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Terremotos na Bahia, na semana, assustaram

(Victor Uchôa, de Salvador para BBC News Brasil)

De domingo até a manhã da terça-feira (01/09), a Bahia registrou 14 terremotos, todos na cidade de Amargosa, Recôncavo do Estado, de acordo com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). As imagens de imóveis danificados e prateleiras de um mercado sendo chacoalhadas pelo abalo mais forte, que atingiu a magnitude de 4.6 na Escala Richter, logo correram as redes sociais. Muita gente achava tratar-se de um fenômeno inédito, mas não era.

ESTUDO COM A COMISSÃO

Com mais cinco pesquisadores do Igeo, Simone Cruz comissão criada pela diretoria do Instituto, a fim de estudar o caso de Amargosa.

"Sabemos que este fenômeno é causado pela dinâmica interna do planeta, com a movimentação de placas gerando liberação de energia e resultando no terremoto. Mas apontar uma causa específica para essa sequência de tremores ainda não é possível. Agora é o momento de pesquisar."

ENXAME SÍSMICO

A sequência a que a pesquisadora se refere é chamada de "enxame sísmico". Um fenômeno quando um terremoto não ocorre de forma isolada. Ao contrário, são diversos abalos que surgem associados. Um tremor inicia o processo e, como que ecoando o primeiro, vão ocorrendo várias réplicas - ou terremotos secundários.

Carlos Uchôa, professor de Geologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs/BA), diz que, cientificamente, não é possível saber quando a terra terá liberado toda a energia e voltará a "adormecer". Na mesma região do Recôncavo Baiano, ele lembra, uma sequência de tremores durou três dias em 2002. Na cidade de João Câmara (RN), entretanto, um enxame de abalos sísmicos levou três anos para se dissipar, de 1987 a 1989.

Acontece que tanto Amargosa quanto João Câmara estão situadas em zonas chamadas de sismogênicas, ou seja, aquelas com propensão a terremotos.

No Brasil, as zonas mais ativas estão no Nordeste, com destaque para a Bacia do Recôncavo, a região de João Câmara e a área da cidade de Palhano (CE), onde em 1980 um terremoto alcançou a magnitude de 5.2 e chegou a causar danos na capital, Fortaleza, distante cerca de 150 quilômetros.

O BRASIL TEM TERREMOTO

"No senso comum, costuma-se dizer que o Brasil não tem terremoto, mas tem sim. O que o Brasil não tem, ou ainda não teve, são terremotos de grande magnitude, como ocorre com frequência no Chile ou no Japão. Um desse de 4.6 ocorre umas 20 vezes por semana no Chile", afirma o geofísico Sérgio Fontes, coordenador da RSBR.