroviário, muitos imigrantes continuaram a chegar principalmente os italianos.

Time de

futebol

Em 1921, imigrantes italianos fundaram o Américo: o time de futebol mais antigo da região. O campo de futebol ficava entre o velho prédio da Metalúrgica Brasiliense e do Fórum. A origem das cores do time foi inspirada na bandeira italiana. Jogadores como José Galli (centroavante), Carlos Bortolli e Victor Zilioli, dentre outros fizeram parte da primeira equipe. Esses anos foram valiosos para legalização da Associação Ferroviária de Esportes de Araraquara.

Em 20 de novembro de 1922 Américo se transforma em Distrito de Paz de Araraquara (Lei 1878, assinada pelo presidente estadual Washington Luiz P. de Souza).

Teatro Apollo

A grande arte que simbolizou o século 20 foi o cinema. Ele chegou em Américo no período conhecido como a Bela Época, influenciado pelo movimento francês.

O Teatro Apollo de Arthur Marsili, foi construído ao lado do Grupo Escolar no modesto restaurante do Bepe (apelido do idealizador do teatro cujo nome não foi encontrado). Era ponto de encontro de famílias, namorados e da juventude. O primeiro a ser exibido foi A Deusa do Sertão, em 1926. A pianola (um modelo de piano tocado automaticamente por meio de um aparelho), para acompanhamento musical dos filmes era comandada por Carlos Abi Jaudi (Carlão como era conhecido). Mais tarde tornou-se dono do Cine São José, ao lado da Praça Pedro de Toledo.

A queda da bolsa de valores de Nova York, em 1929, pôs fim a essa época. A crise cafeeira atingiu o país e as fazendas transformaram-se em pastagens. Muitas famílias migraram para outras regiões e nos anos seguintes uma nova cultura iria prevalecer na região: a cana de açúcar.

Da cana à

emancipação

Com a crise do café, Américo Brasiliense volta toda sua economia para o cultivo da cana de açúcar. Em 1947, instala-se no município uma usina de açúcar na fazenda Santa Cruz. Com a construção do Hospital Sanatório “Nestor Goulart Reis”, em 1950 no governo de Adhemar de Barros, o distrito começa a delinear a sua independência. O crescimento é significativo e começa um novo ciclo de imigração.

Atraídos pelo grande desenvolvimento econômico do interior do estado, muitos imigrantes de outras regiões do país chegaram aqui. No final da década de 50 começa a desencadear rumores de uma possível autonomia política e administrativa do distrito. Apenas algumas famílias eram contrárias à independência do Distrito. Com uma economia sustentável, o processo era irreversível e ganhava força com a autonomia conseguida pelas vizinhas Rincão e Santa Lúcia.

Depois de muitas reuniões com autoridades e algumas lideranças, o movimento criou força e, em 1963, foi realizado o plebiscito entre os moradores. A vitória do SIM foi unânime.

Primeiro

prefeito

Em 1964, dois candidatos concorrem às primeiras eleições: Antonio Pavan (vice, Elias Leme da Costa) e José Galli (vice, Antonio Furlan). O Sr. Antonio Pavan foi o vitorioso, iniciando a história municipal. Vale afirmar que na primeira eleição o candidato a vereador pelo MDB, partido conhecido como Manda Brasa, Julio de Arruda, durante um comício chamou Américo de “Cidade Doçúra” que a identifica até hoje.

O prédio, onde funcionava o Grupo Escolar Dr. João Baptista Pereira de Almeida, passou a ser a sede da Prefeitura e da Câmara. Em 21 de Março de 1965 foi aberta a Sessão Solene para a instalação do Município. O Juiz de Direito da 1ª Vara do Fórum de Araraquara, Dr. Francisco Loffredo Junior, discursou dando posse a Antonio Pavan e Elias Leme da Costa, como também aos vereadores Antonio Barbieri, Benedito Nicolau de Marino, Carlos Abi Jaudi, Emigdio Storane, José Paulino, Luiz Franciscato, Salvador Carmem Romania e Segundo Della Rovere.

Em 22 de agosto de 1967, morre Elias Leme da Costa e em 8 de janeiro de 1969, por faltas além das permitidas no regimento interno foram cassados os vereadores Emigdio Storane e José Paulino. Os fatos da história recente são de nosso conhecimento pleno. Esta é a nossa querida cidade-aniversariante”.

O historiador

O Jornal de Américo destaca que Tércio Della Rovere foi Sub-prefeito em 1954 (quando Américo era Distrito de Araraquara), foi eleito vereador em 1968, primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara Municipal, escolhido em 4 de fevereiro de 1972. Entre 1969 e 1970 foi presidente da Comissão de Justiça, Legislação e Redação. Em 1971 e 1972 foi membro e depois presidente dessa mesma comissão, de fundamental importância os procedimentos legislativos. Em 15 de novembro de 1972 foi eleito prefeito e em 1996, ganhou novamente um mandato de vereador. Obrigado ao notável Tércio Della Rovere, uma pessoa que teve a felicidade de construir uma família linda, com espírito de cidadania.

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