JORNAL DE ARARAQUARA
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Esquina errada

(Saudosa lembrança do genial escritor Carlos Heitor Cony)

Maria Ursulina Ramalho

Acontece com qualquer um: de repente dobra-se uma esquina errada e nunca chegamos ao destino desejado. Quando se aproxima o fim da jornada, quando o homem faz seu balanço interior, contabilizando lucros e perdas, ele fatalmente se faz a pergunta: onde e quando dobrei a esquina errada?

Não importa o grau de sucesso alcançando, ele sempre descobrirá que a partir de determinado ponto perdeu o rumo e caminhou por caminhar. De acordo com as possibilidades, em seus momentos de lucidez, sabe que já não está indo para lugar nenhum.

Na maioria das vezes, procurará se tapear com um projeto emergencial, mas ele sabe que já não está mais caminhando, e sim, andando para encher o tempo e o vazio.

Triste andar para preencher tempo e vazio do caminho.

Os exemplos podem ser tirados da história ou de nossa própria vida pessoal. Napoleão dobrou a esquina errada quando iniciou a campanha da Rússia. Hitler e Aníbal quando pararam a escalada, o primeiro ao abrir duas frentes na última Guerra Mundial, o segundo ao se deter em Cápua. Mais um pouco teriam alcançado seus objetivos.

Em qualquer ponto da trajetória de cada um, surge o diabólico alçapão, esquina fatal, a partir da qual continuamos no mesmo passo, e muitas vezes não percebemos que já estamos sem rumo e que não há tempo para refazer o caminho. De nada adiantaria caminhar para trás porque não encontraremos a esquina, o ponto na qual perdemos a direção. A solução é ir em frente.

Dobrei a esquina errada quando entrei para o seminário. Houve bastante tempo para refazer o caminho, oportunidades para voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. No caso, o erro foi duplo. Quando decidi sair do seminário, tentando corrigir a rota, foi pior. Porque em vez de procurar o erro lá atrás, continuei a caminhar para frente sem saber que estava perdido. (Folha de S.Paulo, novembro de 2015). Digitação de Kate Lorraine S. de Godoy.