"O amor nasce do conhecimento mútuo e se fortalece na compreensão das diferenças".
Bom dia. A pedidos segue: teste o seu Português. Você já sabe: as repostas, na próxima semana, uma por dia, no programa Mestre-Cuca, sempre às 19h30m, na Rede Mulher de TV.
1 Complete as frases utilizando as palavras: iminente – eminente.
a – Sr. Allan Vila Espejo é um _____________ "Chef" de Cozinha.
b – Aguardamos a ___________ entrada do "Chef" Allan no Vila Conti, seu restaurante.
2 Percebi que você ______________ seu bom apetite. Almoçar no Al Mare é gostoso _______!
a ( ) retifica – de mais
b ( ) ratifica – demais
3 – Quando usar: passo-a-passo ou passo a passo?
a – "Chef" Allan é meticuloso. Encena o ___________ de cada uma de suas receitas.
b – Aquela velha senhora entrou __________ no restaurante.
4 – Todas as vezes que o Emílio vai gravar o Mestre-Cuca, leva seu livro de receitas_______ do braço.
a ( ) de baixo
b ( ) debaixo
c ( ) de-baixo
5 – Existe algo incorreto na frase abaixo? Você é capaz de apontar as incorreções?
Na saída daquele restaurante a beira mar, recebi um bem me quer daquele simpático garçon bem educado.
Vamos no deleitar com a crítica literária de JOSÉ CASTELLO, a quem peço permissão de publicar: A PRAGA DE KAFKA.
A imagem de Frans Kafka perdura, tênue, mas insistente, na paisagem da Praga de hoje. Primeiro, e é inevitável, ela se guarda no número 22 da Rua dos Alquimistas, já nas dependências do fabuloso Castelo Hradcany, o mais célebre da República Checa, num domicílio minúsculo que o escritor alugou em 1916 em busca de um pouco de silêncio. Na pequena casa, a menor da rua, que se resume a dois cômodos além de uma minúscula cave no subsolo, Kafka escreveu os relatos de Um médico rural. A indústria do turismo transformou a Rua dos Alquimistas, que ao longo dos séculos tem sua histórica associada a lendas esotéricas, num centro de peregrinação e o número 22, a casa de Kafka, numa loja em que se vende a memória do escritor – desde seus livros, suas fotografias, estudos sobre sua obra, até canetas, lenços, cadernos, camisetas, objetos vulgares adornados por seu retrato. É um local de veneração: os turistas se enfileiram à porta de entrada, abrindo apenas uma brecha para que o número 22 apareça, e tiram fotografias. Kafka a alugou por vinte coroas mensais, para lhe servir de estúdio. Sozinho, ali passava as horas trabalhando. Nos intervalos, gostava de caminhar lentamente pela Rua dos Alquimistas (que também é chamada de Rua do Ouro), em especial quando ela estava coberta pela neve. Hoje, sempre apressados, os turistas a atravessam, depois de comprar uma ou duas coisas, e às vezes Kafka parece improvável e distante.
Construído no ano Mil e várias vezes reconstruído, o castelo Hradcany é, na verdade, uma imensa cidadela que inclui prédios e monumentos civis, religiosos e administrativos. Pode ser avistado de toda a Praga -embora o melhor panorama se divise quando se atravessa a Ponte Carlos, a mais bela das pontes que cruzam o Moldava, que leva do centro da Cidade Velha diretamente ao morro do castelo. É um espaço luminoso, agitado por visitantes vindos do exterior, em que se descortina uma visão espetacular da capital checa, agitado por ambulantes, músicos e mercadores, o oposto, portanto, do obscuro e inacessível castelo de seu célebre romance. A imagem de Kafka está fortemente espalha, ainda, pelo Bairro Judeu, em particular na zona que cerca Velha Sinagoga. Foi em torno dessa Praga hebraica, famosa por seu sombrio cemitério e pelo palácio em cujas paredes se estampa um relógio cujos ponteiros giram em sentido contrário (isto é, um relógio ameaçador, que não conta o tempo que passou, mas o tempo que falta passar), foi ali que Kafka começou a escrever América e também A metamorfose.
Com seu amigo Max Brod, o escritor freqüentou muitos cafés, como o da Casa da Municipalidade, até hoje um dos mais belos de Praga. No Café Louvre, na rua Národní, novamente sua lembrança pode ser evocada. Ali se reunia um conhecido círculo filosófico freqüentado não só por ele e Brod, mas também por intelectuais como Hugo Bergmann e Felix Weltsch, no qual se estudavam as idéias do filósofo Franz Brentano. Nas mesas do Louvre, durante um difícil período, Brod e Kafka tiveram seu mais ríspido estremecimento. O interesse pela filosofia também o levou não a outro café, mas à casa de Berta Fanta, mais conhecida como Casa do Unicórnio, na praça da Cidade Velha, onde se lia Kant e Hegel. Entre os amigos de Berta, o interesse pela filosofia se mesclava com uma curiosidade não menos intensa pelo ocultismo e, em particular, pelas idéias de Helena Blavatsky. Nesse aspecto Kafka era, entre todos, sempre o mais cético.
A figura de Frans Kafka persiste, ainda, no feio prédio neobarroco dos Seguros Gerais, no número 19 da praça de Wenceslao, onde ele começou a servir em 1907. Trabalhava das oito da manhã às oito e meia da noite, só tinha sete dias de férias por ano e ganhava apenas 80 coroas mensais. No ano seguinte, para sua sorte, conseguiu ser transferido para o Departamento de Seguros e Acidentes de Trabalho, onde passou longas e aborrecidas horas como funcionário auxiliar, até se aposentar em 1920. Ali, entre pilhas de processos, carimbos e arquivos, e enquanto sonhava com a vida em países remotos, ele arquitetou as primeiras idéias de O processo. Já levava, então, uma vida mais livre, pois trabalhava apenas até as duas e meia da tarde. Depois do expediente, saía para caminhar e quase sempre podia ser visto atravessando a Ponte Carlos que, erguida sobre dezesseis arcos, está decorada por imagens magníficas de santos menonitas e até hoje é o coração de Praga.
Para o turista que visita Praga, a imagem de Kafka é oferecida, metodicamente, através das placas municipais que registram sua passagem pelos diversos prédios históricos, exposições temporárias, citações em camisetas, chaveiros, baralhos e canecas. A relação dos checos com Kafka, porém, parece um pouco ambígua; se de um lado dele se orgulham e o reverenciam, de outro lado, ele – que era judeu, escreveu em alemão e não em checo e sempre foi um desviante – não chega a compor a imagem de um personagem nacional, dificilmente se prestando à figura de herói. No fim da vida, Kafka alugou um apartamento no estupendo Palácio Schönborn, e ali viveu rodeado pelo jardim luxuoso, num ambiente elegante, decorado por afrescos. Foi nesse palácio que, pela primeira vez, ele vomitou sangue, sinal da morte precoce que se avizinhava. Há, finalmente, seu túmulo, adornado pela lápide cubista da família Kafka, no Novo Cemitério Judeu. Ali, como nada se pode ver além da pedra, ali onde a imagem de Kafka não é vendida, nem convertida em souvenir, ali onde basta uma fotografia, um pouco mórbida e o que domina é o silêncio, ele parece estar mais perto. (FIM)
"Quando me aceito como sou, já estou me modificando".
Até à próxima semana. Contatos – celp@terra.com.br
Profª Teresinha Bellote Chaman