2022: perspectivas para o cenário econômico brasileiro

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Em meio a um clima de dúvida sobre os rumos da pandemia e os desdobramentos das eleições no Brasil, um dos assuntos mais discutidos é como a economia deve se comportar em 2022.

O principal desafio da agenda econômica, para esse ano, segue sendo o combate à inflação – fenômeno global que, no Brasil, foi acentuado pela taxa de câmbio elevada, a situação fiscal do país e a instabilidade política trazida pelas disputas eleitorais. E esse movimento tem efeito sobre outros indicadores econômicos, como a taxa de juros, a atividade econômica, o emprego e a renda da população.
A alta de preços é um problema não só aqui no Brasil, como também no exterior. Os desequilíbrios entre oferta e demanda, além dos pacotes de estímulo fiscal adotados para mitigar os prejuízos econômicos causados pela pandemia, subiram os preços no mundo todo e colocaram a economia de vários países em curso inflacionário, aumentando a pressão sobre os bancos centrais para elevarem as taxas de juros e, assim, conter a alta de preços.

Dados divulgados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que a taxa média anual de inflação nos países de alta renda atingiu o maior nível em 25 anos e chegou a 5,8% em novembro de 2021, influenciada, sobretudo, pelo encarecimento dos alimentos e da energia. A alta foi particularmente acentuada nos Estados Unidos (6,8%) e na zona do euro (4,9%).

No Brasil, a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou o ano em 10,06% – bem acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central (5,25%). Para controlar o aumento de preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um processo de subida forte na taxa básica de juros (Selic), que passou de 2% em março de 2021 para 9,25% em dezembro e deve subir mais 1,5 ponto percentual em fevereiro, para 10,75%.

Na prática, os juros mais altos inibem o consumo das famílias, encarecem a obtenção de crédito pelos consumidores e estimulam as aplicações financeiras, contribuindo assim para amortização da alta inflacionária. No entanto, a elevação da Selic encarece também a obtenção de crédito pelas empresas, reduzindo os investimentos do setor produtivo. Desta forma, parte da atividade econômica é sacrificada em nome da contenção dos aumentos de preços.

Para 2022, portanto, é esperado que a economia oscile entre crescimento baixo e estagnação, o que também impacta fortemente o mercado de trabalho. E como o emprego tem uma correlação forte com a atividade econômica, com este cenário de estagnação que deve continuar, principalmente devido às altas dos juros e do câmbio, é provável que a expansão dos empregos ocorra de forma mais lenta e com aumento da informalidade.

Mas, mesmo assim, a inflação ao consumidor deve perder força este ano, ainda que não retorne ao ritmo pré-pandêmico. No Brasil, isso se deve à expectativa de recorde para a próxima safra de alimentos, ao arrefecimento dos preços das commodities – com destaque para o petróleo – e também pela atividade fraca. Por fim, vale ressaltar ainda que as alterações na política monetária levam de seis a nove meses para surtirem efeito sobre a economia. Nesse ritmo, é esperado, então, que a inflação desacelere com mais intensidade a partir do segundo trimestre.

Por João Delarissa e Icaro Zancheta, economista e pesquisador do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara

(ComTexto Comunicação Integrada – Érica Marin – erica@ctexto.com.br)

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