Ação trabalhista é forja de constrangimento

Na maioria das ações pode estar registrada falta de lealdade consigo e com a empresa, quando o trabalhador não soube defender seu suposto direito.

Trabalhador vérsus empresário

Estas escadas levam ao “churrasquinho de empresário”, até pelo serviço de alto falante: “chamamos fulano de tal contra a empresa X”. E todos, instintivamente, olham para o empresário como se fosse um estuprador, assassino ou responsável por trabalho-escravo. O trabalhador-reclamante (que, quase sempre, resolve buscar a Justiça depois de ter sido demetido por incompetência, falta grave, crise existencial, sem motivação pessoal ou até porque a empresa não tem condição de continuar com ele na folha de pagamento, com elevados encargos sociais), é visto como um coitadinho, desprotegido, sem-informação que, pela elevada e irresistível coação do “empresário desumano e aproveitador”, ostenta a fotografia daquele que não teve coragem para defender seu interesse de imediato, quando da suposta falha administrativa.

Diante do Juiz, com peça vestibular bem articulada por profissionais da área (podendo, quem sabe, conter inverdades e até ofensas morais) pede-se a maior para conseguir a menor, mas, tentando fazer a sua justiça contra o empresário, então amigo e agora inimigo figadal. Não raramente, podendo contar com apoio de duas ou três testemunhas que são facilmente encontradas pela aparente solidariedade ou porque têm algo em comum: raiva, ódio do empresário que exigiu muito e não soube relevar falhas que levaram à dispensa. Essa, pois, a hora da desforra. E o empresário senta-se no “banco dos réus” com o sabor de estar no caminho errado. Por que empreender, realizar, abrir vagas para companheiros de caminhada, não se omitir socialmente, ficar sem férias e até retirada do pró-labore por falta de fluxo de caixa, mas, prioritariamente, garantir os direitos do trabalhador, abençoado paternalmente pela CLT ?

Os companheiros de tantas jornadas, até rezando para a mesma Nossa Senhora, estão frente à frente: como inimigos, na defesa de algumas moedas para sí ou para outrem.

Esse empresário-emoção, fraternal e compreensivo, sofre a frustração de ter se enganado com o ser humano. A expectativa foi alta demais e, portanto, deveria ter sido muito mais racional. (Leia Box)

Repensar os valores e criar novos projetos para a vida são objetivos que podem ser adotados por empresários que se estressam diante de certos atos trabalhistas, legalmente praticados. O empresário não deve ficar arrepiado, tem que mudar a sua maneira de pensar, sentir e agir para não enfartar. E, ainda, para definir os papéis dos que participam do processo construtivo. Sem emoção…ou, pelo menos, muita emoção. Saber dosar, com a santa razão.

O trabalhador, parceiro em tantas oportunidades, confidente e que ganhou ombros prontos a ouvir lamúrias ou traumas pessoais, só deseja um resultado ao ingressar com a respectiva ação: a sentença condenatória de seu oponente, o empresário.

Uma relação que precisa ser discutida, dentro do clima vivido neste terceiro milênio. Os deputados federais não podem ficar na doce ilusão de que a relação trabalhista é enlevada pela esteira da fraternidade, com paz social plenamente visível.

Empresários e trabalhadores, na maioria das vezes são inimigos, em potencial. E, por isso, devem ficar com o pé atrás porque, a qualquer momento, um pode passar a rasteira no outro e pouco importa a situação econômica motivada por um mercado recessivo, altamente competitivo onde alguns, como se diz popularmente, “vendem o almoço para jantar”.

Ao pensar assim, pela razão linear, o trabalho pode ficar meio sem graça, mas, evita aborrecimentos.

Desperdício de um tempo

“Chega-se a entender que não vale a pena passar por esse constrangimento”, diz um agente que atua em empresa-família, com o peso da tradição de 80 anos de bons serviços e tendo oferecido centenas de vagas e, claro, pago muitos impostos com o espírito social: quem tem mais, quem ganha mais (porque trabalha mais), paga mais.

A relação pode ser vivenciada, numa transparência dolorida, em qualquer dia de audiência entre as partes, diante de um Juiz.

Pesquisa para nova proposta

A relação trabalho-capital precisa ser transformada. Tudo se modifica com o tempo e não se pode aceitar o paternalismo da CLT, desde o tempo do pai Getúlio.

O bom empresário e trabalhador decente e competente não podem batalhar como inimigos. Não vão crescer e, portanto, vão caminhar no paralelepípedo da tristeza. Merecem, assim entendendo, uma discussão que permita levar à Câmara Federal a mensagem de mudança já.

Qual seu perfil de chefe?

Um dos grandes problemas empresariais é forma de conduzir a relação chefe-subordinado. E isso aflige toda e qualquer empresa (pequena, média ou grande). De um modo geral, pode-se dizer que falta moderação nas relações humanas dentro da empresa.

Imaginem um gráfico com duas variáveis: uma, indicando (de 1 a 9) a razão; outra, o sentimento (também de 1 a 9). A partir daí, nascem perfis de personalidade: o 9.1. é razão pura, colocando de lado totalmente a pessoa, é superprodução, é pessoa extremamente exigente e autoritária (o autoritarismo é tamanho que assusta seus subordinados); o 1.9. é sentimento puro, tentando sempre agradar aos outros, acaba provocando baixa produção, e, de forma semelhante como sucede com 9.1., também desestimula seus subordinados a trabalharem (“o chefe é fácil de manipular”, “é só dar uma choradinha, e pronto, ganhei o dia”); o 1.1. é o típico desmotivado, apático (razão e emoção baixas); o 9.9., por sua vez (finalmente), é o ideal, é quem quer resultados, sabendo respeitar a pessoa do subordinado.

Há subtipos, claro, mas a classificação simplificada interessa a fim de se ver que o ideal (9.9.) não é aquele que aceita tudo dos subordinados, nem quem exige tudo. O grande diferencial do 9.9. é seu papel de construtor: se há um problema, ele não fugirá – como faz o 1.1. -, nem passará por cima com força, atropelando (como faz o 9.1.), ele, sim, irá enfrentá-lo, discutindo racionalmente sobre ele.

Interessante que o 9.9. não será áspero, não terá arrombos agressivos, mas também não será uma “mãe” (ou “pai”, claro): por exemplo, detectando um subordinado problemático, concluindo pela sua necessária exclusão pelo bem da organização e do grupo, o 9.9., desde logo, fará com que aquela “ovelha desgarrada” deixe sua empresa. Mas fará isso em função de ter pesado e sopesado os acontecimentos, de forma racional e respeitosa (em face de si mesmo e também de seu subordinado).

Moral da história, dentro do possível, seja um 9.9., e comece, tendo comportamento 9.9. (ainda que esparso, eventual), para, um dia, transformar-se em alguém mais produtivo e justo.

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