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A sogra
Atualizada 24 de junho de 16 |  Comentários -   E-mail | Imprimir | Permissões e Reproduções | Assine matérias como esta | Compartilhar no facebook Siga Jornal de Araraquara no Twitter

João Baptista Galhardo (*)

A sogra sempre foi motivo de brincadeiras e gozações. "Feliz foi Adão que não teve sogra nem caminhão. Sogra é como cerveja, só é boa quando gelada sobre a mesa".

Um genro bebaço para festejar a morte da sogra, depois da cerimônia de cremação dela, sobe numa cadeira e grita: "Agora, gente, uma salva de palmas para o assador". Outro foi procurado para contribuir para o asilo: "ok... leva minha sogra". Um cara perguntou ao amigo: é verdade que você ficou rico com a morte da sua sogra? - É, mas não foi herança. Eu joguei no bicho o número da cova dela. Há outros casos envolvendo a sogra.

Ao retornar para casa, depois do trabalho, o sujeito vai direto para o quarto e encontra a mulher enrolada nos lençóis. Tira a roupa, entra embaixo e mantém prolongada relação sexual. Depois, resolve ir a cozinha comer alguma coisa e dá de cara com sua mulher, em frente ao fogão, preparando o jantar.

- Como é que você conseguiu sair tão rapidamente? Acabamos de manter relação... Oh! Meu Deus! Grita ela: "era minha mãe. Ela veio me visitar e estava cansada. Eu disse para que se deitasse um pouco na nossa cama". Imediatamente a mulher vai para o quarto e dá a maior bronca na mãe:

Eu não consigo acreditar no que acabou de acontecer nesta cama...

- Por que a senhora não mandou parar? Gritasse. Falasse alguma coisa...

- Essa é muito boa. Você sabe muito bem que faz doze anos que não dirijo a palavra ao idiota do seu marido.

Um outro genro foi indagado: - Ô Zé, você está com ar de cansado. O que aconteceu? - Acabei de enterrar minha sogra. Mas por que você ta todo sujo de terra? - É que ela não queria.

Mas deixando a brincadeira de lado não é bem assim. Toda sogra merece o mais profundo respeito e estima. Afinal sem ela não existiriam as noras e os genros, pois os maridos e mulheres deles saíram do ventre dela. Felizmente na minha família a convivência e bem-querência entre as sogras e meus filhos e de minha mulher com genros e noras foi sempre de profundo respeito e afeição. E vice versa. E eu já cantei em prosa e verso a estima que tive pela minha sogra.

Há genros e noras que querem a sogra bem longe.

Fazem até mandinga e reza-brava para dela se livrarem. Se for preciso até assassinato. Como o senhor Juca que assistindo na televisão que a Polícia demorou 25 anos para encontrar o cadáver de uma sogra assassinada pelo genro que a enterrou sob o piso da própria sala, teve a ideia de fazer a mesma coisa. Aparecendo a oportunidade matou a sogra e a enterrou num buraco que abriu no centro da sala de jantar. Recolocou o piso e o tapete sobre ele, socando o chão com os pés para melhor assentamento. Dez minutos depois chegou a Polícia e o prendeu.

Caramba vi na televisão que vocês levaram 25 anos para descobrir o corpo daquela mulher enterrada na sala da própria casa. - É verdade. Disse o Policial. "Só que aquele assassino morava em casa térrea e não no quinto andar como você. O corpo da sua sogra acaba de cair na cabeça dos moradores do apartamento de baixo enquanto jantavam".

Há a história de uma jovem nora que desejando matar sua sogra pediu ajuda ao Mulá Nasrudin, sábio e plantador de ervas.

- Mestre o senhor precisa me ajudar. Não aguento mais. Ela é muito chata. Intrometida. Palpiteira. Não faz nada para agradar. Está sempre emburrada. Coloca defeito em tudo. Vai acabar com o meu casamento. E antes que isso aconteça quero matá-la e para isso preciso de sua ajuda.

O mestre foi ao quintal e voltou com um feixe de plantas.

- Leve esta erva. Vá colocando aos poucos em sua comida. Entretanto para que ninguém desconfie da sua autoria faça pratos e doces saborosos e a trate com respeito e carinho para que ninguém perceba a sua intenção. Assim foi feito. Cada dia um prato diferente. Um doce. Um bolo. Um presentinho. Demonstração de afeto, carinho e bom relacionamento. A sogra por sua vez mudou de comportamento. Passou a tratar a nora como verdadeira filha, costurando-lhe maravilhosos vestidos. O lar se encheu de felicidade e harmonia. Só havia amor entre elas.

De repente a nora percebeu que a qualquer momento o veneno faria efeito e estaria matando uma pessoa que ela passou a querer como verdadeira mãe. Procurou o plantador de ervas e lhe pediu um antídoto, pois não queria que a sua sogra, agora querida, viesse a morrer. Nasrudin lhe disse:

- A erva que lhe dei não é venenosa. É um fortificante. Faz bem para a saúde. Serviu principalmente para tirar o veneno que havia na cabeça de vocês duas.

(*) jbgalhardo@uol.com.br


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