A tarefa de harmonizar trabalho e trabalhador

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Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves (*)

O quadro laborativo apresentado pelos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Santa Catarina é o demonstrativo da força do agronegócio, um dos mais importantes motores da economia nacional. Enquanto o desemprego apurado em nível nacional é de 8,6%, naquelas unidades da federação está em 4% e há forte disputa por mão-de-obra vinda de outras áreas. O exemplo de Itajaí (SC) é marcante. Lá existem 1,5 mil vagas de diversos setores disponíveis, que não encontraram interessados. O agro é a grande alavanca econômica que, além de turbinar a formação do PIB (Produto Interno Bruto), coloca o Brasil como celeiro da produção de alimentos e, por consequência, um dos saciadores da fome no Mundo. Não é à toa que a China tem destacado interesse (e hoje é o nosso segundo maior parceiro comercial) e frequentemente somos incomodados por outros produtores de alimentos – especialmente europeus – que nos querem menos produtivos para poderem reputar melhor os seus preços no mercado internacional.

O quadro nos leva a muitas reflexões. O desenvolvimento agropecuário brasileiro, concretizado com o trabalho continuo de sucessivos governos e instituições e, principalmente, dos produtores, que agregaram tecnologia ao campo, demonstra as nossas condições para altas produções e a existência de técnicas e condições climáticas para tanto. Precisamos, no entanto, nos acautelar com os xiitas ambientais muitos deles impulsionados (até sem ter consciência disso) pelos interesses econômicos de nossos concorrentes, que recitam teses não aplicáveis ao nosso território, recebidas dos seus mentores de além-mar. Antes de ser contrários a tudo, os defensores do meio-ambiente brasileiro precisam tomar conhecimento da realidade e dos problemas locais. É impróprio importar os métodos que se aplicam nas regiões de intenso frio e não observar os problemas tropicais. Questão de honestidade de propósitos.

Nesse momento em que os quatro Estados são carentes de mão-de-obra, talvez fosse uma solução a montagem de esquemas que possam facilitar a migração da que esteja disponível em outras regiões. Mas o ideal é que todos os esforços sejam feitos para a formação local. Todas as escolas deveriam, desde o ciclo básico, trazer a preocupação com o suprimento da força de trabalho da própria cidade e região em vez de vender a ideia – por muito tempo acalentada – de que todos um dia ainda serão doutores. É de fundamental importância para o equilíbrio econômico termos a mão-de-obra no nível que as atividades locais necessitarem. A migração – fenômeno tradicional no país por diferentes razões – deve ser a exceção, pois todo indivíduo que sai da região onde nasceu e estão todos os seus familiares tem como objetivo um dia voltar e só não o faz porque lá não encontraria ocupação e renda necessárias à subsistência.

Possuímos invejáveis estruturas do saber em muitas áreas. Isso é um dos pilares que levaram o Brasil a ser uma das dez principais economias do Mundo. O que temos observado, no entanto, é que muitos dos recursos já aplicados na estrutura da Educação acabam se dispersando em atividades secundárias, quando poderiam ser direcionados à busca do equilíbrio entre o mercado de trabalho e a preparação daqueles que poderão ocupar as vagas por ele oferecidas. As mentes preparadas existentes nas universidades, institutos e até nas redes de ensino básico e médio deveriam ser estimuladas a produzir métodos que compatibilizem o aluno com o mercado. Se possível, em escalas diferenciadas onde não se beneficiem apenas os que conseguirem a formação universitária, mas também os que, por alguma razão – muitas vezes econômica – deixarem os estudos inconclusos. Se estes estiverem preparados e motivados para o exercício de funções intermediárias, estará resolvida grande parte do problema de desemprego, emprego e renda e a Nação, certamente, será mais feliz.

São meritórias as escolas profissionalizantes. Mas elas deveriam existir em maior número e com pelo menos o dobro das vagas hoje oferecidas. E voltadas especificamente para as atividades econômicas da região onde estão instaladas. Todos os anos, milhares de jovens chegam à idade de entrar no mercado de trabalho. Tê-los aptos é questão de honra…

(*) É dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) [email protected]

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