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A Cultura em Diálogo

"Só por hoje, tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver os problemas da minha vida, todos de uma vez".

Bom dia. Já estamos em plena campanha política em nossa cidade e em todo o país. Em função disso, não poderia de forma nenhuma deixar de fazer uma última referência a Maceió, capital de Alagoas. Na semana em que lá estive, vi muitas carreatas, discussões sobre política e os atuais candidatos, propaganda, muita propaganda política. Houve até um debate pela TV Gazeta (Globo Local), que pertence à família Arnon de Mello. Quem não se lembra de Fernando Collor de Mello? Os três candidatos da cidade expuseram seus pontos de vista, fizeram promessas e já estão tentando convencer o povo que um é melhor do que o outro.

Bem a propósito, quando se está em Maceió, no mês de junho/julho, é inevitável assistir a uma apresentação de quadrilha ou mesmo apreciar um bom forró. Foi em uma dessas apresentações, que assistimos ao poeta-cantador Messias Lima. Ele interpretou um forró de sua autoria, intitulado "Quero ser Prefeito". O tema é totalmente atual. Infelizmente, muitos de nossos políticos agem de acordo com a letra desse verdadeiro poema moderno. Só espero que, aqui em nosso cidade, essa verdade seja uma utopia.

Leia com atenção os versos da música "Quero ser Prefeito".

(Começa com o candidato falando para o povo, em um discurso):

– Meus amigos de minha terra: sou candidato a prefeito pelo meu município. Era um sonho meu trabalhar por vocês. Vem aí o meu plano de governo.

(Vejam suas intenções – ele canta):

– Quero ser prefeito, eu quero ser prefeito.

Na minha cidade eu vou fazer tudo direito.

Vou construir colégio e um hospital, uma casa funeral para ajudar meus eleitores. Vou dar emprego para todos os meus parentes. Vou trabalhar juntamente com os meus vereadores. Vou comprar terra, comprar gado e carro novo, depois eu tapeio o povo com três inaugurações. Eles não sabem, pensam que eu estou com eles, mas eu só preciso deles no dia das eleições.

Quero ser prefeito, eu quero ser prefeito.

Na minha cidade eu vou fazer tudo direito.

(Ele discursa novamente, após ser eleito):

– Meus amigos, muito obrigado pelo voto de vocês, agora que estou eleito, tá na hora de pôr em prática o meu plano de governo. Muito obrigado, um abraço do prefeito Messias Lima.

(Depois de eleito, a triste constatação – ele canta):

– Eu bem que disse a vocês, sempre fui muito sincero. Eu disse que era assim, não acreditaram em mim, votaram porque quiseram.

Em meu discurso eu fui claro e evidente, falei sobre os meus parentes a quem eu ia ajudar; não prometi nada de bom para o povo, terra, gado e carro novo eu disse que ia comprar. Já fui eleito; comigo ninguém se engan;, o povo é que se dane, eu tô querendo é me arrumar.

(Aí, quando o povo vai procurar pelo prefeito!!!):

– Por favor, eu queria falar com o prefeito.

– Não pode, minha filha, ele está em reunião.

– Eu queria falar com o prefeito.

– Está viajando.

– Eu queria falar com o prefeito.

– Agora não pode, moço, ele foi para a fazenda.

Vamos voltar à realidade e falar mais uma vez sobre a nossa inculta e bela Língua Portuguesa. Agradecendo mais uma vez a colaboração do jornalista Edilson Fragalle.

Existem muitos erros ou inadequações cometidos pelos jornalistas, quando da utilização de nossa língua?

Vejamos então:

De uns cinco, seis anos para cá, assistimos na mídia a uma carnificina do português, que contamina cartas dos leitores, artigos de opinião e, o que é pior – por alimentar o círculo vicioso -, focas do jornalismo.

Alguns exemplos, colecionados ao longo das últimas semanas:

** Irá escrever / vou estar escrevendo

Escreverá ou vai escrever, como pede a nossa língua, nem pensar. Tem que usar o colonizado “will” do inglês. Não existe “vou estar escrevendo”, deixe para suas aulas de inglês.

** Enviar para. Ninguém mais envia alguma coisa a alguém, mas para alguém. Praga que se estende a outros verbos: dar para o pobre, em vez de dar ao pobre; pedir para ele, em vez de pedir a ele. Deve ser resultado da má qualidade da escola, que não ensina mais ao aluno regência de verbo. Como parece que repórteres e redatores atuais não sabem mais conjugar verbos, combinar e o que dirá contrair preposição e artigo… No caso específico, enviar para não existe. A única forma correta é enviar a.

Ajuda muito a postura colonizada dos “novijornalistas”: como os bons e velhos tradutores estão saindo de cena nas redações, traduz-se o verbo inglês “send to” como “enviar para”.

** Onde. “Uma época onde”, “uma novidade onde”; “Muitas cores, onde a variedade…”, “Uma revolução de arquivos, onde”… E por aí vai, dia após dia, na TV, na imprensa. Desconhecem que o uso de onde se aplica apenas a lugar: “Vim da redação, onde vi um bando de analfabetos”. Mais uma praga do mau inglês: os ignorantes daqui reproduzem as mancadas dos ignorantes de lá.

** Dentro de. Não se usa mais em, no. Só se vê “dentro do partido”,”dentro da escola”, “dentro da empresa”. Vem de onde? De lá: “Inside the company…”

** Segunda-feira, Terça-Feira, Agosto, Setembro. Assim mesmo, em maiúsculas. Só porque dias da semana e meses do ano são grafados desse jeito em inglês. Nossos colonizados executivos e secretárias determinam essa grafia, e o rebanho obediente vai atrás.

Romildo Guerrante, na edição nº 13 do site Nave da Palavra, de 15/10/99, fala da “novilíngua” das secretárias (“Ele não se encontra” e “Quem gostaria?”) e de seus chefes: “Os economistas pegaram a palavra ‘apoio’ e a substituíram por ‘suporte’, que eu tenho lá em casa para não deixar a estante cair. Trouxeram diretamente do inglês, sem a menor preocupação com a existência de uma palavra apropriada na língua-mãe.”

Na próxima semana, daremos continuidade a esta matéria, que nos mostra quanto está deficiente a nossa classe de jornalistas.

Desejando dar sua opinião sobre esta matéria ou sobre "Quero ser Prefeito", mande e-mail – celp@terra.com.br

Até à próxima semana.

Profª Teresinha Bellote Chaman

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