Teresa Cristina Telarolli, indicada pela Sarah Coelho para o destaque da página Gente do JA. É formada em Ciências Sociais pela UNESP de Araraquara, deu aulas de História e Geografia em escolas públicas e privadas da região de Araraquara por cerca de 4 anos. Trabalhou por 13 anos no Banespa (agências de Araraquara e Jaboticabal), em que era gerente de empresas e de onde saiu espontaneamente em 2002.
Retornando a Araraquara passou a se dedicar integralmente a escrever pesquisas, resultando dessas atividades a publicação dos livros “Uma história em três tempos”, sobre a família Zanin e “ACNBA – 50 anos de Sucesso” sobre a trajetória da Nipo-Araraquara, em co-autoria com a Prof. Dra. Regina Martins. Atualmente, encontra-se em fase de acabamento o livro que conta a história do Clube Náutico Araraquara, cujo lançamento dar-se-á ainda neste ano.
Além disso, tem uma coluna semanal denominada CRONICANTIGA, no jornal O Imparcial.
Os seus pais são de Araraquara. Pelo lado do pai, eram imigrantes italianos que acabaram por se sediar aqui e, do lado da mãe, os Leite e Amaral, eram aquela miscelânea bem brasileira que mistura alemão, negro, português, caboclo enfim.
Embora as famílias tenham se pulverizado muito, como é normal, ainda há muitos parentes que continuam nesta terra e aqueles que sairam mantêm, em sua grande parte, algum vínculo.
A primeira indagação é, pois, sobre esta cidade tão cheia de história.
JA- O que representa Araraquara em sua vida?
TCT- Não é apenas a cidade onde nasci e construí boa parte da minha trajetória; Araraquara é, acima de tudo, uma cidade diferenciada em diversos aspectos. Com invejável infra-estrutura, bem dotada de empresas e de mercado consumidor; além disto, oferece lazer para todos os segmentos sociais e etários.
E tudo isso, para não dizer que acho Araraquara uma cidade linda e, ainda por cima, com um maravilhoso pôr-do-sol.
Sua presença na Secretaria da Cultura de Araraquara.
Fui convidada pelo Prefeito Edinho para coordenar a área de Preservação de Patrimônio e Memória. Neste momento, ocupo o cargo de Gestora de Projetos na referida área e tenho sob minha responsabilidade (nessas áreas especificamente), a Discoteca Municipal “Jofre David”, a Biblioteca Municipal “Mário de Andrade”, o Arquivo Público Histórico “Prof. Rodolpho Telarolli” e o Museu Histórico Pedagógico “Voluntários da Pátria”.
Na área da Memória…
A área de preservação da memória está estreitamente vinculada à preservação de patrimônio histórico, sendo impossível dissociar uma coisa da outra. A minha função está exatamente na elaboração de políticas e projetos que tenham por eixo a manutenção e preservação da memória de Araraquara, em suas mais diversas formas de expressão, logicamente que apoiada por uma equipe técnica com competência para abarcar aquelas áreas de maior especificidade.
Esta não é uma tarefa simples, pois faz-se necessária uma mudança na maneira de pensar das pessoas, que costumam associar o progresso com a destruição do antigo e isto fica bem claro quando olhamos retroativamente e vemos a demolição do antigo Teatro Municipal ou a queima indiscriminada de documentos, livros e fotos, não apenas promovidos pelos setores públicos, como por cidadãos que desconhecem ou não compreendem a importância da preservação da memória de um povo.
Como despertar o interesse pela arte e pela cultura?
A forma mais eficiente é o que essa administração vem tentando nos últimos 4 anos e ampliaremos agora, ou seja, a democratização do acesso à cultura. Esse é um caminho longo e árduo, pois é necessário um trabalho amplo de inclusão e convencimento de que a arte e os espaços culturais são de toda a população e não de uma elite econômica e intelectualmente dominante.
A partir disso, vem a elaboração de uma programação e de projetos que se façam atraentes para os cidadãos, assim como uma ampla divulgação daquilo que a cidade oferece.
Bons exemplos desse modelo vitorioso são as Oficinas Culturais, os Portais do Saber e as “Contações de Histórias” no Arquivo Público Histórico e no Museu que vêm atraindo milhares de jovens usuários para esses espaços.
Como se envolveu nesta área?
Antes de mais nada, por uma questão de afinidade pessoal; posteriormente, minha própria opção acadêmica veio ao encontro para reforçar essa afinidade e, finalmente, a maturidade me preparou para produzir uma guinada profissional que aliasse afinidade, formação acadêmica e uma imensa vontade de intervir de forma positiva nas questões da preservação da memória de Araraquara.
Fale sobre o que representa a leitura em sua vida
A leitura é, talvez, um dos meus mais antigos hábitos; é um prazer permanente e uma conexão perene com o mundo e com a história. É melhor que qualquer droga, pois você “viaja” e ainda não tem ressaca ou mal-estar…
Por que nosso povo é pouco motivado para leitura?
Começa que o brasileiro é pouco e mal alfabetizado, o que por si só representa uma barreira e tanto; além disso, ler tem de ser um prazer cultivado – se possível – desde muito cedo e quando você tem um exército de crianças e jovens carentes vagando pelas ruas, dá para entender que a leitura não esteja na ordem de prioridades de quem tem de lutar cotidianamente pela alimentação, saúde, emprego e justiça social.
Afora isto tudo, nas classes mais privilegiadas, a TV, os games e outros recursos de forte apelo visual acabam por atrair mais que a perspectiva de um livro, que exige um mínimo de concentração e boa vontade.
Como mantém sua vida espiritual?
Basicamente tentando não prejudicar ninguém, ser leal nos relacionamentos, não me “preocupando com a vida alheia” e, acima de tudo, procurando ser solidária com todos. Acho que ser cristã é isso; basta tentar unir a ética e o afeto nos mais diversos universos da vida da gente.
O que representa a família?
É a origem e o fim; é o que motiva a voar e retornar. É a semente e o fruto; é o porto seguro do amor incondicional, pouco importando o acerto ou o erro.
Como passa seus momentos de lazer?
Encontrando os amigos, indo ao cinema, tomando uma cervejinha, viajando quando é possível, ouvindo música, lendo ou fazendo exercícios, quando a correria permite…
Sua mensagem
Estar vivo é manter a capacidade de se indignar, priorizando sempre o coletivo, em detrimento da vantagem individual.