Antes da Covid-19, síndrome do ‘coração partido’ já vinha aumentando em mulheres, diz estudo recente

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No entanto, perdas pela Covid-19 acentuaram as crises de cardiomiopatia de Takotsubo – também conhecida como síndrome do ‘coração partido’ – uma condição que geralmente é desencadeada por estresse ou perda e pode levar a lesões cardíacas de longo prazo e comprometimento da função cardíaca.

Os pesquisadores descobriram duas tendências alarmantes na cardiomiopatia de Takotsubo – também conhecida como síndrome do ‘coração partido’ – uma condição que geralmente é desencadeada por estresse ou perda e pode levar a lesões cardíacas de longo prazo e comprometimento da função cardíaca. O estudo, publicado em outubro no Journal of the American Heart Association (JAHA), sugere que mulheres de meia-idade e mais velhas estão sendo diagnosticadas com síndrome do coração partido com mais frequência – até 10 vezes mais – do que mulheres mais jovens ou homens de qualquer idade. A pesquisa, feita nos Estados Unidos, também sugere que a condição rara se tornou mais comum, e a incidência tem aumentado continuamente desde bem antes da pandemia de Covid-19. “A hipótese apontada para o surgimento da síndrome é a de que a reação de uma pessoa a eventos físicos ou emocionalmente estressantes causa uma liberação de hormônios do estresse que reduzem temporariamente a capacidade do coração de bombear — fazendo com que ele se contraia de forma menos eficiente ou irregular, em vez de em um padrão estável e normal. Apesar de aumentar antes do surto de Covid-19, na prática clínica, percebemos que a pandemia acentuou essa condição em mulheres mais velhas, uma vez que a doença é particularmente mais mortal em homens mais velhos. Muitas mulheres perderam seus companheiros e a própria situação de estresse da pandemia contribuiu para o aparecimento da condição”, explica o Dr. Juliano Burckhardt, médico cardiologista, geriatra e nutrólogo, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). “Este estudo valida ainda mais o papel vital que a conexão cérebro-coração desempenha na saúde geral, especialmente para as mulheres”, completa o médico membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio Libanês.

O que os dados mostram

Os pesquisadores usaram dados de hospitais nacionais coletados de mais de 135.000 mulheres e homens que foram diagnosticados com a síndrome de Takotsubo entre 2006 e 2017. Embora confirme que as mulheres são diagnosticadas com mais frequência do que os homens, os resultados também revelaram que os diagnósticos têm aumentado pelo menos seis a 10 vezes mais rapidamente para mulheres de 50 a 74 anos do que para qualquer outro grupo demográfico. As descobertas adicionais incluem:
Dos 135.463 casos documentados de cardiomiopatia de Takotsubo, a incidência anual aumentou de forma constante em ambos os sexos, com as mulheres contribuindo com a maioria dos casos (83,3%), especialmente aquelas com mais de 50 anos.
Em particular, os pesquisadores observaram um aumento significativamente maior na incidência entre mulheres de meia-idade e mulheres mais velhas, em comparação com mulheres mais jovens. Para cada diagnóstico adicional de Takotsubo em mulheres mais jovens – ou homens de todas as faixas etárias – havia 10 casos adicionais diagnosticados para mulheres de meia-idade e seis diagnósticos adicionais para mulheres mais velhas.
Segundo o Dr. Juliano, que também é membro da American Heart Association, antes deste estudo, já se sabia apenas que as mulheres são mais propensas do que os homens a desenvolver a síndrome de Takotsubo. “Este último estudo é o primeiro a perguntar se há diferenças de sexo com base na idade e se as taxas de casos podem estar mudando ao longo do tempo”, explica.

A Conexão Cérebro e Coração

O cardiologista explica que a maneira como o cérebro e o sistema nervoso respondem a diferentes tipos de estressores é algo que muda conforme as mulheres envelhecem. “Provavelmente existe um ponto de inflexão, logo após a meia-idade, onde uma resposta excessiva ao estresse pode impactar o coração”, diz o médico geriatra. “As mulheres nesta situação são especialmente afetadas e o risco parece estar aumentando”.
Os pesquisadores estão investigando as implicações de longo prazo de um diagnóstico de Takotsubo, marcadores moleculares de risco e os fatores que podem estar contribuindo para o aumento das taxas de casos. Embora os profissionais médicos entendam que a conexão entre o estresse e o risco de doenças cardíacas é extremamente importante, ainda há muito a discernir. “Este estudo em particular ajuda a esclarecer que as mulheres de uma determinada faixa etária estão desproporcionalmente em maior risco de cardiomiopatia de estresse, e que o risco está aumentando. O aumento pode ser devido a mudanças na suscetibilidade, no meio ambiente ou em ambos. Mais trabalhos são necessários para desvendar as doenças que causam a cardiomiopatia de Takotsubo e outras condições dominadas por mulheres”, finaliza.

FONTE:

*DR. JULIANO BURCKHARDT: Médico Cardiologista, Geriatra e Nutrólogo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Especialista também em Clínica Médica, Medicina de Urgência e Ergometria. É membro da American Heart Association e da International Colleges for Advancement of Nutrology. Mestrando pela Universidade Católica Portuguesa, em Portugal. Atua como docente e palestrante nas suas especialidades na graduação e pós-graduação. É diretor médico do V’naia Institute. Diretor Científico Brasil da European Academy of Personalized Medicine. Membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio Libanês. (Holding Comunicações – e-mail: [email protected])

 

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