"Aprendi, com as primaveras, a me deixar podar e sempre voltar inteira".
Bom dia. "Ai que saudade do céu, do sal, do sol de Maceió…" É esse o refrão de uma música muito gostosa, interpretada por Ivaldo Maceió. Estive lá. Em Maceió. Como é bom poder desfrutar de novos ares, ver novas paisagens – principalmente paisagens à beira-mar. Tive o prazer, juntamente com os meus, de conhecer praias maravilhosas: praia do Gunga, Pajuçara, Ponta Verde, praia do Francês, Maragogi, Paripuera. E o encantamento que é a foz do Rio São Francisco! O velho Chico encontra-se com o mar entre os extremos dos Estados de Maceió e Sergipe. É muita água, salgada de um lado e doce de outro. Você vê água, até perder de vista. Conhecer um pouco das histórias de políticos famosos, que possuem seus reinados longe… bem longe do chamado eixo da civilização. A Família Lyra, dois irmãos muito conhecidos – um deles pai da maravilhosa Teresa Collor (quem não se lembra). Eles possuem uma plantação de cana, que segundo os números, dão inveja a nossos usineiros locais. A extensão das plantações confunde-se, às vezes, com a extensão do mar. Até onde os olhos alcançam pertence aos Srs. Lyra.
Foi bom conhecer uma culinária diferente, gostosa, forte, de sabores exóticos. Foi bom. Muito bom. "Ai que saudade do céu, do sal, do sol de Maceió…" Na próxima semana publico algumas fotos de Maceió.
Quero mais uma vez agradecer ao meu amigo jornalista, Edílson Fragalle, essa brilhante colaboração.
POR QUE O TEMPO PARECE ACELERAR?
O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca, vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio… você começará a perder a noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo, sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sangüínea. Então… quando o tempo suficiente houver passado, você perderá completamente a noção das horas, dos dias… ou dos anos. Estou exagerando, para efeito didático, mas em essência é o que ocorreria.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr-do-sol. Se alguém tirar esses sinais sensoriais da nossa vida, simplesmente perdemos a noção da passagem do tempo.
Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem de considerar: nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco, se o cérebro tivesse de processar
conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte desses pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia. Para que não fiquemos loucos, o cérebro faz parecer que nós não vimos, não sentimos e não vivenciamos aqueles pensamentos automáticos, repetidos, iguais.
Por isso, quando você vive uma experiência pela primeira vez, o cérebro dedica muitos recursos, para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e “apagando” as experiências duplicadas.
Se você entendeu esses dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir, tudo parece muito complicado, o câmbio, os espelhos, os outros veículos… nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia, dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais, ou até falando ao celular (proibido no Brasil), ao mesmo tempo. E você usa apenas uma pequena “área” da atenção para isso.
Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente). O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e as usa, no lugar de repetir realmente a experiência). Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente.
Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa… são
apagados de sua noção de passagem do tempo… Por que estou explicando isso? Que relação tem isso com a aparente aceleração do tempo? Tudo.
A primeira vez que isso me ocorreu foi quando passei três meses nas florestas de New Hampshire, Estados Unidos, morando em uma cabana. Era tudo tão diferente, as pessoas, a paisagem, a língua, que eu tinha dores de cabeça sempre que viajava em uma estrada, porque meu cérebro ficava lendo todas as placas (eu lia mesmo, pois tudo era novidade para mim).
Foram somente três meses, mas ao final do segundo mês, eu já me sentia como se estivesse há um ano longe do Brasil. Foi quando comecei a pesquisar a razão dessa diferença de percepção.
Bastou eu voltar ao Brasil e o tempo voltou a “acelerar”. Pelo menos,
assim parecia. Veja, quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir? As mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações… enfim… as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades) vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete, que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na
semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a… r-o-t-i-n-a.
Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
OBS.: Essa matéria que o Fragalle me enviou tem uma – vamos dizer – resposta, que publico no próxima semana. Não perca a edição seguinte.
Até lá – desejando manifestar-se – celp@terra.com.br
"O nosso modo de nos relacionarmos com as coisas do mundo deve dar-nos a medida exata do significado do tempo e das distâncias, como leais conselheiros".