JORNAL DE ARARAQUARA
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CULTURA MUDA O SOCIAL

A socióloga pregou a mudança social pela cultura

Texto: Ricardo Hiar

Idealista por natureza, Rosa Maria Morgado demonstrou uma inquietação em relação à desigualdade social e dizia sonhar com um país mais igualitário. Para tentar consolidar esse sonho, usou a carreira de professora e a militância política para estimular ações que pudessem diminuir as distâncias entre as classes. "Ela acreditava que o acesso a cultura poderia ajudar a transformar a realidade das pessoas e atuou muito nesse segmento", lembra o primo Mauro.

Nascida em Araraquara, Rosa aprendeu a gostar de política com o pai. Ele fazia parte de um grupo de intelectuais que representava o novo pensamento político da cidade e a jovem participava dos encontros e gostava de registrar sua opinião. Defendia a participação da mulher na política e pregava a igualdade.

PREPARADA

Anos mais tarde, já formada em ciências sociais e atuando na Apeoesp (sindicato dos professores), conheceu em São Paulo o professor de história Gilberto, com quem se casou. Juntos por mais de três décadas, os dois lutaram por ideais semelhantes.

O casal levava uma vida simples, mas estava sempre atento aos mais necessitados. "Eles não ligavam para bens materiais. Estavam sempre com um jeans e usavam um carro velho. Viveram mais para os outros do que para eles", diz Mauro. Em Monte Alto desde a década de 70, Rosa e Gilberto realizaram atividades que marcaram época, como a Semana do Cinema, em 1981, considerada um momento de mudança cultural no município.

O cinema era um ponto de interesse do casal que acreditava que o acesso de toda a população aos filmes IRIA estimular o pensamento crítico.

NA LUTA

Viúva desde 2006, Rosa manteve a militância mesmo sem o companheiro. Teve um câncer e morreu no dia 18 de janeiro, aos 66 anos.