JORNAL DE ARARAQUARA
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Novo relatório traça panorama apocalíptico do futuro do planeta

Numerosas áreas costeiras do planeta ficarão alagadas no terceiro milênio, quando o nível dos oceanos terá subido mais de 11 metros e a temperatura média terá aumentado em 15 graus devido ao aquecimento da Terra, segundo um estudo elaborado pelo Centro Tyndall, divulgado hoje.

Este é o panorama apocalíptico do futuro da Terra no próximo milênio, se a humanidade não adotar medidas urgentes e drásticas, segundo cientistas.

Se não nada for feito, reiteram os analistas, no começo do terceiro milênio a temperatura média da Terra terá aumentado em 15 graus e o nível dos oceanos terá subido mais de 11 metros, inundando várias cidades.

O estudo, elaborado pelo Centro Tyndall de Pesquisas Climáticas, da Universidade de Manchester, e intitulado "A mudança climática em uma escala milenar", é o primeiro a analisar de modo completo o impacto do aquecimento de nosso planeta além do século XXI.

O relatório indica que no ano 3000 o aquecimento do planeta terá aumentando em mais de quatro vezes se continuarmos queimando combustíveis fósseis e o nível dos mares terá subido em 11,4 metros.

A partir de dois metros de elevação do nível dos oceanos, serão inundadas muitas áreas de Bangladesh, Flórida e outras regiões costeiras, o que obrigará o deslocamento de milhões de pessoas.

Segundo o estudo, poderá continuar havendo mudanças climáticas abruptas, inclusive se acabarem as emissões dos gases que contribuem atualmente para o efeito estufa, porque há certos processos que, uma vez iniciados, não podem ser detidos.

A acidez dos oceanos diminuirá de modo significativo, o que representará um problema para os organismos marítimos como os corais e o plâncton, o que por sua vez afetará negativamente o conjunto do ecossistema.

Essas mudanças poderiam ser ainda mais dramáticas se o clima do planeta se revelar como mais vulnerável às emissões de gás estufa do que suspeitam atualmente os cientistas.

A solução, segundo o relatório, é reduzir esse tipo de emissões a zero até 2200.

A mensagem do documento é de que o mundo deveria limitar-se a queimar apenas um quarto das reservas conhecidas de combustíveis fósseis.

Para isso, só se permitiria um aumento muito leve das emissões globais até o ano 2025 para, a partir dessa data, começar a reduzi-las até sua completa eliminação em 2200.

"Se não fizermos nada, estamos condenando futuras gerações a uma mudança climática realmente perigosa", afirma Tim Lenton, diretor da equipe que realizou o estudo.

O risco é de que se voltem a registrar no planeta temperaturas que não ocorriam há 55 milhões de anos, quando um aumento natural das emissões de carbono produziram um aquecimento extraordinário da Terra durante um período que se calcula em 10 mil anos.

Atualmente, as emissões de gases que produzem o efeito estufa, por parte dos países industriais, estão ocorrendo a um ritmo 30 vezes maior que naquela época do Paleoceno-Eoceno, segundo revelou James Zachos, da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz (EUA).