JORNAL DE ARARAQUARA
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PENHA E SALERNO geniais pilotos e preparadores

Texto: Benedito Salvador Carlos (Benê), colaboração Deives Meciano.

As histórias aconteciam num abrir e fechar de olhos para cada um dos participantes do grupo. Nos fins de semana, quando todos se juntavam, estávamos formando uma família para construir o mundo da velocidade. Benê

Penha (José da Penha Moreira) e Nezinho (Evaldo Salerno) eram amigos, quase irmãos. Tinham muita cumplicidade. Nezinho era um piloto extraordinário, dono de uma "tocada" limpa, estilo Giacomo Agostini, planejada e muito agressiva. Não à toa ganhou várias corridas com magnífica trajetória, inclusive do Campeonato Brasileiro, participando ativamente da história que o Moto Clube de Araraquara angariou por este Brasil inteiro, em especial na categoria 50cc. Sem ignorar outros eventos como participar brilhantemente de três Quinhentas Milhas de Interlagos: uma em parceria com o próprio Penha, outra com Zé Faito e, por último, com Ediwilmo Queiroz.

PAROU JOVEM

Mesmo com todo esse talento, parou de correr muito jovem. Foi meu primeiro ídolo, minha primeira inspiração, nos meus sonhos de menino piloto sonhava só um pouquinho com as suas conquistas.

Penha também era um grande piloto, tendo conquistado com méritos o Campeonato Paulista de 1974 e 1975. De outra maneira, seu maior talento era de preparador, não era só bom, era genial, fazia a custo de muito trabalho e dedicação verdadeiros milagres.

Penha foi durante um longo período, o responsável por cuidar da motocicleta de competição de Salerno, de origem Italiana e de marca Mondial, por consequência responsável de uma parte de seu sucesso. Quando Salerno optou por parar de correr, os papéis de certa forma se inverteram e de piloto extraordinário, passou a dividir intelectualmente a criação de novos projetos, contribuindo no "pensar" e no desenvolvimento.

MUITAS OPORTUNIDADES

Fui com ambos, na companhia de Neto (Olympio Bernardes Ferreira), Diogo, Celso (Baiano Faito) Martinez, Pinho (José Manoel do Amaral Sampaio) e Dinho DallAcqua, andar na estrada Araraquara/Américo Brasiliense para testar as novidades desenvolvidas e fazíamos da oficina dos Alemães ali estabelecida, nosso boxe, éramos tratados sempre com muito carinho. Foi deste trabalho de ambos que nasceu o super projeto vencedor que levou Penha ao bicampeonato paulista em Interlagos e, por conseguinte, a um desconforto.

No ano de 1974 as importações foram proibidas e as marcas YAMAHA, HONDA e SUZUKI se instalaram definitivamente em nosso país investindo maciçamente em competições com o objetivo de inserção no mercado, o que não ocorria na categoria 50cc, pois ali estavam Penha com sua italianinha e Neto com a alemã Zundapp para atrapalhar com vitórias que se sucediam. Às vezes, por falta de calendário, a mesma corrida contava pontos para o campeonato Paulista e o Brasileiro despertando ira também em participantes de outros estados, especialmente do Paraná, outro grande polo de competição que trazia uma MORINI, também para "ganhar".

AS HISTÓRIAS

Certa corrida, usando do regulamento, depois de uma brilhante vitória de Penha em Interlagos, fizeram depósito da quantia estabelecida para "abrir" o motor da Mondial esperando que esta estivesse fora do regulamento, com mais cilindrada. Para surpresa geral, quando cubicada resultou em menos, fruto de um trabalho que internamente ficou conhecido como "segundo pistão", uma cavidade criada dentro do cilindro em formas ovais, acompanhada da redução do pino do excêntrico do virabrequim que gerava muito mais potência em forma de maior compressão e menos desgastes pela redução do tamanho da biela.

Estes desenvolvimentos nasceram lá atrás, fruto de experiências acumuladas por uma vida toda por Penha, quando desde menino já trabalhava com o velho e também genial Faito e de Salerno que, na companhia de seu pai seo Nicola, pensava e ganhava corridas.

DINHEIRO BOM

O dinheiro arrecadado como garantia para ver o cilindro da motocicleta vencedora, foi para nós de muita valia. Na volta paramos em uma churrascaria, na via Anhanguera, ainda pista única, perto de Campinas, no sentido contrário da pista e comemos por conta daqueles que desafiaram a lisura da cilindrada da Mondial, um maravilhoso rodízio, transformando o desafio em uma grande festa.

Velhos tempos, belos dias.