A falta de acesso às redes sociais ontem, revelou parte de uma sociedade nomofóbica, revela neurocientista

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Foto: Jennifer de Paula - Neurocientista Fabiano de Abreu

O apagão das redes sociais nesta segunda-feira revelou um caos muito além de uma questão tecnológica. O PhD, neurocientista Fabiano de Abreu alerta para uma sociedade cada vez mais dependente dos conteúdos digitais e que corre sérios riscos para a saúde física e mental.
A segunda-feira de caos nas redes sociais trouxe à tona muito mais do que a falta de acesso ao WhatsApp, Instagram e Facebook. Se por um lado as pessoas tiveram que passar horas longe de seus conteúdos digitais favoritos, por outro muitas revelaram o quanto estão dependentes destas ferramentas, e isso pode trazer sérias consequências para a saúde física e mental.
“Ontem, diferente das outras vezes, os aplicativos ficaram mais de 6 horas offline. Mediante a este acontecimento, monitorei o comportamento das pessoas durante e após a volta destas redes sociais”, apontou o PhD, neurocientista, psicanalista e biólogo Fabiano de Abreu. “Se mediante a isso a pessoa pegou no celular para buscar constantemente algo para fazer ou analisou se já havia voltado. Se a pessoa buscou outras redes sociais, isso já serve de alerta para um possível vício. A depender do grau que isso afetou, revelando o tamanho do problema”, acrescenta.
Diante deste cenário, Fabiano inclusive lembra de um passado não muito distante: “Há pouco tempo atrás não tínhamos essas redes e vivíamos. O que acontece hoje com o comodismo para que não consiga usar outros meios e argumentos no cotidiano?”, questiona. Para saber se a pessoa está sofrendo deste vício, o neurocientista cita algumas situações que aconteceram com muitos usuários durante este tempo em que os aplicativos ficaram fora do ar:

– “Ficou parado olhando para o celular sem saber o que fazer”.
– “Entrava nos aplicativos constantemente para ver se havia voltado”.
– “Entrou em aplicativos que não costumava usar e ficou perdido”.
– “Sentiu agonia”.
– “Vazio existencial”.
– “Ficou impaciente e/ou irritado”.
– “Teve a impressão de receber notificação”.
– “Alteração de humor”.

“Se você sentiu muitos destes sintomas durante o dia ontem, é bom acender o sinal de alerta, pois são sintomas que têm relação com a nomofobia”, observa Fabiano. Para piorar, existe um contexto em que essa doença se revela ainda pior para a pessoa: “Há casos em que a pessoa sente tanto essa ausência que pode apresentar náuseas, sudorese, entre outros sintomas físicos”, pondera.

Mas, o que causa a nomofobia?
Segundo o neurocientista “no cérebro, na região dos núcleos da base trabalhando com o sistema límbico, a sensação de prazer que a liberação de dopamina promove a cada novo like ou expectativa de mensagem recebida na rede social transforma o hábito em vício, estimulando a ficar cada vez mais online buscando recompensa, aumentando a ansiedade que funciona como pendência para esta busca”.
Além disso, “a função da dopamina é fornecer um feedback positivo, uma recompensa ao organismo, que torna-se uma busca constante. Isso é compensatório já que a ansiedade por si só tende a buscar mais ou entra em uma atmosfera ruim pedindo mais recompensa. Como um ciclo”, completa.

Sobre o especialista

PhD, neurocientista, mestre psicanalista, biólogo, historiador, antropólogo, com formações também em neuropsicologia, psicologia, neurolinguística, neuroplasticidade, inteligência artificial, neurociência aplicada à aprendizagem, filosofia, jornalismo e formação profissional em nutrição clínica – Diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, UniLogos; Membro da Federação Européia de Neurociências e da Sociedade Brasileira e Portuguesa de Neurociências. Universidades em destaque: Logos University International, UniLogos, Nova de Lisboa, Faveni, edX Harvard, Universidad de Madrid. (Créditos de: Jennifer de Paula) – Suporte MF Press Global

Foto: Freepik
Foto: Jennifer de Paula – Neurocientista Fabiano de Abreu

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