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Hoje os sinos dobram por você
Atualizada 12 de maio de 17 |  Comentários -   E-mail | Imprimir | Permissões e Reproduções | Assine matérias como esta | Compartilhar no facebook Siga Jornal de Araraquara no Twitter

João Baptista Galhardo (*)

A morte de qualquer pessoa me diminui, porque faço parte da humanidade. Portanto, não mandes saber por quem o sino dobra; ele dobra por ti. Essas palavras fazem parte da obra "Meditação XVII", escrita em 1624 por John Donne, poeta e escritor inglês, que viveu entre 1572 e 1631. Serviu de inspiração para outros escritores e poetas, principalmente para Ernest Hemingway que escreveu o romance "Por quem os sinos dobram.", sobre a guerra civil espanhola e que serviu de tema para filme com a mesma história, estrelado por Gary Cooper e Ingrid Bergman.

É que antigamente as badaladas dos sinos enunciavam os importantes acontecimentos de uma localidade. Um casamento. Uma vitória em batalha. As horas. O chamamento para a reza e até uma morte. E o número de badaladas denunciava a idade do falecido.

Lembro-me dos sinos da capela do meu bairro, que já há algum tempo badalavam de forma diferente para o chamamento da novena, para a crisma, para a quermesse, para casamento, para informar a hora e para anunciar falecimento.

Badalar significa proclamar algum fato entusiasticamente.

Os sinos falam. Conversam. Acionado pelo foguista, até o sino da locomotiva a vapor, serelepe e esperto quando anunciava a chegada, repicava mais comedido ao acenar a partida.

Neste dia de comemoração sinos badalam pelas mães.

Não por todas é claro. Há mulheres que não merecem ser chamadas de mãe. Os sinos tocam pela boa mãe jovem, pela idosa, magra ou gorda, rica ou pobre. Tocam pela mãe que sendo velha se rejuvenesce, na guarda e na proteção de um filho e que ignorante torna-se sábia, desvendando com sua intuição materna, os segredos dos filhos. Não tocam pela mãe ausente que não tem ou não quer ter competência para projetar nos olhos dos filhos sequer uma chispa de brilho. Tocam pela mãe pobre que se considera rica com a alegria, com a felicidade e com o sucesso dos filhos.

Não tocam pela mãe irresponsável.

Tocam os sinos pela mãe que embala o filho ainda no ventre, acarinhando-o com palavras amorosas e afagos maternais.

Não tocam pela mãe assassina que pelo simples desejo de não desejar a criança já formada que gerou, comete aborto, o mais vil dos homicídios. Assassinato premeditado, doloso, torpe, fútil, cruel, de emboscada e sem chance de defesa para o ofendido. Por ela os sinos não dobram. Ao contrário, silenciam por repúdio e tristeza.

Os sinos repicam pela mãe fraca que tem a força e a bravura de um leão para defender sua prole.

Os sinos tocam pela mãe adotiva que ama, educa e trata o que não é carne de sua carne, sangue do seu sangue.

Os sinos não badalam pela mãe que se recusa a amamentar por temor de abalo estético ( já se provou o contrário). A amamentação não é só alimento. Envolve o carinho, o aconchego, a troca de cheiro. Além de ser necessário para o aperfeiçoamento do palato.

Os sinos dobram pelas queridas mães ausentes, que já morreram, mas presentes na saudade. Saudade que machuca. Deus devia estar de mau humor quando inventou esse sentimento.

Os sinos dobram pela mãe que não espera recompensa. Pela magia que ela tem em fazer desaparecer as dificuldades, amenizando todas as dores.

Os sinos tocam pela mãe vigilante que por amor impõe limites e disciplina para que seu filho venha a ser um adulto responsável.

Mãe carinhosa, antenada, participativa, amiga e companheira de todas as horas, se nesta data, no cenário da sua imaginação ouvir sinos badalarem, não pergunte por quem eles tocam.

Hoje eles dobram por você.

jbgalhardo@uol.com.br


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