N/A

Alcyr dá entrevista-aula de geografia

JA – Como aprender a usar melhor os mapas?

A.Z. – Conhecendo os componentes do mapa: a escala (que identifica o território envolvido: cidade, bairro, município, região, macro-região, país, continente, blocos de países, planisfério etc). Conteúdo: Econômico, Político, Demográfico, Físico; e os temáticos: cidades, redes urbanas, comércio, navegação, viário, hidrográfico, climático, das formações vegetais, das queimadas etc; Fazer a “leitura” ou identificar a legenda, o título, subtítulos. Até nas listas telefônicas há mapas.

Como entender este mundo que não pára de mudar?

Os povos e nações que têm passado e evolução, tradições culturais (até milenares ou de centenas de anos), que preservam sua identidade cultural étnica, religiosa etc, passam às vezes por situações políticas que exigem “reações”, “resgate” da história, do passado. É o que vemos ocorrer, ultimamente, com os croatas, os sérvios, armênios, os curdos, os palestinos, tribos da África, povos que disputam espaços de domínio de suas religiões, como em áreas islâmicas do Oriente Médio etc. Buscam “demarcar seu espaço vital”, os territórios que entendem necessários, ou de direito para organizar suas nações, povos…Já somam mais de 210 países na Terra.

As paisagens que se transformam do dia para a noite, como podem ser avaliadas?

A vida humana, para cerca de 50% dos habitantes da Terra, está centrada no espaço urbano, nas cidades de todos os tamanhos, sobretudo em metrópoles gigantescas. Cidades, espaços artificialmente construídos, complexos, estão em permanente transformação devido ao modelo de economia que consome novas tecnologias, que aplica os avanços da ciência, que exige o tempo todo inovações na arquitetura, nos produtos, nos “cenários”. Nem sempre isso produz um desenvolvimento sustentado, pelo contrário, é gerador de formas violentas de poluição, insegurança, injustiça social, desigualdades de oportunidades etc. O ideal é que as mudanças não sejam radicais, rápidas demais, agredindo os valores, a consciência das pessoas, “desmontando” suas relações e identidades com os lugares em que nasceram, trabalham e vivem.

Quais são os objetos de estudo em Geografia?

A Geografia estuda o ser humano, como sujeito da história, e sua evolução na sociedade, atuando pelo trabalho, na transformação da Natureza, para satisfazer suas necessidades.

Geografia estuda as relações entre o processo histórico, que regula a formação das sociedades humanas, e o funcionamento da Natureza, por meio da “leitura” do espaço geográfico, do espaço produzido.

O que já foi aprendido, hoje é somente um fato histórico em Geografia?

A Geografia, como história “do hoje”, busca compreender e explicar as relações entre sociedade e Natureza, analisando o que há de heranças do passado, na organização do espaço atual, para entender os fatores que provocam as transformações, e para fazer projeções quanto às tendências de crescimento e desenvolvimento do espaço geográfico.

O que foi aprendido também é Geografia, é espaço vivenciado, experiência acumulada, necessária às novas “construções” que cada um realiza, ao longo do desenvolvimento de sua capacidade de conhecer.

Como um professor se mantém atualizado?

Quem ensina, o tempo todo deve acompanhar o avanço da ciência de sua especialidade, precisa estar em contato com os novos recursos técnicos que são postos a serviço da habilitação de seus alunos. Ler, ler muito, atualizar-se, “filtrar” o que há de viável na metodologia, criar no aluno a consciência de que um povo, uma nação, só se desenvolve com educação, com cultura, com acesso às informações, com redução das desigualdades sociais.

Qual o papel da Geografia para os alunos?

Entender o ser humano como produtor do espaço geográfico, enquanto organiza economicamente (pelo trabalho) e socialmente, a sociedade, em cada momento da história. Valorizar a percepção espacial de cada um, sua identificação com o lugar em que nasceu, vive, trabalha, os laços afetivos e as referências socioculturais. Compreender os modos de produzir, existir, perceber diferentes espaços geográficos e como os fenômenos que constituem as paisagens se relacionam com a vida que as anima.

Quais as maiores conquistas atuais dos professores, para acompanhar tantas modificações no ensino?

Certamente, os avanços tecnológicos, servindo de base para o desenvolvimento de novas metodologias, ao ampliar o volume e a qualidade das informações disponibilizadas a partir, por exemplo, dos satélites espaciais (acompanhamento da dinâmica atmosférica, ocorrências de fenômenos ligados à geologia, como vulcões em erupção, a organização de espaços agrícolas, a devastação das florestas, as queimadas, dentre outros). Os vídeos, os filmes, as fotografias, as publicações especializadas, a informática, as telecomunicações em geral, abriram frentes de ação como jamais se viu, para aperfeiçoamento do trabalho de formação profissional. Tudo isso exige mais cultura, mais leitura, mais habilidades, como condições prévias de qualificação.

E as maiores dificuldades encontradas com tantas novas metodologias no ensino?

Estão exatamente no tempo disponível para acesso e domínio de tantas inovações, informações, publicações, divulgação de técnicas, disponibilidade de recursos, em parte referidos na pergunta anterior, que exigem habilidades, “polivalências”, espaços apropriados etc. Tudo devendo ser adequado a determinado “público-alvo”.

Qual o maior proveito que professores e alunos tiram através da troca de opiniões sobre seu cotidiano?

Melhor compreensão sobre as experiências de vida de cada um, melhor entendimento sobre as transformações e a dinâmica que envolve a vida urbana, os problemas sociais localizados em determinadas comunidades escolares e de bairros, ou de pequenas cidades. De outro lado, acompanhar a evolução da formação profissional, o aperfeiçoamento pessoal, identificar as aspirações individuais, “reduzir as distâncias”, pelo crescimento cultural, pelo acesso às informações, ouvindo, lendo, buscando compreender o outro, aceitá-lo, incentivá-lo. Nada de egoísmo, de ambição “sem medidas”, de ações que só inibem, aumentam distâncias sociais e geram decepção.

E a Geografia está de que maneira envolvida neste cotidiano de todos nós?

Em tudo, com certeza. Tudo acontece “em algum lugar”. Em parte, a resposta está registrada em outras das questões formuladas. Os fatos e fenômenos estão localizados de certo modo, por razões que são explicadas pela Sociologia, pela História, pela Economia, pela Política, pela Antropologia, pela Geografia e tantas outras áreas das ciências.

“Dize-me onde moras e te direi quem és”- implica compreender o onde, os por quês, quando, quem, como, para que…da produção e organização do espaço geográfico.

Então é a maneira de se entender que as relações humanas dependem de entender também Geografia?

Necessariamente, a Geografia tem algumas “ferramentas” para construção da cidadania, do civismo, da vida com ética… O conhecer o outro na vida em sociedade, identificando as diferenças de toda ordem, respeitando seus costumes, tradições, sua cultura, seus direitos à vida em condições de igualdade (sejam baianos, japoneses, turcos, chineses, argentinos, norte-americanos, muçulmanos, budistas, católicos, evangélicos, presbiterianos, xiitas…) evitará discriminação, preconceito, xenofobia, fruto da desinformação quanto à história, cultura, religião, economia, ciência, política, tecnologia, o direito…

Como deve ser o relacionamento família e escola?

Ou há plena integração, entendimento recíproco quanto aos papéis a cumprir, as aspirações a alcançar, identificação de propostas, ou a família estará “se livrando”, por algumas horas diárias, do “problema” de educar os filhos, “delegando” para a escola uma parte, que não pode ser descartada, de sua função de educar. A família “faz” a escola!

Como é a sua atuação na Uniara?

Há dez anos na Uniara, lecionei nos cursos de Estudos Sociais, História e Geografia. Fui coordenador de Geografia. Como estes cursos não estão sendo oferecidos, passei a ministrar aulas nos cursos de Turismo (Espaços de Turismo e Lazer) e Normal Superior (Geografia- Conteúdos e Metodologia). Participo como representante da Uniara, na ADA – Agência de Desenvolvimento de Araraquara, e represento esta entidade no Conselho Municipal de Planejamento e Política Urbana e Ambiental de Araraquara- Compua, no qual integro a Diretoria Executiva. Foi uma participação muito gratificante e o produto final das muitas reuniões é o Plano Diretor, entregue à Câmara Municipal para discussão e aprovação, e cuja elaboração foi supervisionada com muita competência pelo Prof. Arquiteto Luiz Antonio Nigro Falcoski, Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano.

Escolas em que lecionou em Araraquara.

Faculdade de Ciências e Letras da Unesp- Campus de Araraquara e, após minha aposentadoria, no Centro Universitário de Araraquara- UNIARA.

Qual sua satisfação em ser professor?

Após 44 anos em salas de aula, que me permitiram acompanhar, pelo menos em parte, a formação/ evolução pessoal e profissional de muitas centenas de alunos universitários em Campinas, Catanduva, Rio Claro e Araraquara, agradeço a Deus pelas oportunidades, a grande alegria e a satisfação ter muitos deles como amigos que quero muito bem, colegas de trabalho, saber de sua realização como docentes e pesquisadores, como pessoas, tendo formado suas famílias, e até mesmo, como participantes de administrações municipais, secretários, prefeitos…

Mensagem.

Gostaria de deixar registrado que penso o Brasil com menos desigualdades, com maiores e melhores oportunidades de trabalho para tantos jovens que se preparam, com enorme sacrifício e responsabilidade. Penso o Brasil em que não haja corrupção, para que com o mesmo investimento público federal ou estadual, haja mais beneficiados. Penso o Brasil com acesso à educação e à cultura para todos, respeitadas e valorizadas as diversidades regionais. E que tudo isso chegue logo, e ajude a tornar o Brasil melhor no mundo.

E que haja paz!

Compartilhe :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DAAE comunica baixa pressão na região do Selmi Dei nesta terça (12) e quarta-feira (13)

Confira as vagas de emprego disponíveis no PAT de Araraquara

Avançam as obras da nova UBS do Jardim Ipanema / Ibirás

Agenda Esportiva

Audiência Pública debaterá regra sobre ano de fabricação de carros de aplicativo

CATEGORIAS