JORNAL DE ARARAQUARA
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Araraquara s da vida do Benê

Na memória, os primeiros 12 anos de Benedito Salvador Carlos registrado com o ruído de máquinas envolventes, de grandes performances.

Texto sobre a vida do Benê, colaboração de Deives Meciano.

Benê guarda na memória a infância vivida até 12 anos onde cristalizam-se, de forma mágica, muitas emoções.

"O meu amor por corridas, minha infância de convivência notável e a sorte de ter nascido numa época em que tudo aconteceu: carros, motocicletas, futebol, Jovem Guarda e privilégio de irmãos, primos, professores e amigos. A vida permitiu grandes emoções".

Sempre que 22 de Agosto se aproxima, o aniversário de Araraquara, várias lembranças afloram e um turbilhão de emoções se espalham por meu corpo, revivendo cada uma delas como se fossem únicas. Graças a Deus nasci pobre, muito pobre e a experiência de ter um pai ferroviário, ter crescido em uma família de nove irmãos, foi única. O prazer de dormir todos em um quarto pequeno, de acordar feliz cantando "Quem não quer capim gordura, bate o pé reclama, quer grama" junto com Nhô Zélio e de dividir o pão do café com pouca manteiga é indescritível. Uma única volta de bicicleta, que era o meio de transporte do meu pai, no quarteirão de domingo, êxtase puro que minhas pernas até hoje tremem. Vira e mexe, meu coração palpitante se transporta lá para o Grupo Escolar Professor Augusto da Silva Cesar, antigo prédio na Rua Expedicionários do Brasil (8) com a Avenida Sebastião Lacerda Corrêa e que tinha, dentre tantos detalhes, minha classe do quarto ano separada por um lençol de cor branca. Como se os anos nunca tivessem passado, viajo sonhando ao encontro de Dona Cecília, Dona Diva, Dona Samira Gibran e saudoso Professor Geraldo Honorato Azzi Sachs, pegando em minhas mãos e professorando saber, dignidade e amor. Meu carrinho de rolemã que com meu irmão Assis e meu primo Nivaldo Coelho descíamos a Rua Comendador Pedro Morganti (11) sob o olhar assustado de Dona Sulina até parar no paredão de terra na Avenida Francisco Sampaio Peixoto (29). E ainda com Assis e Nivaldo, já com bicicletas próprias indo para as aulas do curso preparatório no prédio do Albergue Noturno, Lar Mei Mei, na Rua Itália (7) perto da Avenida José Bonifácio aprender matemática e português com o Professor Walace Leal Valentim Rodrigues. Meu primeiro emprego com oito anos de idade na alfaiataria do Sr. Julião Pereira, na Rua Padre Duarte (4), defronte o Jardim Público e ao lado do prédio da Chalu que simultaneamente me ofereceu a oportunidade de também servir a tinturaria da Dona Maria Japonesa, mãe de Clara, Ana Maria, Tamiko e Tadame Hayashida. Tudo isso me lembro com frescor, mais nada fixou tanto na minha memória quanto as corridas de carros na Avenida Padre Francisco Salles Colturato (36), daquele som ensandecido do DKW 10, magistralmente dirigido por Marinho Camargo Filho, da Alameda Paulista, verdadeiro formigueiro humano encantado com a presença de Penha (José da Penha Moreira), Neto (Olimpio Bernardes Ferreira Neto), Eduardo Luzia, Victorinho Barbugli, Salerno, Zé Faito, Zé Duvilio, Dinho DallAcqua, Pinho, Dario Pires, Engenheiro Murilo Leonardi, Manolo e Braz Passalacqua que espalhavam, no final de semana de cada corrida, o doce aroma da gasolina azul misturada com óleo Valvoline Racing que entraram por meus poros e nunca mais saíram da alma. Do meu Colégio Victor Lacôrte, que a sorte me ofereceu entre outros, ser aluno dos Professores Rodolpho Tellaroli, Mivaldo Messias Ferrari, Rubens Dias Maia, Sidney Rodrigues, Luzia de Mello, Ana Talarico, Helio Senne, Alice e Osmar Malaspina. O aniversário de Araraquara era muito mais, nem sei ao certo dizer de quantas vezes me emocionei também com a Esquadrilha da Fumaça, quantas vezes neste período fui à praça Frederico Di Marco ver o pouso dos balões livres de Victorio Truffi.

Victório Truffi, um araraquarense que prestigiou sua terra com a subida do primeiro balão a ar quente governado pelo vento.

Quantas vezes, oh meu Deus do céu, quantas vezes, para chegar nas corridas de carro, dormir na casa de minha tia Inês na Rua Voluntários da Pátria (5) com a Avenida 38 e quantas vezes para assistir corridas de motocicleta, na companhia de meu irmão Haroldo, emendar a semana na casa lá da Vila Xavier de meu tio Eusébio Quadrado, na companhia inesquecível dos primos Luiz Carlos, Sebastião e João Batista fazer o tempo, jogar futebol, ver uma verdadeira erudição do samba de raiz no Ponto Chic com José Roberto Tellarolli (ritmando numa caixa de fósforo), Salomão e companhia e assistir na TV Record "As jovens tardes de domingo do Rei Roberto, Erasmo e Wandeca". Velhos tempos, Belos Dias.

Texto original da Revista Comércio, Indústria e Agronegócio (Ivan Peroni)