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A saideira

João Baptista Galhardo

Luizinho, já falecido, foi casado com Tininha. Era um exímio bebedor de cachaça. Vizinhos parede-meia dos meus pais. Ele gostava tanto de pinga que só o cheiro lhe dava água na boca. Por isso tomava sempre com o nariz tampado. Gostava dela pura. Um dia, sentindo-se muito doente foi com a mulher ao médico que lhe perguntou se fumava.

– Sim. Uns três maços por dia.

– É isso aí! Pare imediatamente se não quiser acelerar a sua morte, disse o médico.

Na saída a esposa o repreendeu: “por que disse isso? Você nunca colocou um cigarro na boca.

– É claro. Se eu falo que bebo ele mandaria parar de beber…

É incrível o número de desculpas que o viciado arranja para justificar o vício. Uns dizem que sabem beber. Outros que sabem a hora certa de parar. A maior parte diz que bebe socialmente.

Há inúmeras histórias provocadas pelo estado etílico do cana brava. A fotografia ou a filmagem seria uma grande arma para recuperar um alcoólatra. Registrando a sua cara de tonto enquanto bêbado para mostrar-lhe quando sóbrio. Como a saúde do Luizinho piorou ele teve de confessar ao médico que bebia. Foi proibido daí para frente. Mudou da cidade e numa carta ao meu pai disse que estava a procura de um médico que pagando duas consultas autorizava beber.

O Fabião diz sempre que bebe mas sabe parar: “quando começo ver tudo dobrado não bebo mais”. Num bar ele falou para o amigo: “estou sóbrio. Vejo muito bem os dois olhinhos daquele cachorro que está entrando”. E o amigo retruca: – então pode parar porque o cachorrinho não está entrando. Ele está saindo…

A polícia parou um cara que estava zizagueando com o carro numa estrada. Para onde você vai? – Para minha casa descansar. Comi demais na festa da igreja. Estávamos comemorando o dia em que Jesus multiplicou os pães e os peixes.

– E o que você bebeu?

– Só uns copos de água.

– Estranho… você está com um bafo de vinho.

– O que o senhor disse seu guarda? Vinho? Aleluia! O Senhor realizou mais um milagre.

Outro pé de cana depois de beber todas, chegou em casa e quis tomar mais uma antes de dormir. Foi para a cozinha, pegou um copo e colocou pinga. Dose caprichada. Acrescentou açúcar, catchup, limão, pimenta, sal, achou uma coisa verde, espremeu, torceu, esmagou e colocou no copo. Tomou tudo de uma vez. Deu uma sacudida na cabeça e disse: – “essa desceu raspando”. E foi dormir. No dia seguinte a sua mulher perguntou: – Benhê, você viu nosso periquito?

Há mulheres que também enchem a cara. Duas amigas íntimas, bem casadas, resolveram sair da rotina. Num sábado à noite saíram juntas. Beberam até ficarem bêbadas. Falaram da vida alheia a noite toda e resolveram voltar para casa. No caminho uma disse: – Cléo, pára o carro. Preciso fazer xixi.

– Que coincidência! Disse a Rê.

E pararam o carro na frente de um cemitério, esvaziando, as duas, na frente de um túmulo. Caracas! Gritou a Rê – como é que eu vou me secar? Enquanto falava a Cléo já havia se secado com a própria calcinha que jogou fora.

– O quê? Gritou a Rê, indignada. “Jamais jogaria fora a minha lingerie de grife. Prefiro secar-me com isto”. E colocou dentro da calcinha uma fita de uma coroa de flores.

No dia seguinte, os maridos, que também eram amigos, comentavam:

– Rapaz, temos que ficar de olho nas nossas mulheres. Você acredita que ontem a Cléo chegou em casa sem calcinha?

– Isso não é nada! Disse o amigo. – Pior foi a Rê que chegou com uma faixa no meio das pernas escrito: “jamais te esqueceremos”.

Um chambregado tinha tomado todas na barraca da quermesse da própria igreja. Assistia a missa quando o Padre perguntou:

– Quem deseja ir para o céu levante a mão.

Todo mundo levantou. Menos o bêbado, sentado lá no fundo. Disse o padre: “o senhor aí atrás, quando morrer não quer ir para o céu ?

E o bêbado: “Ah bão!…Quando morrer eu quero! Pensei que o senhor estava organizando uma caravana para hoje”.

Outros bebem induzidos. O Manoel foi ao oculista e voltou totalmente bêbado. Maria, danada da vida perguntou: – Manoel por que quando vai ao médico volta sempre bêbado?

– Ora Maria, é orientação dele. O doutor disse “leve esse colírio e… pinga de hora em hora”.

Um grupo de anões decide fazer uma partida de futebol entre eles. Alugam um campinho de várzea e para lá vão todos contentes e eufóricos. No local, percebem que não existe vestiário. Decidem então vestir o uniforme no banheiro do boteco ali por perto. Todos entram e se dirigem para o fundo do bar, onde ficava o banheiro. Chega um bêbado já de porre e pede uma bebida. Após alguns minutos passam por ele os anões jogadores de azul. O bêbado não entende nada. Continua bebendo. Em seguida passam os anões de uniforme vermelho. O bêbado chega para o dono do bar e diz:

– Aí cara, fica esperto que os jogadores do pébolim estão fugindo.

Como dizem … o que é de bêbado não tem dono, um sujeito se embriaga e dorme no chão da praça. No dia seguinte percebe que está sem o relógio. De repente passa por ele um rapaz com o seu relógio no pulso.

– Desculpe. Esse relógio é meu.

– Seu nada. Este relógio eu ganhei de um bêbado que eu transei ontem à noite ali na praça.

– Tem razão. Não é o meu, não. Mas que parece, parece….

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