A responsabilidade do “ombro amigo”

Marilene Volpatti

Se um amigo está em crise e nos procura para ajudá-lo a ver o fundo do poço, precisamos ter alguma coisa para oferecer-lhe.

Um amigo procura-lhe desesperadamente. Brigou com a mãe, namorada, vai mal no trabalho. Provavelmente, uma daquelas discussões horríveis com o irmão, que costuma levá-lo a loucura. O que dizer a ele? Afinal, você não é nenhum especialista em comportamento.

Não é só segurando a pessoa pelas mãos que vai ajudá-lo. Tanto você quanto ele vão estar assustados.

Saber ouvir

Uma pessoa em crise acha que ninguém a entende. Precisa, no caso, ser incentivada a por as coisas ruins para fora. A partir daí passará a enxergar melhor a situação e a controlar a ansiedade. O seu papel é observar, esperar e absorver o que ela tem a dizer. Deixe-a falar o que quiser, é possível que seja o suficiente. Em seguida, talvez, irá embora recuperada. Pode até voltar a pedir ajuda. Escute novamente. Só diga alguma coisa quando a situação melhorar.

Hora de pensar

Quando quiser se manifestar diga: “O que você parece estar dizendo é…” ou “por que você acha que fulano agiu assim?”, ou “Como você está se sentindo?” É fundamental que a conversa gire somente em torno dos sentimentos dela. O objetivo é fazê-la colocar todos os sofrimentos para fora. Dessa maneira vai se organizar e entender. Não ofereça solução pronta, como por exemplo: “Abandone esse cara, ele não te merece!” Não vai ajudar a resolver o problema da pessoa.

Autoconfiança

Elogios à inteligência da pessoa ferida, nessa hora, é fundamental. Garanta que vai conseguir superar essa fase ruim. Ela já teve tantos outros problemas e conseguiu tirar de letra. O que não se pode permitir é que assuma ou alimente arrependimentos voltando-se contra si. Diga que gosta dela e que estará sempre a seu lado. Quem não gosta de ouvir isso de um amigo? Faz bem…

Mártir

A amiga liga desesperada, mas, tempo depois, disse que tinha exagerado e que estava bem. O problema, talvez, seja a dificuldade em pedir socorro. Deve-se pensar nessa hipótese. Sugira-lhe que análise a situação com cuidado. Há mulheres que preferem fingir que está tudo bem, porque ficam constrangidas diante de seus problemas. Precisam, então, ser convencidas de que também têm direito de ser feliz, de buscar solução para o seu problema.

Obsessão

O medo, é o maior obstáculo para resolver problemas. Para superá-lo, deve-se examinar as piores conseqüências possíveis de uma determinada ação. Por exemplo: “Qual o fato mais terrível que pode acontecer agora?”, você pergunta ao amigo. “Perder o emprego”, ele responde. “O que isso representa?” “Não ter como pagar minhas contas e comer.” “Então, eu lhe empresto dinheiro até achar outro emprego!”.

Esse diálogo vale, também, para outros casos. Se for briga com parceiro, peça ao amigo para visualizar o cenário mais tenebroso, no qual todos so seus receios se concretizem.

Na maioria das vezes, quando examinados à luz do dia, os problemas não são tão grandes como pintam durante a noite. Quando se der conta disso, vai se abrir para iniciativas positivas.

Perder a calma

Pessoas carentes, geralmente, são péssimas companhias. Reclamam e se lamentam o tempo todo. Repetem as mesmas coisas centenas de vezes e se recusam a ver o que é perfeitamente claro para o resto do mundo. Não raro são agressivas para compensar frustrações. Se tiver paciência, deixa a pessoa desabafar. Os psicologos sugerem que numa eventual agressão, reaja dizendo: “Você deve estar muito nervoso para dizer uma coisa dessas, já que o problema não tem nada a ver comigo” Depois, retome a conversa normalmente.

Derrubar, jamais

Por mais que o amigo fale mal de outra pessoa para você, jamais dê sua opinião. Nunca diga: “Sempre o achei insuportável”. No amanhã os dois podem voltar às boas e você será o vilão da história. É matemático…

Tentar ser o bonzinho

Você não conversa com um amigo para mostrar como é sensível, solidário e entendido em psicologia. Se você for embora sentindo-se melhor consigo mesmo, é bem provável que não tenha ajudado muito quem mais precisava.

Encerrando

Acima de tudo, nunca diga ao seu amigo o que deve fazer, não vai resolver nada. O que ele precisa é de apoio e de alguém para escutá-lo. Deixe que tente resolver e entender a situação, para que se sinta fortalecido, lúcido e capaz de agir sozinho. Ensine a pescar, não dê o peixe somente.

Serviço

Consultoria: Drª Tereza P. Mendes – Psicoterapeuta Corporal – Fone:- 236- 9225.

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