JORNAL DE ARARAQUARA
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Moto Clube no aniversário da cidade

A partir dos anos 60, Araraquara realizou circuitos de rua: série de corridas de automobilismo e motoclismo tornando-se referência em todo o país. As pessoas se aglomeravam nas ruas que formando o trajeto das provas. Um tempo de profundo romantismo.

Texto: Benê Salvador Carlos

Dentre os festejos do aniversario de Araraquara, o mais aguardado e de encantamento eram as corridas. Primeiro despertar de um grande amor foram as provas de carros que se iniciavam na Avenida Bento de Abreu, defronte onde hoje é o teatro municipal, passando pela Avenida 36 e completando o circuito até os arredores da Rodovia Washington Luís. Na verdade, não eram as corridas de carro que mais me encantavam; era o barulho dos carros, em especial DKV nº10 do famoso Marinho Cesar Camargo Filho. Era um de três cilindros com motor 2 tempos, 900 cilindradas, cujo ruído ensandecido multiplicava em muito os que já alimentavam minha alma, das lambretinhas de Manolo (Emanoel Toledo Lima), Zezé Braghini e Gildo Scarpa nos idos de 1962.

AMOR PROFUNDO

As corridas de motocicleta, em circuito em volta do Cemitério São Bento, depois na Alameda Paulista e por fim nos arredores da Vila Harmonia com o Jardim Imperador, lugar onde conheci e guardei amizade eterna dos meus ídolos. Pela primeira vez em Araraquara contemplei Evaldo Salerno, Olympio Bernardes Ferreira Neto, Eduardo Luzia, Victorinho Barbugli, os irmãos Passalacqua, Zé Faito, Baiano Faito, Zé Duvilio (José Roberto Tedeschi), Bianchini, Paulo Pecin, Valdemir Rastelli e Dinho DallAcqua garantiam o sucesso do evento.

Naqueles tempos, José da PENHA Moreira deu-nos o privilégio de vencer a prova por duas vezes, uma no circuito do cemitério, outra na Vila Harmonia. Compareciam as maiores estrelas do motociclismo nacional: irmãos Galtiero e Paolo Tognochi, Edmar Ferreira, Expedito Marasi, Francisco Circilli, Antonio Carlos Aguiar, Fifa Carmona, Denísio Casarini e Walter "TUCANO" Barchi, estrelas nacionais ascendentes no circuito internacional.

MEMÓRIAS INESQUECÍVEIS

A primeira delas na Alameda Paulista, a tocada magistral que o então "menino" Evaldo Salerno realizou pilotando uma Mondial 50cc, 2 tempos e 4 marchas. A sua classificação para a largada foi a melhor. Foi observado que somente ele conseguia contornar o balão principal (90 km/h) sem cortar o gás, demonstrando enorme e singular talento.

Não por acaso, através de recurso dos outros competidores e pretexto de que era um menino e não possuía habilitação (poderia causar riscos), foi obrigado a largar em último. Fim de prova e "Nezinho" em segundo, sem queda, sem aliviar o acelerador no percurso todo. O único risco que causou foi de que com algumas voltas a mais teria ganhado a prova.

Outra lembrança, do piloto Neto (Olympio Bernardes Ferreira Neto), de Ducati Mark I, equipamento muito inferior na categoria principal, se preparou para vencer a prova. Fez uma corrida memorável e com a inteligência que lhe é peculiar, traçou estratégias que pudessem culminar com grande êxito. Lamentavelmente nesse dia o competidor da equipe Velo Moto de São Paulo (com sua Honda 350F, quatro tempos, que ocupava a segunda colocação se desgovernou, não conseguindo frear e atropelando sua motocicleta pôs fim ao seu sonho de vencer em sua própria casa).

VICTORINHO BARBUGLI, UM CORRIDAÇO

Neste dia os ventos da modernidade pisaram em Araraquara e Galtiero Tognochi, já com uma Yamaha TD1, venceu a prova. Resultado mais que merecido, a máquina extraordinária e piloto, um dos melhores do país.

MARCA QUE NÃO SAI DA CABEÇA

Araraquara foi pioneira nacionalmente em competições de MotoCross. Na fazenda Cachangal, na Estação do Ouro, pilotos como Nivanor Bernardes, Paulé Salvallagio, Denisio Casarini e Tucano deram ar da graça. O espetacular Roberto Boetcher inaugurou o circuito próximo à fábrica da Lupo S/A, onde estava o Country Club, com vitória assustadora.

Tudo era maravilhoso, a cidade parava, o dia era perfeito e o encantamento da primavera presente nos finais de semana de sol resplandecente, de céu aberto e azul de brigadeiro, daquela brisa constante em que Araraquara se tornava a capital nacional da velocidade.

MOTO CLUBE ARARAQUARA: EFERVESCENTE!

Como presidente o jornalista Horácio Campos Martinez (O Diário da Araraquarense), Nenê Salerno como tesoureiro e liderado tecnicamente por Adolfo Tedeschi Neto, José da Penha Moreira, Dario Pires, Antonio Carlos Selvino, Waldemar Zago e José Carlos Elias (Ney).

Independentemente do tempo que os eventos ocorreram, sempre é bom lembrar o talento natural que a cidade tinha para a velocidade. Pessoas como José Manoel do Amaral Sampaio Filho, Berto Zabra, Peixeiro (Luis Ventrillo), Diogo Faito, Manolo Segura, Nei Mello, engenheiro mecânico Murilo Leonardi contribuíram com muita dedicação para o sucesso de uma "grife".

O nosso Moto Clube se tornou a mina das emoções.

Dentro dessa linha da expertise da velocidade, Nilton "Boca" Gonçalves, Adalberto Cattani, Airton Bolzan, Newton Braga e Renato Cardili, via kartismo, continuam correndo e nos representando cada vez melhor.

VELHOS TEMPOS, BELOS DIAS!!!