A esperança é o combustível da vida

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Padre Antonio Xavier - crédito Canção Nova

Padre Antônio Xavier (*)

A esperança corresponde à aspiração de felicidade existente no coração de cada pessoa. A certeza que algo muito bom um dia acontecerá em sua vida. Interessante observar que quem perde a esperança mais profunda perde o sentido de sua vida, pois sem esperança, viver não tem sentido. O próprio antônimo dessa palavra é desespero, ou melhor, a perda quase que em estado definitivo da esperança. O desespero é capaz de corroer o coração.

A esperança é um recurso contra o desânimo, contra a possibilidade de invasão do egoísmo, porque é apoiados nela que nos dedicamos à construção de um mundo melhor. A perda da esperança endurece nossos sentimentos, enfraquece nossos relacionamentos, deixa “tudo” cinza, faz a vida perder parte do seu sabor. E todos os dias somos atingidos por inúmeras situações que podem nos desesperar.

A esperança é combustível da vida, e a forma de mantê-la viva é não prender os olhos na estratégia. Existe na mitologia grega a presença de uma figura interessante, que é a fênix, uma ave que quando morria entrava em autocombustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas. Nossa vida, por vezes, precisa passar por este processo. Várias vezes acontece num único dia, ou seja, sair das tragédias para contemplar a beleza que não morreu, a vida que resiste ainda e se refaz como a fênix. Alguns estudiosos dizem que o que traria a fênix de volta à vida seria somente seu desejo de continuar viva. O desejo de continuar a viver era sua paixão pela beleza que é a vida.

Vida sem sabor é uma vida sem expectativas de quem cansou de tentar, de lutar, desistiu de tudo. Esta seria uma vida que apenas espera o seu fim por pensar que nada que se faça possa mudar coisa alguma; perdeu a capacidade de sonhar, o desejo de felicidade. Felizmente não existe motivo para desanimar, lembrando as palavras de São Paulo: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Não falamos aqui de qualquer esperança, mas da autêntica esperança, que não apóia-se em ilusões, em falsas promessas, condicionada a uma ilusão popular que tenta explicar tudo.

A esperança vinda de Deus é muito realista, pois não tem medo de dar às situações seu verdadeiro nome, porque conserva a certeza de que Deus está sempre presente. Retira o medo de rever as próprias posições e leva a mudar o que precisa ser mudado. A verdadeira esperança vinda de Deus nada mais é que a certeza de que tudo pode ser melhor do que o que vemos, porque Deus nos aguarda no fim da estrada. Ela produz o desejo de caminhar na direção da vida, atraído por sua beleza que, no momento, pode somente ser sonhada, mas é contemplada pelo coração.

Assim nos convida a carta de São Pedro, a estarmos “prontos a dar o motivo de nossa esperança” (1Pd 3,15). Dar esse motivo com nossas palavras às pessoas e dar resposta às situações, que podemos viver, que Deus está conosco, e que eles não durarão para sempre. A esperança cresce em nós à medida que cresce a certeza de sermos amados por Deus. Ele que nos ama, jamais nos abandonará, afinal o que pode nos separar do amor de Cristo? Responde São Paulo que “em tudo somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou” (Rm 8,35-37). Mas não é o desejo de vitória que nos aproxima de Deus, isso não seria esperança. É o desejo de Deus que nos aproxima da vitória, porque a esperança se apoia na certeza de que Deus está sempre conosco, porque realmente está!

(*) É missionário da Comunidade Canção Nova

(Depto. Comunicação – Assessoria de Imprensa – Fundação João Paulo II / Canção Nova – assessoria.cancaonova.com)

 

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