Agosto Lilás é tema do “Canal Direto com a Prefeitura”

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Coordenadora de Políticas para Mulheres, Grasiela Lima, falou sobre a campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher
 

O “Canal Direto com a Prefeitura” recebeu nesta quarta-feira (24) a coordenadora de Políticas para Mulheres, Grasiela Lima, que falou sobre o “Agosto Lilás”, campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, instituída nacionalmente em celebração ao aniversário de sanção da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006), que em 2022 completou 16 anos. A ação, promovida pela Prefeitura Municipal de Araraquara, por meio da Coordenadoria Executiva de Políticas para Mulheres, tem o propósito de sensibilizar e conscientizar a sociedade sobre o fim da violência contra a mulher e divulgar os serviços especializados da rede de atendimento à mulher em situação de violência e as formas de denúncia. O programa foi transmitido ao vivo pela página da Prefeitura no Facebook, onde o vídeo se encontra disponível para visualização.

Grasiela destacou a importância da campanha. “A Lei Maria da Penha fez aniversário no último dia 7 de agosto e a partir desse momento, nós, que atuamos em defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento da violência contra as mulheres, vimos a necessidade de destacar a importância dessa lei no contexto de uma das principais leis do mundo em relação ao enfrentamento da violência contra as mulheres, em especial à violência doméstica e familiar. É uma das melhores leis do mundo, mas infelizmente temos os piores índices do mundo em relação à violência contra as mulheres, ao feminicídio, ao estupro, então é importantíssmo lutarmos durante o ano todo, mas aproveitarmos os momentos como o Agosto Lilás para dar visibilidade, para conscientizar a sociedade, para fazer com que as pessoas entendam que uma mulher é um ser humano que merece ter uma vida digna, livre de todas as violências. Então nós aproveitamos o mês e potencializamos essa campanha para esclarecer sobre o que prevê a lei, porque muitas pessoas ouviram falar sobre a lei, conhecem uma coisa ou outra, mas entendem, por exemplo, que violência contra a mulher é somente a violência física e não é só isso. A Lei Maria da Penha traz uma tipificação de violência contra as mulheres que envolve, além da violência física, as violências psicológica, moral, patrimonial e sexual”, ressaltou.

O “Agosto Lilás” conta, ao longo deste mês, com atividades em diferentes espaços da cidade, como escolas, fábricas, assentamentos e instituições sociais, além da divulgação da campanha através de materiais informativos impressos e online. “Estamos nos mobilizando desde a primeira semana de agosto, quando fizemos uma parceria com a Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos das Mulheres e a Comissão da Mulher Advogada. Fizemos intervenções, ações nos CRAS e nas escolas. A partir da segunda semana, o Centro de Referência da Mulher e a Coordenadoria de Políticas para Mulheres, dando continuidade a essas ações, estão em diferentes espaços da cidade, levando esse conhecimento, que é fundamental, e essa informação que é muito importante no enfrentamento da violência contra as mulheres”, acrescentou a coordenadora.

Informação é essencial

Grasiela salientou a importância da informação no combate à violência contra a mulher. “A primeira coisa que a sociedade pode fazer é acolher essa mulher. Temos enfrentado cotidianamente pessoas que julgam e que condenam, que culpabilizam a mulher por essa situação de violência. Então é preciso se informar, saber porque essa situação específica de violência contra a mulher acontece, não só no nosso país, porque é um fenômeno mundial. É preciso acolher essa mulher e ajudá-la a sair dessa situação, acionando os serviços, por exemplo. A sociedade pode também ajudar a divulgar, porque é importantíssimo que se divulgue a lei, se divulgue os serviços, que ajude nas denúncias, por exemplo no 180, onde qualquer pessoa pode fazer uma denúncia, mesmo anonimamente. É importante que toda a sociedade se conscientize que é uma grave violação de direitos humanos”, apontou.

Para ela, é preciso desconstruir pensamentos que colocam a mulher como uma propriedade do homem. “Nós conquistamos essa lei a duras penas porque as mulheres adentraram o século XX sem ser consideradas seres humanos. A mulher era objeto dos homens e ainda nessa sociedade machista em que vivemos, ainda é considerada objeto dos homens, então é preciso desconstruir essas ideias machistas e entender as mulheres como seres humanos plenos, cidadãs, e que não são propriedade de ninguém. Digo isso porque boa parte das mulheres que atendemos no CRM são mulheres que querem romper o relacionamento e sofrem ameaças de morte e todas as formas de violência que se pode imaginar, por isso é muito importante que a sociedade desconstrua essas visões machistas e entenda que em briga de marido e mulher é preciso meter a colher sim, para defender vidas, já que as vidas das mulheres devem ser vividas com dignidade”, explanou.

Rede de atendimento

Grasiela Lima salientou que é preciso entender que uma mulher que passa por essa situação se sente muito sozinha e está fragilizada pelos processos de violência. “A rede, fortalecida, tem condições de fazer com que essa mulher tome uma decisão importante na sua vida, que é denunciar essa violência, romper esse ciclo e punir os agressores. É uma situação difícil, onde a mulher está em extrema vulnerabilidade. Tem um número que ela vai se lembrar com facilidade, que é o 180. Trata-se do disque-denúncia, onde ela será muito bem orientada sobre os mecanismos que ela tem em sua cidade, onde e a quem ela pode recorrer. Esse é um primeiro movimento para quem está nessa situação, muito nervosa, não sabe o que fazer e está sozinha. De qualquer forma, Araraquara é uma cidade privilegiada que conta com toda uma rede de atendimento, temos todos os equipamentos no município que dão conta de atender essa mulher. Nós constituímos aqui toda a rede de atendimento e o protocolo de atendimento. Essa mulher, se estiver próxima a um CRAS, pode pedir ajuda ali que imediatamente os técnicos e técnicas da unidade vão acionar o Centro de Referência da Mulher e nós vamos até ela. Essa mulher tem várias entradas nessa rede, que pode ser através do CRAS, pode ser através do posto de saúde, pode ser através de uma escola, ou pode procurar o próprio CRM. Se ela procurar o CRM, será acolhida e encaminhada de acordo com o caso”, acrescentou.

Vale completar que, por meio do 180, é oferecido um serviço que registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento. O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Araraquara conta ainda com o Centro de Referência da Mulher “Heleieth Saffioti”, onde é oferecido uma ampla gama de serviços como atendimento psicológico às mulheres vítimas de violência, palestras e oficinas temáticas, além do acolhimento e acompanhamento de mulheres em situação de vulnerabilidade por violência doméstica. Além disso, o município tem a Casa Abrigo para Mulheres Vítimas de Violência “Alaíde Aparecida Kuranaga”, que é um espaço de acolhimento, segurança e proteção para mulheres que lidam com ameaças e risco de morte, e a recém-inaugurada Casa das Margaridas “Yasmin da Silva Nery”, unidade de acolhimento que oferece proteção especial de alta complexidade para mulheres em situação de desabrigo por abandono, migração, ausência de residência e sem condições de autossustento.

A denúncia também pode ser feita à Polícia Militar pelo número 190 e para o Centro de Referência da Mulher pelo telefone (16) 3331-3384. O CRM conta ainda com um plantão 24 horas, que pode ser contatado pelo número (16) 99762-0697.

SECRETARIA MUNICIPAL DE COMUNICAÇÃO
PREFEITURA DE ARARAQUARA

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