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‘Abençoados os que crêem sem ver’

Jesus está presente no pão e vinho, simbolizando o corpo e o sangue. Dá para ver com os olhos da Fé. O Padre Fernando Fraga (Igreja Carismática) defende que todos têm direito à comunhão, inclusive os descasados, os divorciados.

Para alimentar a discussão, um católico que freqüenta a Igreja de Santa Cruz encaminha ao JA pronunciamento do ex-presidente da CNBB, Dom Luciano Mendes de Almeida, publicado pela Folha de São Paulo. Com a violência campeando, com a insegurança geral e muitas injustiças sociais, é salutar falar sobre as coisas do além. Mande a sua opinião: os divorciados deveriam receber todos os sacramentos e, em especial o da Eucaristia?

Dimensão social da Eucaristia

Luciano Mendes de Almeida (*)

O Sínodo dos Bispos sobre a Eucaristia terminou em 23/10/05 com a solene concelebração e canonização de cinco novos santos pelo Papa Bento 16.

O Sínodo, com duração de 22 dias, significou para toda a Igreja um momento de graça, incentivando o crescimento na fé, na esperança e na caridade. O reconhecimento da presença real de Jesus Cristo sob as espécies do pão e do vinho expressa a beleza da fé que os discípulos dedicam às palavras do Divino Mestre. No centro do ato sacrifical em que Cristo oferece, por amor, sua vida ao Pai por nós, a Igreja repete: “Mistério de fé” com adesão total à verdade da entrega de Cristo e à permanência de sua presença sacramental entre nós. Cresce a esperança na certeza de que Jesus prometeu a vida eterna e feliz (Jô 6,39-40).

A celebração da Eucaristia, no entanto, une os discípulos à caridade do próprio Cristo e os fortalece a fim de que possam realizar o mandamento do amor: amar como Cristo ama (Jô 13, 35). O Sínodo, de muitos modos, procurou colocar em evidência o fruto da Eucaristia, que consiste em conformar sempre mais os discípulos ao Mestre. A força espiritual da Eucaristia faz, pela ação do Espírito Santo, acontecer a “passagem” de uma situação de egoísmo e pecado para a vida nova que brota da morte e ressurreição de Cristo. Assim, com o Filho de Deus podemos “vencer o ódio com o amor, a violência com a paz, a soberba com a humildade, a discórdia com a reconciliação e o desespero com a esperança”. Esse dinamismo transforma a existência dos seguidores de Cristo, educando as atitudes dos cristãos para colocar em prática os ensinamentos do Mestre na vivência da fraternidade solidária.

Conforme o método seguido no Sínodo, as contribuições dos participantes convergiram entre plenário e grupos de estudo para a elaboração de proposições que condensam aspectos doutrinais e pastorais. Neste Sínodo, os trabalhos oferecem um total de 50 proposições que se destinam ao Santo Padre com a colaboração para a futura exortação pós-sinodal. Percorrendo as 50 proposições, que já foram divulgadas de modo oficioso, gostaria de sublinhar a dimensão social da Eucaristia.

Com efeito, o sacrifício de Cristo é um mistério de liberação que nos impele a transformar as estruturas injustas da sociedade para restabelecer a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus. Assim, o dinamismo da Eucaristia questiona o atual processo de globalização, que aumentou a desigualdade entre países ricos e pobres, denuncia os poderes políticos e econômicos, que delapidam as riquezas da terra, insiste na justiça distributiva e encoraja os cristãos a empenharem-se na vida política e na ação social. A vivência coerente da Eucaristia deve nos mover para enfrentar a pandemia do HIV, da malária e da tuberculose.

O mesmo anseio para que todos tenham acesso a condições dignas de vida nos leva a uma ação constante contra a droga e o alcoolismo.

O Sínodo recorda que o caminho para a paz exige a cooperação de todos para debelar as inúmeras manifestações da violência, o terrorismo, a corrupção econômica e os abusos sexuais. Esse quadro triste que conhecemos e que nos desafia requer, no entanto, que voltemos o coração para Deus e, fortificados pela sua graça, procuremos construir a paz e a concórdia pela justiça social e pelo perdão recíproco.

Diante da sociedade armada, precisamos aprender que só a bondade desarma e que sem amor o mundo nunca encontrará a tão desejada paz.

(almendes@feop.com.br)

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