JORNAL DE ARARAQUARA
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Encontros... Despedidas...

Profª. Drª. Terezinha Bellote Chaman

"Esse comboio de corda... que se chama o coração".

Há alguns dias, olhando a foto das bodas de papai e de mamãe, disse comigo mesma: que família linda José e Júlia criaram... e todos vivos. E hoje, noite de Natal, relendo a Apologia Papai/Mamãe de 09/07/86... já não posso dizer o mesmo: a mana querida partiu, quis passar o Natal junto aos anjos, num abraço apertado ao papai José e à mamãe Júlia.E fez-nos mutilados, arrasados, desnorteados com a notícia de sua travessia tão inesperada, tão rápida, tão desconcertante.

Ah... "comboio de corda a que chamamos o coração", tu não podias ter falhado! Durante a semana, em sonho, tive um aviso, um não sei quê... Não dei importância. Agora percebo melhor como são fortes os laços dos que se amam de verdade! Eles extrapolam a matéria.... E sua partida, mana querida, só reforçou-os, cerrando mais e mais os vínculos, cerrando mais e mais o compromisso de não só nos amarmos, mas AMARMO-NOS cada vez mais, mesmo na mais difícil DOR, como pontuado na Apologia Papai/Mamãe. Deste galho podado, muita vida nova florescerá, pode acreditar, querida Marli. E hoje, livre da matéria corruptível, você intercederá já, espiritualizada, sim, você intercederá por cada um de seus irmãos, de seus filhos, de seus netos, sobrinhos... Por cada um.

Guerreira, nós todos respeitamos e exaltamos suas qualidades de filha integra, de mãe amorosa, de irmã lutadora, de professora que tinha a Matemática como brinquedo. Lúcida, rápida nos cálculos. Dr. Ulisses Santos Ribeiro, seu professor por muitos anos, chegou a dizer-lhe: "Marli, você está mais ligeira que eu." Cadeira-prêmio no Instituto de Educação Bento de Abreu de Araraquara, em 1962, orgulho de papai José, levando-a pelo braço. Inesquecível!

Mensagens recebida de pais de seus ex-alunos, elogiando-a, agradecendo o que fez por eles, através de sua capacidade e profissionalismo. Mensagens de amigas, uma partida tão inesperada, tão rápida, para quem tão bem sabia cuidar e cuidar-se. Sim, a vida é um instante emprestado. E a morte é um ladrão! A guerreira não se permitiria partir, tinha amor à vida, em demasia. Tinha amor aos seus amores: Fábio, Renato, Paulinha, tinha amor a seus netos, seus irmãos, seus sobrinhos, a suas futuras noras...

Amorosíssima... de um amor calado, sem tantos arroubos, à moda de papai. Elegantíssima! Linda! Exímia em tudo o que fazia. Perfeccionista! Guerreira! Maninha Lili, como a chamava quando criança. Você cumpriu o seu papel! Você combateu o bom combate! Boa viagem, maninha amada, "além da Terra, além do Céu, no trampolim do sem-fim das estrelas... como diria Drummond (2002).

"E assim, nas calhas de roda gira, a entreter a razão, esse comboio de corda que se chama o coração". (PESSOA, F. 1972, p. 165).